Opinião: O Espiral do tempo

Zeca15122015

Hans-Joachim Kollreutter, maestro, músico, humanista, costumava descrever o mundo e os tempos com um espiral: volta-se sempre para a posição anterior, mas um patamar acima. Quando voltamos ao mesmo ponto, não progredimos nada, não evoluímos nada e não aprendemos nada. Ver no dia a dia a repetição de fatos que causaram um atraso na incipiente democracia Brasileira só pode nos deixar preocupados. Kollreutter não fazia mais que parafrasear Hegel quando disse que “todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo, por assim dizer, ocorrem duas vezes”, afirmou que quando esta se repete, a primeira vez é como tragédia, a segunda como farsa. Caberá ao leitor analisar o momento em que vivemos, compará-lo com o anterior e determinar qual a tragédia e qual a farsa.

No ano de 1992, há apenas 7 anos do retorno da democracia,  o pais se envolve no primeiro impeachment, do presidente Collor. O Brasil entrou em uma recessão ate o governo FHC, que assume com a promessa de implantar uma social-democracia nos moldes europeus. Não foi o que aconteceu. E mais, não chegamos nem sequer aos pés do Socialismo Liberal Inglês. Houve uma devassa nas empresas do estado. O espiral do tempo continuou seu giro e chegamos ao mesmo ponto quando deveríamos estar um patamar acima. Voltamos ao mesmo lugar, quando a democracia esta amadurecida e fortalecida, mas com uma geração de políticos que mais parecem um bando de Yuppies enlouquecidos com seus celulares de ultima geração, vestindo seus Armani´s, salvando algumas raras exceções. Uma das piores composições do Legislativo brasileiro.

Tudo gerado nos corações dos partidos, que são legendas de aluguel, acéfalas de qualquer ideologia, mas fortalecidas pelo corporativismo e o lobby empresarial. E o tempo continua. Em seu espiral infinito quem fica parado no ponto permanecerá nele, vendo a historia passar, mas quem resolver acompanhar, quem sabe, no próximo giro, estará em um lugar diferente, quiçá um patamar acima. Mas tudo vai depender principalmente de uma mudança pessoal, acompanhada de um exercício de memória recente. O exercício mais próximo serão as eleições municipais. É um ótimo campo para começar pela sua cidade. Analise o espiral do tempo, quantas voltas ele deu e se sua realidade está um patamar acima de onde partiu. Lembre –se de um poeta de minha geração que cantava, “todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que se foi”. Abraços fraternos.