“Após 42 anos de trabalho, levanto minhas mãos limpas e com calos para o céu”, Pastor Edegar

Foto: Timoneiro


Por Simone Dutra

Edegar de Souza Machado é presidente da Assembleia de Deus de Canoas (Rua Florianópolis, 520 – Matias Velho) há exatos 42 anos, pois foi no dia 7 de maio de 1979 que tomou posse. Agora, prestes a ser jubilado por atitude voluntária, o pastor cita o prazer de ter o coração em paz por missão cumprida.

“Em primeiro lugar quero dizer da minha satisfação. Ora, veja, até parece contraditório ter prazer em se jubilar, mas eu tenho, porque faz 66 anos que eu exerço o sacerdócio na Assembleia de Deus aqui no Rio Grande do Sul, além dos 42 em que lido como diretor e pastor aqui na igreja de Canoas”, disse Edegar com voz mansa, abafada pela máscara constantemente ajustada durante nossa conversa.

Exemplar em sua conduta, fato mencionado por todos com quem falei sobre o pastor, chegou a Canoas já na maturidade de seus 46 anos, e começou a fazer o trabalho de evangelização no templo, que atualmente também conta com um departamento social, a ajuda à Associação Beneficente Lar Esperança de Canoas dentre outros. “É claro que tem a fadiga, tem o cansaço, mas tem compensação, tem vitória, tem benção”, destaca.

De Maceió a Canoas

“Eu tinha apenas cinco anos de idade quando vim de São Luís de Quitunde, próximo à capital, na grande Maceió, lugar onde nasci. Viemos de navio, pois meu pai foi transferido a trabalho para Novo Hamburgo. Levamos 12 dias e 12 noites para chegar ao Rio Grande do Sul, pois não havia estradas para chegar de ônibus ou carro. Já na adolescência, me mudei para Porto Alegre, onde me formei no ensino médio e ainda cursei faculdade de Teologia e também de Licenciatura no Curso Superior de Teoria Musical”, contou orgulhoso.

O evangelho

Edegar revela que desde os quatro anos tem contato com o evangelho. “Meu pai, a convite de um amigo, foi assistir a um culto na Assembleia de Deus lá em Alagoas, e ficou apaixonado pelo que o pastor pregou, e se converteu. Ele era um homem que gostava muito de estudar, então criou bastante conhecimento da bíblia, e aquela influência foi pegando em mim desde a infância”. Até que um dia, já adulto e se formando em licenciatura na faculdade, foi convidado para trabalhar como obreiro da bíblia em Porto Alegre, onde também foi regente de coral. “E assim foi a minha vida, como membro da igreja, junto de toda minha família, seguindo minha vocação e ajudando o povo”.

Missão na igreja

O pastor contou que o trabalho foi crescendo tanto que hoje tem trabalhos não só na cidade, mas também o de Missionário, presente no Uruguai, Paraguai, Canadá, África, México, no norte do país, no interior do nosso estado, “pequeninas cidades sem condições de sustentar um trabalho evangelístico, o que chamamos de missão, pois é assim que entendemos o trabalho feito fora da nossa jurisdição, que é Canoas”, explicou.
A importância da Assembleia de Deus de Canoas é contada também em números. A instituição, de acordo com Edegar, abrange atualmente 16 mil membros e conta com 88 igrejas na cidade, somando as pessoas de Nova Santa Rita.

Família e futuro

“Olhando para trás, com o que foi realizado, eu levanto as minhas mãos para o céu, agradeço a Deus pela oportunidade, pela força, pela graça, aliás, levanto as minhas mãos para o céu com elas limpas, com calos pelo trabalho que exerci aqui, com a consciência tranquila, o espírito em paz; por isso estou animado para continuar vivendo, já que estou com 88 anos (recém completados), acho que já estou nesta jornada quase no fim da carreira… mas Deus é quem sabe”, diz resiliente.

Quanto à família, Edegar conta que “está toda criada”. As quatro filhas formadas e os oito netos seguindo suas carreiras, o que corrobora para a sua satisfação de vida. E é junto deles que o eterno pastor passará seus dias de descanso daqui para frente.

Lições da pandemia

Quando menciono a pandemia, o pastor Edegar relembrou um provérbio comum entre os populares que diz que “não há mal que sempre dure”. E continuou dizendo que atrela a frase a essa pandemia miserável que tem varrido todos os povos do mundo, dos mais ricos aos mais pobres. “Ela atinge todos. E não é porque sou crente, religioso, que estou incólume, eu tenho visto companheiros e amigos indo embora”, preocupou-se.

“Eu tenho para mim que o povo tem que aprender a lição. Um dia eu estava na nossa casa em Arambaré, de madrugada, deitado, num calor terrível, e orando ao Senhor, quando disse: ‘mas Senhor, por que essa hora da madrugada, e esse calorão, o que é isso?’ E eu senti que me responderam ‘isso é a ganância do povo, a desobediência do povo’. Mas o quê liga ganância com calor? Na hora eu não entendi… Mas é isso aí, nós estamos assistindo as pessoas desrespeitando a natureza, destruindo e roubando as nossas riquezas”.

Ensinamentos de Deus

“Essa pandemia é um aviso de Deus para que as pessoas se aproximem da origem das coisas e Dele. Estamos vendo tanta desobediência aos princípios de saúde, e por outro lado, as autoridades, além das falcatruas e corrupção para todo lado. Então vem uma praga dessas para fustigar, para ver se o povo volta o seu olhar para o lado do amor, do respeito, com mais consideração. O ser humano está desorientado demais, e isso tudo é resultado do afastamento do homem com os mandamentos e ensinamentos de Deus”, conclui.

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