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19/05/2024
 

Comunidade

GUAJUVIRAS 37 ANOS: Moradores lembram da luta pela moradia no surgimento do segundo maior bairro de Canoas

Redação

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Marcelo Grisa
marcelogrisa@gmail.com

Nesta quarta-feira, 17, um dos maiores bairros de Canoas comemora 37 anos de existência. Em 17 de abril de 1987, começava a ocupação do que viria a se tornar o Guajuviras. Com 42.749 habitantes, é o segundo em termos de população na cidade. Mas para quem mora lá, vem em primeiro lugar.

Trajetória

A história do bairro é também uma história de lutas. Originalmente, o espaço do Guajuviras era chamado de Conjunto Habitacional Ildo Meneghetti. No local, construído pela Companhia de Habitação do Estado do Rio Grande do Sul (Cohab) haviam 5.974 unidades habitacionais, muitas delas abandonadas, e que foram ocupadas para formar o que inicialmente foi considerado uma invasão. A obra, que deveria ter 6.400 unidades, nunca foi finalizada pelo órgão estadual e, por isso, não havia sido entregue aos inscritos no programa de habitação popular. A Cohab chegou a tentar repassar as obras à Prefeitura de Canoas em 1984, sem sucesso.

Isso ocorria por conta da conjuntura econômica do país no período. Em 1987, o Brasil estava no período da hiperinflação, com mais de 250% ao ano após o fim do Plano Cruzado. Havia desabastecimento, e o preço dos alugueis se tornava demais para que muitos pudessem pagar.

Foto: Marcelo Grisa/OT

Espera e invasão

Herminio Farinha Vargas chegou no primeiro dia. Aquele 17 de abril era um domingo de Páscoa, e Farinha recebeu o aviso de que muitos estavam indo para lá. Ele e sua esposa, Otacília, foram até o local. “A gente nunca quis o direito de ganhar uma casa, mas o direito de pagar o preço justo por uma. Muitos, como nós, estávamos inscritos na Cohab”, diz.

Otacília explica que a situação se arrastava há anos. “Já tinha um tempo que o pessoal dizia que seria o ideal invadir. Eu passei um dia todo no sol, grávida, em frente à Praça do Avião, para me inscrever na Cohab, em 1982. Cinco anos depois e nada. Pior: algumas moradias já começavam a ser invadias por gente até de municípios vizinhos, que não estavam inscritas”, lamenta.

Maria Aparecida Flores estava no Guajuviras desde os primeiros dias da ocupação. Chegou com dois filhos. A filha mais velha e o marido não quiseram vir de Arambaré, onde morava. A nova vida começava com desafios extras. “O terreno onde hoje fica a igreja de Nossa Senhora Aparecida estava com uma cerca. Eu e mais umas 20 mulheres derrubamos. Precisávamos também de um espaço para a comunidade. Fizemos oficinas, forno coletivo para fazer pão, e conversávamos sobre as nossas vidas e nossos direitos”, recorda.

Ela lembra que, naquele momento de transição democrática do Brasil, ainda haviam resquícios da repressão dos anos da ditadura militar, que terminou oficialmente em 1985. “Antes de vir a Brigada Militar, mandaram o Exército para cercar o bairro. Ninguém entrava, ninguém saía. Fiquei dez dias sem comer por conta disso. Quando a ajuda chegou, eu tentei me alimentar e vomitei”, relata.

Foto: Marcelo Grisa/OT

Organização

Cida, como é conhecida no bairro, também fez parte da Comissão dos Setenta, o grupo que atuava nas negociações junto à Cohab. Ela aponta que a organização entre os moradores foi fundamental para garantir o direito à moradia. “Nós nunca fizemos nada debaixo dos panos. Tínhamos os líderes de cada quadra, que precisavam saber tudo que discutíamos em conjunto. Depois cada um precisava ir na sua quadra, chamar todo mundo e repassar”, explica.

Farinha, que também integrou o grupo, diz que o esforço precisava ser constante, com reuniões diárias. “Era difícil. Não tínhamos água, luz, nada. E a maioria de nós trabalhava. O encontro começava às 20 horas e terminava entre uma e duas da manhã. Mas valeu a pena”, observa.

