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04/11/2026
 

Geral

“Após 42 anos de trabalho, levanto minhas mãos limpas e com calos para o céu”, Pastor Edegar

Redação

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Por Simone Dutra

Edegar de Souza Machado é presidente da Assembleia de Deus de Canoas (Rua Florianópolis, 520 – Matias Velho) há exatos 42 anos, pois foi no dia 7 de maio de 1979 que tomou posse. Agora, prestes a ser jubilado por atitude voluntária, o pastor cita o prazer de ter o coração em paz por missão cumprida.

“Em primeiro lugar quero dizer da minha satisfação. Ora, veja, até parece contraditório ter prazer em se jubilar, mas eu tenho, porque faz 66 anos que eu exerço o sacerdócio na Assembleia de Deus aqui no Rio Grande do Sul, além dos 42 em que lido como diretor e pastor aqui na igreja de Canoas”, disse Edegar com voz mansa, abafada pela máscara constantemente ajustada durante nossa conversa.

Exemplar em sua conduta, fato mencionado por todos com quem falei sobre o pastor, chegou a Canoas já na maturidade de seus 46 anos, e começou a fazer o trabalho de evangelização no templo, que atualmente também conta com um departamento social, a ajuda à Associação Beneficente Lar Esperança de Canoas dentre outros. “É claro que tem a fadiga, tem o cansaço, mas tem compensação, tem vitória, tem benção”, destaca.

De Maceió a Canoas

“Eu tinha apenas cinco anos de idade quando vim de São Luís de Quitunde, próximo à capital, na grande Maceió, lugar onde nasci. Viemos de navio, pois meu pai foi transferido a trabalho para Novo Hamburgo. Levamos 12 dias e 12 noites para chegar ao Rio Grande do Sul, pois não havia estradas para chegar de ônibus ou carro. Já na adolescência, me mudei para Porto Alegre, onde me formei no ensino médio e ainda cursei faculdade de Teologia e também de Licenciatura no Curso Superior de Teoria Musical”, contou orgulhoso.

O evangelho

Edegar revela que desde os quatro anos tem contato com o evangelho. “Meu pai, a convite de um amigo, foi assistir a um culto na Assembleia de Deus lá em Alagoas, e ficou apaixonado pelo que o pastor pregou, e se converteu. Ele era um homem que gostava muito de estudar, então criou bastante conhecimento da bíblia, e aquela influência foi pegando em mim desde a infância”. Até que um dia, já adulto e se formando em licenciatura na faculdade, foi convidado para trabalhar como obreiro da bíblia em Porto Alegre, onde também foi regente de coral. “E assim foi a minha vida, como membro da igreja, junto de toda minha família, seguindo minha vocação e ajudando o povo”.

Missão na igreja

O pastor contou que o trabalho foi crescendo tanto que hoje tem trabalhos não só na cidade, mas também o de Missionário, presente no Uruguai, Paraguai, Canadá, África, México, no norte do país, no interior do nosso estado, “pequeninas cidades sem condições de sustentar um trabalho evangelístico, o que chamamos de missão, pois é assim que entendemos o trabalho feito fora da nossa jurisdição, que é Canoas”, explicou.
A importância da Assembleia de Deus de Canoas é contada também em números. A instituição, de acordo com Edegar, abrange atualmente 16 mil membros e conta com 88 igrejas na cidade, somando as pessoas de Nova Santa Rita.

Família e futuro

“Olhando para trás, com o que foi realizado, eu levanto as minhas mãos para o céu, agradeço a Deus pela oportunidade, pela força, pela graça, aliás, levanto as minhas mãos para o céu com elas limpas, com calos pelo trabalho que exerci aqui, com a consciência tranquila, o espírito em paz; por isso estou animado para continuar vivendo, já que estou com 88 anos (recém completados), acho que já estou nesta jornada quase no fim da carreira… mas Deus é quem sabe”, diz resiliente.

