Política
Covid-19: Prefeitura enumera medidas adotadas em dois meses e mostra mapa da doença por região


Prefeitura também divulgou o mapa do contágio do vírus na cidade
Considerada uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, o mais alto grau de alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, foi caracterizada como pandemia há dois meses, no dia 11 de março. Durante esse período, estados e municípios brasileiros têm tomado uma série de medidas para evitar a propagação do vírus.
Em Canoas, os índices de contaminação estão baixos se comparados a outras cidades do mesmo porte. Para a gestão municipal, isso se deve ao conjunto de medidas adotadas durante estes dois primeiros meses de pandemia. Dentre as primeiras medidas, o prefeito Luiz Carlos Busato, em decisões conjuntas com o Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus, determinou o isolamento social e estabeleceu diversas regras para o os serviços essenciais e não essenciais, com suspensão do funcionamento de alguns estabelecimentos, para a efetiva proteção da população canoense.
Confira as 20 principais medidas adotadas pela Prefeitura de Canoas:
1. Criação do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus
Depois que a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou a Covid-19 para o patamar de pandemia, a Prefeitura de Canoas criou o Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus. Formado por lideranças municipais, profissionais de saúde e representantes de secretarias estratégicas, como da Saúde (SMS), Desenvolvimento Econômico (SMDE), Educação (SME), Desenvolvimento Social (SMDS), Relações Institucionais e Comunicação (SMRIC), Câmara de Vereadores, entre outras, o Comitê foi criado com o objetivo de subsidiar as tomadas de decisão do município para evitar a propagação do vírus. Além disso, buscou sempre dialogar com a sociedade sobre todas as estratégias e decisões a serem tomadas, a fim de proteger os canoenses e minimizar as consequências sociais e econômicas da pandemia.
2. Estruturação de quatro hospitais de campanha
Canoas foi uma das primeiras cidades do Rio Grande do Sul a construir hospitais temporários para suprir a demanda de internações decorrentes do coronavírus e não sobrecarregar as estruturas já existentes. Ao todo, quatro hospitais de campanha foram criados, no complexo do Hospital Universitário (HU), na UPA Rio Branco, na UPA Boqueirão e no Hospital Nossa Senhora das Graças.
Os hospitais de campanha ajudam a desafogar a demanda por leitos para pacientes com Covid-19 de baixa complexidade, garantindo o atendimento dos demais pacientes. Com a antecipação na criação de leitos, Canoas não enfrentou a elevação de valores por parte dos fornecedores.
3. Abertura de 932 novos leitos exclusivos para tratamento da doença
Inicialmente, os hospitais de campanha teriam 679 leitos para pacientes com Covid-19. Entretanto, a administração municipal e a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) construíram 932 novos leitos, sendo 43 em unidades de terapia intensiva (UTIs). As estruturas vão entrando em funcionamento conforme o avanço da doença e cumprindo o que estabelece o Plano de Contingência ao Enfrentamento do Coronavírus de Canoas.
4. Distribuição de kits de higiene para pessoas em situação de rua
O chamado “Consultório na Rua”, iniciativa das Secretaria de Desenvolvimento Social (SMDS) e Saúde (SMS), leva mais de centenas kits de higiene para pessoas em situação de rua. Entre os itens estão toalhas de papel, sabonete, papel higiênico, escova e pasta de dente. A ação também tem o objetivo de orientar essa população, que não possui acesso às medidas de prevenção ao coronavírus.
5. Higienização de espaços públicos
Antes de Canoas confirmar o primeiro caso, os espaços públicos do município com grande circulação de pessoas já estavam sendo higienizados para evitar a propagação do novo coronavírus. Até o momento, mais de 1.500 locais receberam a limpeza com jatos de água com produto específico para desinfecção da área, entre unidades de saúde, hospitais, paradas de ônibus, calçadas com grande circulação de pessoas, como nas proximidades das agências bancárias.
6. Contratação de aproximadamente 200 profissionais de saúde
A Prefeitura de Canoas realizou a contratação de 200 profissionais da saúde, entre médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, entre outros, para reforçar o combate à pandemia de coronavírus no município.
