O tradicionalismo da 12ª região chora a perda de todos os seus filhos

Foto: Divulgação


CARTA ABERTA

No inicio desta pandemia, meu amigo Giovane Nogueira me alertou que poderíamos nos despedir de muitos amigos tradicionalistas. Achei exagero dele, ledo engano…

O tradicionalismo chora suas perdas, cada gaúcho ou gaúcha, que empunha a bandeira cívica dos usos e costumes desta terra e dela parte precocemente deixa uma falha insubstituível no elo que nos une.

O Sars-Covid-19 é um vírus covarde. Ceifa a vida sem muita chance de resistência. Nesta batalha inglória tombaram mais dois Tauras. Um Garibaldi e uma Anita. Lutaram e partiram juntos, como a mística de quem tem alma unida por demais. Mas diferente das guerras de antanho, quando se sabia onde estava o inimigo e quais os limites de seu poder bélico, a batalha que eles pelearam contra esse vírus traiçoeiro os impediu de uma luta justa e igual.

Durante a caminhada tradicionalista e de vida, sim, pois ambos fizeram das suas vidas o cultuar de nosso jeito terrunho de viver, Gilson Alves e Leila Rozani Alves foram expoentes de valia imensurável. Participaram ativamente do movimento tradicionalista, ele como patrão ou vice-patrão da invernada campeira do CTG Brazão do Rio Grande, sempre em parceria com o inesquecível Helias Peres, que este vírus, tragicamente, também fez tombar. Ambos campeiros, profundos entendedores das lides rurais, dos usos e costumes do povo do Sul.

Gilson, mais conhecido como Juca, era o tipo de tradicionalista que não media esforços para enaltecer as coisas deste chão. Lembro que durante a gravação do filme o tempo e o vento, de Érico Veríssimo, Juca colocou à disposição da diretoria de figurino do filme todas as indumentárias das invernadas do CTG Brazão do Rio Grande, principalmente as de época, o que foi fundamental para a construção fidedigna da saga épica.

Além disso, Juca foi coordenador (patrão mesmo) da Associação das Entidades Tradicionalistas de Canoas, em parceria com o amigaço de todas as horas Júlio César Soares, patrão do CTG Sentinela do Rio Grande da Base Aérea de Canoas. Ambos fizeram a gestão da associação que organiza a Semana Farroupilha de Canoas e o rodeio cidade de Canoas nos anos de 2015-2017, anos de festejos organizados, sem criminalidade, sem problemas nas prestações de contas, Juca continuou a coordenar a associação até o ano de 2019. Importante dizer que nestes praticamente 5 anos à frente da AETC as melhorias no Parque Eduardo Gomes, chamado Parque do Gaúcho, foram efetivadas na gestão do Juca, que organizou e viabilizou o espaço maravilhoso para se cultuar as tradições que se tem hoje.

A Leila foi a prenda campeira, esposa deste Taura, cuja habilidade em congregar as mulheres tradicionalistas e suas famílias perpassa o singelo, é louvável e exemplar, dada a dedicação carinhosamente ofertada a todas. Por certo deve estar trocando ideias dos próximos eventos com a sempre estimada prenda Jaque La Roque, do CTG Alma Crioula, cuja vida também foi ceifada há poucos dias por este vírus terrível.

Quis a providência divina que o casal partisse para a Estância Celestial juntos.  Deixando filhos, genros, netos e familiares, todos com importantes participações no movimento tradicionalista da 12ª RT, com saudades eternas.

Fica o legado valioso de amor, conduta e dedicação exemplar ao civismo regional, ao tradicionalismo gaúcho. A todos os tradicionalistas que sucumbiram diante deste vírus perverso, fica aqui registrado nosso agradecimento pela contribuição na caminhada tradicionalista e a certeza de que seus feitos não foram em vão. Nossos sentimentos às famílias e um fraternal abraço a todos que estão lutando contra esta tragédia.

LISANDRA UEQUED                                  JÚLIO CÉSAR SOARES
AMIGA DA FAMÍLIA                                      AMIGO DA FAMÍLIA
CTG SENTINELA DO RIO GRANDE                  PATRÃO CTG SENTINELA DO RIO GRANDE
CTG ALMA CRIOULA

 

 

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