Quanto à família, Edegar conta que “está toda criada”. As quatro filhas formadas e os oito netos seguindo suas carreiras, o que corrobora para a sua satisfação de vida. E é junto deles que o eterno pastor passará seus dias de descanso daqui para frente.

Lições da pandemia

Quando menciono a pandemia, o pastor Edegar relembrou um provérbio comum entre os populares que diz que “não há mal que sempre dure”. E continuou dizendo que atrela a frase a essa pandemia miserável que tem varrido todos os povos do mundo, dos mais ricos aos mais pobres. “Ela atinge todos. E não é porque sou crente, religioso, que estou incólume, eu tenho visto companheiros e amigos indo embora”, preocupou-se.

“Eu tenho para mim que o povo tem que aprender a lição. Um dia eu estava na nossa casa em Arambaré, de madrugada, deitado, num calor terrível, e orando ao Senhor, quando disse: ‘mas Senhor, por que essa hora da madrugada, e esse calorão, o que é isso?’ E eu senti que me responderam ‘isso é a ganância do povo, a desobediência do povo’. Mas o quê liga ganância com calor? Na hora eu não entendi… Mas é isso aí, nós estamos assistindo as pessoas desrespeitando a natureza, destruindo e roubando as nossas riquezas”.

Ensinamentos de Deus

“Essa pandemia é um aviso de Deus para que as pessoas se aproximem da origem das coisas e Dele. Estamos vendo tanta desobediência aos princípios de saúde, e por outro lado, as autoridades, além das falcatruas e corrupção para todo lado. Então vem uma praga dessas para fustigar, para ver se o povo volta o seu olhar para o lado do amor, do respeito, com mais consideração. O ser humano está desorientado demais, e isso tudo é resultado do afastamento do homem com os mandamentos e ensinamentos de Deus”, conclui.

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Policial

Operação contra organização criminosa no RS termina com 72 presos e mais de 230 ordens judiciais cumpridas

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Foto: Polícia Civil

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira, 4, a Operação Padrinho, com o objetivo de combater crimes de homicídio e desarticular uma organização criminosa com atuação em Santa Maria e no sistema prisional. Até o momento, 72 pessoas foram presas.

A ofensiva foi coordenada pela Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Santa Maria (DPHPP) e contou com o apoio da Brigada Militar, da Polícia Penal e do Instituto-Geral de Perícias.

Ao todo, foram cumpridas mais de 230 ordens judiciais, entre mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, sequestro de veículos e bloqueio de contas bancárias. As ações ocorreram nos municípios de Santa Maria, Restinga Sêca e Caçapava do Sul, além das casas prisionais PASC, PESM, PRSM, PEJULI e PESB.

Segundo o delegado Adriano Rossi, titular da DPHPP de Santa Maria, a operação tem como objetivo cumprir as ordens judiciais para desarticular uma organização criminosa apontada como responsável por diversos homicídios na região.

Investigação começou após homicídio com 15 disparos

As investigações tiveram início em 13 de agosto de 2025, após o assassinato de um homem no bairro Nova Santa Marta, em Santa Maria. Na ocasião, a vítima foi executada com 15 disparos de arma de fogo calibre 9 mm em frente à própria residência.

A partir da análise da rota de fuga dos atiradores, os investigadores identificaram o envolvimento de integrantes de uma organização criminosa. Conforme apurado, o homicídio teria sido uma retaliação determinada pela cúpula do grupo após um conflito anterior entre criminosos.

O avanço das investigações revelou uma estrutura organizada, com hierarquia, divisão de tarefas e ligação com uma facção de atuação estadual.

A apuração também identificou a influência da organização dentro do sistema prisional. Segundo a Polícia Civil, integrantes da cúpula utilizavam duas galerias de unidades prisionais para coordenar atividades relacionadas ao tráfico de drogas, administrar questões internas e ordenar execuções fora dos presídios.

De acordo com o delegado Adriano Rossi, titular da DPHPP de Santa Maria:

“Ficou comprovado que a cúpula da organização exercia influência sobre duas importantes galerias do sistema prisional local, utilizando o espaço carcerário para coordenar a logística do narcotráfico, gerenciar rotinas internas e expedir ordens de execuções extramuros, garantindo uma influência territorial estritamente coercitiva nos bairros em que atuava”.