7. Reforma de dois andares do Hospital Universitário (HU)
O Hospital Universitário (HU) vem recebendo, ao longo dos últimos anos, obras de recuperação e modernização de suas instalações. Neste ano, o 7º e o 9º andar foram reformados para disponibilizar mais de 200 leitos, que serão utilizados, neste momento, para pacientes com Covid-19. A reconstrução do piso, troca de iluminação, reforma nas paredes, pintura, troca de portas, limpeza e demais melhorias foram realizadas por profissionais disponibilizados por construtoras que atuam na cidade, servidores públicos e também por apenados, que participam do Recomeçar, programa que busca a reinserção social de apenados através do trabalho.
8. Vacinação contra a gripe de mais de 46 mil idosos em casa
Pela necessidade de evitar aglomerações e o contato de idosos com outras pessoas, a Prefeitura de Canoas realizou a vacinação contra a gripe na casa do público-alvo. Na primeira etapa da campanha de vacinação, mais de 46 mil idosos foram vacinados. Ao todo, 27 equipes percorreram as ruas do município.
9. Ampliação da validade de receitas médicas e aumento do tempo de distribuição de medicamentos
A Prefeitura de Canoas alterou os prazos de validade de receitas médicas para dispensação de medicamentos. A medida contempla prescrições para tratamentos de doenças crônicas, cuja validade passou a ser de 12 meses, e de medicamentos sujeitos a controle especial na Atenção Primária à Saúde do município, com validade de seis meses.
10. Proibição do corte de energia elétrica e água durante 90 dias
Com o objetivo de auxiliar a população de Canoas neste momento de crise sanitária, que também está desencadeando uma crise econômica, a Prefeitura de Canoas decretou a proibição da suspensão e corte da prestação de serviços públicos de abastecimento de água e saneamento básico e do fornecimento de energia elétrica de moradores que não consigam pagar suas contas. Com validade de 90 dias, a orientação é que as concessionárias parcelem o valor total dos atrasados em nove vezes.
11. Diálogo com empresários e comerciantes para buscar soluções econômicas durante a pandemia
Desde o início da pandemia do novo coronavírus, a Prefeitura de Canoas mantém diálogo com comerciantes, entidades empresariais e associativas para buscar soluções econômicas. As entidades que estão apoiando a Prefeitura no enfrentamento à pandemia são: Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas (CICS), Câmara dos Dirigente Lojistas de Canoas (CDL), Sindicato dos Lojistas do Comércio de Canoas (Sindilojas), Conselho Comunitário Pró-Segurança Pública (Consepro), Sindicato das Indústrias Metal Mecânicas e Eletrônicas de Canoas e Nova Santa Rita (Simecan), e Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios e do Comércio Varejista de Supermercados e Hipermercados de Canoas (Sindigêneros).
12. Normas restritivas para proteger a população
Com a abertura do comércio decretado pelo Governo do Estado e a necessidade da retomada das atividades comerciais em Canoas, a Prefeitura estabeleceu 18 restrições para o funcionamento dos estabelecimentos. As normas restritivas visam a prevenção da saúde individual e coletiva dos canoenses. Entre as normas estão: obrigatoriedade do uso de máscara ou protetor facial de clientes e colaboradores; permitir o ingresso de clientes até o limite de 50% para manter o distanciamento; higienizar superfícies de toque (mesas, equipamentos, cardápios, teclados etc.); manter à disposição álcool em gel 70% para a utilização dos clientes e dos empregados; adotar sistemas de escalas, de revezamento de turnos e de alterações de jornadas, para reduzir fluxos, contatos e aglomerações de seus empregados; disponibilizar e exigir a utilização, por todos os empregados, de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual); verificar a temperatura corporal dos colaboradores a cada início de jornada.
13. Auxílio às famílias através da Secretaria de Desenvolvimento Social
A Prefeitura de Canoas vem dando auxílio às famílias através dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) do município e demais equipamentos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS). Em abril, a Prefeitura adquiriu mais de 7 toneladas de alimentos com recursos municipais e recebeu quase 11 toneladas de doações diversas. Além disso, aumentou em 46% a aquisição de alimentos pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o que representa, atualmente, 38 toneladas, e em aumentou em 23% a doação de cestas de alimentos para usuários do Cadastro Único do Governo Federal (Cadúnico). Já o pedido de cestas eventuais realizadas junto à Diretoria de Segurança Alimentar e Inclusão Produtiva da SMDS aumentou 350% em abril comparada com março.
