Olegar Lopes: “Neste 8 de março, quero destacar duas figuras femininas pouco conhecidas”


Olegar Lopes – Agenda Tradicionalista

Oito de março

Como homenagem às mulheres, cuja data é comemorada hoje, dia 8 de março, destaco a figura de duas mulheres pouco conhecidas das gerações atuais, mas que, quando jovens, em suas épocas foram exemplo de luta na busca do reconhecimento de valores e igualdade, num tempo em que a função específica da mulher era dedicar-se aos afazeres domésticos. As duas mulheres que escolhi para homenagear as mulheres de hoje no seu dia são a professora, poetisa e oradora Luciana Maria de Abreu, nascida em Porto Alegre, no dia 11 de julho de 1847 e a primeira médica brasileira Dr. Rita Lobato Lopes Velho, nascida em Rio Grande, dia 7 de junho de 1866.

Rita Lobato Velho Lopes frequentou o curso secundário em Pelotas e demonstrou, desde cedo, pendores para a Medicina. Entretanto, os preconceitos da época eram desestimuladores a vocações desse tipo, pois as funções específicas de uma mulher branca continuavam sendo casar (com o marido que o pai escolhesse) o procriar (no que tinham a concorrência das escravas), o rezar e o costurar.

Em 19 de abril de 1879 foi restabelecida a reforma Leôncio de Carvalho pelo Decreto Imperial 7.247 que reconhecia a liberdade e o direito da mulher frequentar os cursos das Faculdades e obter um título acadêmico.

Valendo-se de tal abertura, Rita matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, transferindo-se depois para a Faculdade de Medicina de Salvador, Bahia, onde sentiu a hostilidade, que ainda perdurava, contra o ingresso feminino em cursos superior até receber as maiores considerações do corpo docente da velha Faculdade da Bahia. Defendeu tese sobre “A Operação Cesariana” e recebeu o grau a 10 de dezembro do mesmo ano. Era a primeira brasileira formada em medicina.

Segundo seus biógrafos, a emérita professora e oradora Luciana Maria de Abreu foi colocada na Roda dos Expostos da Santa Casa de Misericórdia na madrugada do dia 11 de julho conforme registro no livro de assentamentos daquela instituição. Foi adotada pela família de Gaspar Ferreira Viana. Estudou na Escola Miguelina Ferrugem entre os anos de 1854 e 1858. Foi a primeira aluna a inscrever-se na Escola Normal, que havia sido recém-inaugurada no ano de 1869. Luciana já era casada e mãe de dois filhos, Maria Pia e Teofóllio, quando cursava o Normal e foi diplomada professora no ano de 1872. No ano seguinte passou a exercer a profissão como Ajudante de Ensino na Escola da Professora Henriqueta Andrade. Porém, em seguida fundou sua própria escola localizada na Rua da Ponte (atual Rua Riachuelo), nos fundos do Teatro São Pedro.

Luciana de Abreu se notabilizou por ter sido a primeira mulher que, no Rio Grande do Sul e quiçá no Brasil, subiu à tribuna para falar em público, numa época em que a mulher ainda estava submetida a uma situação secundária, desempenhando um papel estritamente doméstico e maternal.

Mas foi como sócia efetiva do Partenon Literário que passou a ocupar lugar na literatura rio-grandense, mais precisamente como oradora e conferencista. Luciana foi pioneira na luta pela emancipação da mulher em todo o país.

*Trechos retirados do Calendário Histórico Cultural, publicado no Caderno Cultural do jornal Zero Hora.