[VÍDEO] Moradores denunciam coação eleitoral na ocupação da Rua da Barca

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Na tarde de quinta-feira, 13, moradores da ocupação da rua da Barca denunciaram à redação de O Timoneiro uma suposta tentativa de coação, que se baseia em um vídeo que teria sido gravado no último final de semana. Quem aparece falando na tela é o ex-diretor da Secretaria Municipal de Obras (SMO), Liomar Borges (PSD), dizendo que falava em nome do prefeito Jairo Jorge (PT) e coagindo os residentes do local a colocarem em suas casas placas da candidata Beth Colombo (PRB), em troca de suposto cancelamento de uma ordem de desocupação da área, onde vivem cerca de 100 famílias. Borges se exonerou do cargo, em julho, para concorrer a vereador na coligação Bloco do Orgulho Municipal (BOM).

Em um trecho é possível ouvi-lo dizendo que estava no local a mando do chefe do Executivo. “Ontem ele falou para mim. Liomar, tu vai lá e fala isso para eles”, argumentou. “Ele disse pra mim. Esse pessoal, estão lá dependendo da prefeitura e são traíra”, alegou em outro momento. Segundo ele com quem se reuniu na noite anterior. “Hoje eu vim aqui oficialmente pelo prefeito”, afirmou.

Liomar diz no vídeo que os moradores deveriam trocar as placas do candidato Luiz Carlos Busato (PTB) pelas da candidata Beth Colombo. O ex-diretor chega a usar o termo “traíras” para se referir a quem colocou em suas casas as placas de Busato. Em diversos pontos do vídeo, Borges reafirma que estava ali a pedido do prefeito e chega a dizer que mesmo em uma possível derrota, se apoiarem a candidata governista, o chefe do Executivo teria garantido o cancelamento da ordem de reintegração de posse. “Ele disse pra mim. Esse pessoal estão lá dependendo da prefeitura e são traíra”, disse em um trecho.

Como prova da colaboração, alegou que faria um vídeo com cada morador. “Eu sou o representante do Jairo Jorge aqui hoje. Eu vou tirar um vídeo de vocês, vocês dizendo para ele que estão apoiando a Beth”, disse.

Em dado momento do vídeo, ele diz que a permanência no local depende do apoio político dos moradores mediante fixação de placas em suas casas. “É para vocês ficarem com a Beth que vocês não vão sair daqui. Ele não vai tirar vocês daqui”, disse. “Acabou vim um vereador aqui, dar uma sacolinha. Acabou. Agora é a casa de vocês. Vamos jogar bem sério agora”, salientou em outro momento.

Percebendo que estava sendo gravado, ele disse: “olha aí, tem celular para tudo que é lado. Não dá. Quem não quer ouvir nada, pode ir. Eu tenho minha casa. Se não querem me ouvir, se não querem uma coisa boa para vocês, vocês falam”, afirmou.

Questionado por uma das moradoras se o prefeito faria um documento e o entregaria para a advogada do município, Borges responde que a advogada não vai mais ao bairro. “Não põe mais os pés aqui”.
Um dos argumentos de Liomar era que Jairo Jorge, mesmo em posse de uma ordem judicial, não removeu os moradores do local. “Se ele quisesse tirar vocês, tinha tirado há semanas já. Ele está com a ordem lá, é só mandar executar”, disse.

Ao final, ele afirma que os moradores deveriam trocar as placas. “Nós estamos com as placas da Beth li. Nós vamos baixar agora. Os que tiverem placas do Busato, nós vamos filmar e nós vamos dar a da Beth pra vocês”, alegou. Um morador questionou o que aconteceria com eles caso a candidata do PRB perdesse as eleições. “O Jairo, antes de sair, da a canetada para vocês”, garantiu dizendo que na quinta-feira, por volta das 6 horas, a Brigada Militar deveria estar retirando os que ali residem. Liviomar Borges, irmão de Liomar, mora na ocupação.
A Prefeitura de Canoas move uma Ação Civil Pública para desocupar a área alegando questões ambientais e urbanísticas e existe uma decisão para desocupação da área, que aguarda cumprimento.

Remoção

Questionada sobre a situação das famílias da rua da Barca, a Prefeitura respondeu que a possibilidade de remoção é real. “Sim, pois aquela é uma área que está fora do dique de proteção às cheias, sujeita a alagamentos, desprovida de infra-estrutura básica e portanto imprópria para moradia. Além disso, a ocupação irregular gera o desordenamento urbano do solo, conforme rege o Plano Diretor Urbano e Ambiental do município”, disse a administração municipal. A respeito do prazo para a desocupação, a resposta foi: “A Procuradoria-Geral do Município ingressou na Justiça, no primeiro semestre, com pedido de interdito proibitório e reintegração de posse da área e o processo está em trâmite”.

Assista os vídeos

 

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