14. Uso das ferramentas do Google for Education durante a suspensão de aulas
Mais de 30 mil alunos da rede municipal de ensino de Canoas estão recebendo atividades remotas, por meio de algumas plataformas como o site da escola, por aulas gravadas ou ao vivo pelo YouTube, até mesmo o WhatsApp e o Facebook são utilizados para alcançar os estudantes. Em alguns casos em que o acesso à internet é limitado, os pais retiram as tarefas na própria escola. Entretanto, o grande aliado das escolas nesse momento de isolamento social é o Google for Education, que entrou em implementação ainda no primeiro semestre de 2019 em todas as Escolas Municipais de Ensino Fundamental. A plataforma conta com uma série de aplicativos que permitem que as tarefas sejam realizadas de forma colaborativa e acessadas de qualquer local.
15. Reforço no combate à violência doméstica durante a quarentena
Com o isolamento social e a preocupação com o crescimento de casos de violência doméstica, a Prefeitura de Canoas, por meio da Diretoria das Políticas para as Mulheres, lançou a campanha “Peça Ajuda”, para mostrar às mulheres que elas não estão desamparadas neste período de pandemia, reforçando o combate à violência doméstica contra meninas e mulheres.
16. Entrega de rancho para 837 idosos do Programa Cidadania Alimentar
Os 837 idosos do município que recebem rancho e precisavam buscá-lo no local de entrega no quadrante onde residem passaram a receber em casa. A preocupação da Prefeitura é não expôr essa população do grupo de risco à contaminação.
17. Campanhas de arrecadação de alimentos, itens de higiene e roupas
A Prefeitura de Canoas lançou campanhas para arrecadar alimentos, itens de higiene e roupas para distribuir à população carente. O Drive Thru Solidário, que teve como beneficiário o Banco de Alimentos de Canoas, arrecadou mais de 2 mil toneladas de alimentos.
Já a central de doações montada no Centro Olímpico Municipal recebeu a doação de 30.135 itens, entre gêneros alimentícios, produtos destinados à higiene, vestuário e equipamentos de proteção. Dentre o total, estão 10.807 pares de luvas, 670 máscaras, 1.540 bombonas de água, 3.000 bombonas de detergente bactericida e 2.646 lençóis. Além disso, empresas e entidades realizam constantemente doações às unidades de saúde da cidade.
18. Criação da Central Telefônica para atender a população
Com a finalidade de atender às demandas dos canoenses, orientar e tirar dúvidas sobre questões que envolvem a pandemia do coronavírus, a Prefeitura de Canoas criou uma Central Telefônica. Até 8 de maio, já foram realizados mais de 3 mil atendimentos.
19. Economia das Secretarias Municipais
Com a diminuição na arrecadação de impostos em função da pandemia, a Prefeitura de Canoas tomou algumas medidas a fim de diminuir despesas. Mensalmente, a economia prevista é de R$ 8 milhões, sem trazer prejuízo aos servidores.
20. Seis novas ambulâncias
Uma notícia chegou para aliviar a preocupação dos canoenses em torno da pandemia da Covid-19: a aquisição de seis novas ambulâncias.
21. Ampliação da vacinação em casa
Mães de recém-nascidos, gestantes, pessoas com deficiência e crianças de até 6 anos estão sendo vacinadas em casa desde segunda-feira, 11.
Política
Flávio Bolsonaro não entrega passaportes no prazo, e PF apura possível saída do Brasil pela Argentina

A Polícia Federal (PF) apura se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos, possivelmente passando pela Argentina, após ser proibido de viajar para o exterior por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso ganhou repercussão nesta terça-feira, 27, depois que o prazo para a entrega dos passaportes terminou sem confirmação de que os documentos haviam sido recebidos pela corporação.
A investigação sobre o possível deslocamento do parlamentar foi iniciada após informações divulgadas pela imprensa argentina indicarem que ele teria atravessado a fronteira brasileira e planejado seguir viagem em uma aeronave particular. Até o momento, porém, as informações sobre sua saída do território nacional são contraditórias e não há confirmação independente de que ele tenha deixado o país.
Ordem judicial foi comunicada na segunda-feira, 26
O caso começou a ganhar repercussão na segunda-feira, 26, quando Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais relatando ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes.