Operação mira estrutura financeira e logística

Conforme a investigação, a organização utilizava um arsenal de fuzis e pistolas para manter o controle de territórios e movimentava recursos provenientes do tráfico de drogas, que posteriormente eram ocultados de forma ilícita.

O diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Mario Souza, destacou o objetivo da ofensiva:

“A operação atinge o cerne estrutural do grupo, visando não apenas a responsabilização penal pelos homicídios, mas também o isolamento de seus integrantes e o estrangulamento financeiro e logístico da organização criminosa, visando neutralizar por completo a sua capacidade de articulação criminal”.

A Operação Padrinho integra o Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios (P7), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, voltado à repressão de crimes violentos e à responsabilização de integrantes de grupos criminosos envolvidos em episódios de extrema violência.

Os presos serão encaminhados ao sistema prisional.

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Geral

RS abre pedidos de reembolso de multas do free flow; veja como receber o dinheiro de volta

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Foto: Fabrício Braga Nunes – CSG
Foto: Gus Wanderlei

O governo do Rio Grande do Sul abriu, nesta quinta-feira, 29, o sistema para solicitar o reembolso de multas relacionadas ao pedágio eletrônico free flow que foram anuladas após uma decisão do governo federal. Os pedidos devem ser realizados pela Central de Serviços do Detran-RS.

Segundo o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer-RS), 527,7 mil multas foram pagas e posteriormente anuladas no Estado. Os valores, portanto, poderão ser restituídos aos motoristas que quitaram as penalidades.

Conforme o órgão, os pedidos serão processados e os recursos deverão ser devolvidos em até 30 dias. As multas aplicadas desde 2024 terão correção monetária.

O diretor-geral do Daer, Luciano Faustino da Silva, destacou a quantidade de penalidades envolvidas e a proposta de simplificar o procedimento de restituição.

“São mais de 527 mil multas que precisam ser devolvidas. A ferramenta vai estabelecer de forma facilitada e rápida os valores para o cidadão”, afirmou.

Como funciona o reembolso

Os motoristas que pagaram multas anuladas relacionadas ao sistema free flow poderão solicitar a devolução dos valores pela plataforma digital do Detran-RS. O procedimento deve ser realizado diretamente na Central de Serviços do órgão.

O free flow é um modelo de pedágio eletrônico sem cancelas. Nesse sistema, os veículos passam por pórticos instalados nas rodovias, sem precisar parar, e o pagamento da tarifa deve ser feito posteriormente, geralmente pelo site da concessionária, dentro do prazo estabelecido.

Quando o pagamento não é realizado em até 30 dias, o motorista pode ser autuado por evasão de pedágio, com multa de R$ 195,23.

Prazo para regularizar débitos termina em novembro

A suspensão das multas foi determinada pelo governo federal em abril de 2026, após questionamentos sobre a comunicação e a divulgação das regras de funcionamento do free flow. Na ocasião, foram suspensas 3,4 milhões de multas aplicadas em todo o país.

A medida estabeleceu um período de transição de 200 dias para que os motoristas pudessem quitar os débitos pendentes com as concessionárias e evitar as penalidades.

O prazo termina em 16 de novembro. Quem não regularizar os valores devidos até essa data voltará a ficar sujeito à cobrança das multas suspensas.

A decisão foi adotada após a constatação de que muitos motoristas deixaram de pagar as tarifas por desconhecimento do funcionamento do sistema. Atualmente, 14 concessionárias utilizam o modelo no Brasil.

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Policial

Polícia prende suspeito e apreende armas em operação que investiga fraude em licitações de Guaíba

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A Polícia Civil realizou, na manhã desta quinta-feira, 22, a Operação Pseudographos, em Guaíba. A investigação apura suspeitas de falsificação e uso de certificados de capacidade financeira atribuídos à Contadoria e Auditoria-Geral do Estado (CAGE), apresentados por uma empresa de terceirização de mão de obra em licitações promovidas pelo município.