Comunidade

Serviço de recuperação de documentos na cidade de Canoas começou nesta quarta-feira

Redação

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Serviço de recuperação de documentos na cidade de Canoas começa nesta quarta-feira

O Poder Judiciário do RS, em parceria com a Defensoria Pública e o Registro Civil das Pessoas Naturais (RCPN) de Canoas  a partir desta quarta-feira, 15, uma força-tarefa para identificação e registro civil das pessoas atingidas pelas enchentes que estão abrigadas nos alojamentos temporários do município. O serviço funcionará das 9h às 17h.

“Recomeçar é Preciso!”

O Programa “Recomeçar é Preciso!” levará uma comitiva composta por juízes, servidores, estagiários e defensores públicos para realizar o levantamento dos dados para confecção da segunda via das certidões de nascimento e casamento e certidão de óbito, a fim de garantir o direito básico de identificação civil.

Nesta primeira fase, com o apoio de professores e alunos da Universidade Luterana do Brasil, serão atendidas as pessoas que estão no alojamento da Ulbra, pois conta com o maior número de atingidos pela catástrofe natural que assolou o Estado.

O alojamento da Ulbra está localizado na Av. Farroupilha, número 8001 – São José, Canoas

 

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Comunidade

DESASTRE NO RS: Defesa Civil de Canoas reforça pedido por doação de cobertores

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DESASTRE NO RS: Defesa Civil de Canoas reforça pedido por doação de cobertores - Foto: Bruna Ourique

A Prefeitura de Canoas, por meio da Defesa Civil, necessita, com urgência, da doação de cobertores para ajudar as famílias resgatadas pelas equipes de socorro. O item se faz necessário para aquecer as pessoas que estão sendo retiradas das águas.

As doações poderão ser entregues na Central de Doações, localizada na Cassol Centerlar, na Avenida Farroupilha, 5775, no bairro Marechal Rondon.

Além dos cobertores, a comunidade também pode contribuir com colchões, produtos de limpeza, itens de higiene, água, toalhas e alimentos perecíveis e não perecíveis.

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Comunidade

DESASTRE NO RS: Barcos de voluntários fazem a diferença nos resgates na cidade de Canoas

Redação

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DESASTRE NO RS: Barcos de voluntários fazem a diferença nos resgates na cidade de Canoas - Foto: Bruna Ourique

O apoio de voluntários com o uso de barcos e outras embarcações de pequeno porte vem fazendo a diferença nas ações de resgate em diferentes regiões da cidade de Canoas.

De acordo com a Defesa Civil, os meios de transporte possibilitam o acesso às áreas tomadas pelas cheias e onde não é mais possível a aproximação a pé ou com veículos automotores. Além disso, as estruturas também são utilizadas durante à noite, quando os resgates aéreos estavam impossibilitados.

Prefeito faz apelo por ajuda

O prefeito de Canoas, Jairo Jorge, fez um apelo para que mais proprietários de embarcações contribuíssem com os resgates de modo voluntário.

“Se as pessoas tiverem barcos, nós estamos necessitando muito desses meios. Em grande parte dos locais, com a elevação da água, somente conseguimos ingressar de barco nos bairros. Então, apelamos para que as pessoas realmente cedam barcos para que a gente possa continuar trabalhando o dia. Solidariedade é a palavra certa. E, nós, felizmente, diante desta magnitude do desastre em Canoas, de outro lado, percebemos que, felizmente, a nossa raça humana continua sendo solidária”, destacou o prefeito durante live em suas redes sociais.

Os proprietários de barcos são orientados a comparecer até a sede do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na sede da Segurança Pública de Canoas (Rua Humaitá, 1130, Nossa Senhora das Graças), para melhor organização dos resgates.

Já as demais pessoas interessadas em atuar como voluntários, em outras diferentes frentes, podem seguir até a sede da Defesa Civil (Rua Bandeirantes, 450, Nossa Senhora das Graças).

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