Segundo o senador, a abordagem ocorreu naquela manhã, quando ele deixava a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Na ocasião, Flávio afirmou que os agentes comunicaram uma determinação judicial que o impedia de deixar o Brasil.
A decisão foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes e está relacionada a uma investigação em andamento no STF. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, a medida estabeleceu prazo de 24 horas para a entrega dos documentos de viagem e determinou restrições adicionais ao parlamentar.
A decisão tramita sob sigilo judicial. Por isso, parte de seus fundamentos e detalhes não está disponível publicamente. Reportagens que tiveram acesso a informações do processo indicam que a ordem também prevê o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador e a proibição de contato com o advogado Willer Tomaz, que é investigado no mesmo caso.
Em sua manifestação pública, Flávio declarou que cumpriria a determinação e que iria se defender da medida, a qual classificou como uma tentativa de intimidação. Ele também questionou os fundamentos da decisão e relacionou sua adoção a declarações feitas pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, sobre a possibilidade de deixar o Brasil em caso de derrota eleitoral.
Prazo terminou nesta terça-feira, 27
O prazo de 24 horas concedido para a entrega dos passaportes terminou nesta terça-feira, 27. Na manhã do mesmo dia, reportagens informaram que a Polícia Federal ainda não havia confirmado o recebimento dos documentos.
A ausência de confirmação levou a novas diligências para verificar o cumprimento da ordem judicial. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a PF também se mobilizou para recolher os documentos e checar o paradeiro do senador.
O ponto central é que a determinação judicial não se limitava à entrega dos passaportes: ela também proibia Flávio de deixar o território brasileiro. Por isso, a possibilidade de uma viagem internacional passou a ser investigada pelas autoridades.
Até o momento das informações divulgadas nesta terça-feira, não havia confirmação pública de que o senador tivesse entregue os documentos nem de que tivesse cruzado a fronteira. A falta de confirmação da entrega, por si só, não esclarece onde ele está nem comprova uma eventual saída clandestina do país.
Imprensa argentina relata possível passagem pela fronteira
A suspeita de uma possível saída do Brasil ganhou força após uma reportagem do jornal argentino Infobae indicar que Flávio Bolsonaro teria atravessado a fronteira com a Argentina e planejado seguir para os Estados Unidos em um avião particular.
Segundo os relatos reproduzidos por veículos brasileiros, a viagem teria passado por Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones. A informação mencionava uma aeronave particular e procedimentos de imigração e alfândega para passageiros e tripulantes.
A Polícia Federal passou a verificar informações sobre possíveis deslocamentos e registros de fronteira, além de buscar esclarecimentos junto às autoridades argentinas.
Entretanto, a versão não foi confirmada de maneira independente. O porta-voz do presidente argentino Javier Milei, Fabián Fernández, negou, em declaração à Bloomberg reproduzida pelo SBT News, que Flávio tivesse entrado na Argentina. Ele também contestou a informação sobre um voo com as características descritas na reportagem.
Há, portanto, versões divergentes: de um lado, relatos atribuídos a aliados do senador e informações publicadas pela imprensa argentina; de outro, a negativa apresentada por um representante do governo argentino. A apuração da PF busca esclarecer se houve deslocamento internacional e, caso tenha ocorrido, em quais circunstâncias.
O que motivou a decisão do STF?
A ordem judicial está ligada a uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis irregularidades financeiras envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, os investigadores analisam movimentações financeiras e possíveis vínculos entre empresas relacionadas ao advogado e negócios do setor de apostas. A apuração também envolve suspeitas relacionadas à origem e à circulação de recursos.
As informações disponíveis apontam que a Polícia Federal investiga a possível participação de Flávio no caso, enquanto Willer Tomaz também é alvo das apurações. A existência de uma investigação, contudo, não equivale a uma condenação, e as suspeitas precisam ser examinadas pelas autoridades competentes.
A decisão de Alexandre de Moraes foi tomada no âmbito desse processo, mas, como o procedimento corre sob sigilo, não é possível atribuir com certeza todos os fundamentos da medida a informações que não foram oficialmente divulgadas.
Flávio questiona a decisão e nega intenção de deixar o país
Ao tornar pública a intimação, Flávio Bolsonaro contestou a decisão judicial e afirmou que pretendia entregar os passaportes e se defender. O senador também questionou o momento em que a ordem foi determinada.