Ao todo, cerca de 25 policiais civis cumpriram sete mandados de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Regional de Garantias de Porto Alegre. As diligências ocorreram na sede da empresa investigada, em um escritório de assessoria contábil, em residências de investigados e em setores da administração municipal, incluindo a Procuradoria-Geral do Município.

Durante a operação, uma pessoa foi presa. Os policiais também apreenderam armas, munições e documentos.

A investigação apura possíveis crimes de falsificação de documento público, uso de documento falso, fraude à licitação e associação criminosa. Os certificados investigados teriam sido utilizados para habilitar a empresa em pregões eletrônicos, que resultaram em contratos administrativos posteriormente aditados.

Certificados apresentavam indícios de falsificação

Conforme o delegado Augusto Zenon, titular da 2ª Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública Municipal (DIRCAPM/Dercap), a investigação começou após uma comunicação da própria CAGE, que identificou indícios de falsificação nos documentos.

Segundo o órgão, os certificados não foram emitidos pelo sistema oficial, apresentavam numeração já vinculada a outras pessoas jurídicas e continham datas de emissão correspondentes a dias em que os sistemas estaduais estavam indisponíveis em razão da calamidade pública provocada pelas enchentes de 2024. Os prazos de validade também divergiam do padrão adotado.

A perícia realizada pelo Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP/RS) apontou fortes indícios de falsidade.

“A perícia oficial do Instituto-Geral de Perícias (IGP/RS) concluiu pela existência de fortes indicadores de falsidade, constatando metadados incompatíveis com os certificados autênticos e sinais de elaboração em editor de texto, com posterior conversão para PDF”, esclareceu Zenon.

Investigação apura possível participação de agentes públicos

De acordo com a delegada Karoline Calegari, titular da Delegacia de Polícia de Guaíba, o inquérito começou na unidade policial do município, onde os fatos teriam ocorrido, e posteriormente foi encaminhado à delegacia especializada em crimes contra a administração pública.

As apurações incluíram depoimentos, exames periciais, análise de procedimentos administrativos municipais, materiais encaminhados anonimamente à Polícia Civil e um relatório de inteligência financeira.

Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos indicaram a necessidade de ampliar a investigação para além do escritório de contabilidade responsável por obter e encaminhar os certificados.

Entre os pontos ainda investigados estão a autoria da falsificação, os equipamentos e as contas utilizados na criação e no envio dos documentos, a circulação dos arquivos e o nível de conhecimento dos representantes da empresa beneficiada.

Também são analisados atos administrativos relacionados a pagamentos, aplicação de sanções e uma nova contratação da empresa. Conforme a investigação, algumas dessas decisões teriam divergido de manifestações das áreas técnicas da administração municipal.

“Também serão examinados atos praticados no âmbito da administração municipal em favor da empresa, em procedimentos de pagamento, de aplicação de sanções administrativas e de nova contratação, alguns deles em sentido divergente das manifestações das áreas técnicas, a fim de verificar a existência de ajuste prévio, divisão de tarefas e atuação coordenada entre particulares e agentes públicos, sem prejuízo da apuração de eventuais crimes de corrupção”, concluiu o delegado.

Objetivo da operação

Os mandados de busca e apreensão também tiveram como objetivo recolher computadores, celulares, mídias de armazenamento, arquivos originais e editáveis, comunicações e documentos físicos e digitais. O material deverá auxiliar na reconstrução do processo de produção e circulação dos certificados e na identificação da participação de cada investigado.

A Polícia Civil informou que as responsabilidades individuais serão apuradas com respeito ao contraditório e à ampla defesa.

O nome da operação, Pseudographos, tem origem grega e remete à expressão “escrita falsa”. A denominação faz referência aos documentos que teriam sido forjados com aparência de autenticidade oficial para comprovar uma capacidade financeira que não havia sido certificada regularmente, possibilitando, em tese, a habilitação da empresa em licitações públicas.

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