Em sua manifestação, ele relacionou a medida a declarações de Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. Em entrevista divulgada na semana anterior, Eduardo havia defendido que o irmão deixasse o Brasil em caso de derrota na eleição presidencial.
Flávio argumentou que não havia manifestado intenção de sair do país e criticou a proibição de viagem. A declaração pública de que cumpriria a ordem, entretanto, não substitui a confirmação formal da entrega dos documentos, que ainda precisava ser esclarecida pelas autoridades nesta terça-feira.
As informações sobre uma possível viagem também precisam ser analisadas separadamente das declarações políticas e das suspeitas investigadas no STF. Até que surjam evidências verificáveis, não é possível afirmar que o senador tenha fugido do Brasil.
O que acontece agora?
A Polícia Federal trabalha para esclarecer dois pontos principais: se Flávio Bolsonaro cumpriu a determinação de entregar os passaportes e se deixou o território nacional após a proibição judicial.
A verificação de registros migratórios, a troca de informações com autoridades argentinas e a checagem de eventuais voos podem ajudar a esclarecer o caso. Se forem identificados elementos que indiquem descumprimento da ordem, caberá às autoridades competentes avaliar as medidas legais aplicáveis.
Até a divulgação das informações disponíveis nesta terça-feira, 27, o cenário permanecia em aberto. A não confirmação da entrega dos passaportes e os relatos sobre uma possível passagem pela Argentina motivaram a apuração, mas não comprovam, isoladamente, que Flávio Bolsonaro tenha deixado o país.
O caso reúne, assim, três questões distintas: o cumprimento de uma determinação judicial, a investigação financeira em curso no STF e a verificação de uma possível viagem internacional. A confirmação dos fatos dependerá das diligências das autoridades e de informações oficiais sobre o paradeiro do senador.
A reportagem poderá ser atualizada à medida que a Polícia Federal, o STF, as autoridades argentinas ou a defesa do senador apresentarem novas informações.
Política
Secretário de Educação de Cachoeirinha é afastado após suspeita de uso de diploma falso; veja o que diz a Prefeitura

O secretário municipal de Educação de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, Ildo Junior da Silva Dias, foi afastado do cargo por 180 dias por determinação judicial. A decisão foi cumprida nesta segunda-feira, 26, durante uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), que investiga suspeitas de uso de documento falso e falsidade ideológica.
A ação foi realizada pela Ficco, força integrada que reúne Polícia Federal, Polícia Civil, Brigada Militar, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Penal Federal. Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da Prefeitura de Cachoeirinha, na Secretaria Municipal de Educação e na residência do investigado.
Segundo o delegado Pablo Maciel Soares, a investigação apura se o secretário utilizou documentos falsos para comprovar sua escolaridade.
A suspeita é de que Ildo tenha apresentado um diploma falso ao assumir um cargo comissionado em 2017, antes de ser nomeado secretário municipal. Conforme as informações divulgadas, a função exigia ensino médio completo, mas ele teria concluído essa etapa de ensino somente em 2025, por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A Polícia Civil ressaltou que apenas o secretário é alvo da operação e que o poder público municipal não é objeto de suspeita na investigação.
O que diz a Prefeitura de Cachoeirinha
Em nota oficial, a Prefeitura de Cachoeirinha afirmou que os documentos apresentados por Ildo Junior para assumir o cargo passaram pelos procedimentos de conferência e análise da Secretaria Municipal de Administração. Segundo o município, a regularidade da documentação foi verificada conforme os procedimentos administrativos adotados na época.
A administração informou ainda que solicitará acesso aos autos do inquérito para conhecer os elementos que fundamentaram a investigação, buscar esclarecimentos e prestar informações à população.
O município declarou respeitar as decisões judiciais, o trabalho das autoridades e os princípios da presunção de inocência e da ampla defesa. Também afirmou que os serviços públicos e as atividades administrativas seguem normalmente.
Relação familiar com a prefeita interina
Ildo Junior da Silva Dias é filho de Jussara Caçapava (Avante), que assumiu interinamente a Prefeitura de Cachoeirinha. Ela havia sido eleita em um pleito suplementar realizado em abril deste ano, mas teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral.
O vice-prefeito Luis Carlos Azevedo da Rosa, conhecido como Mano (PL), também teve o mandato cassado.
A investigação sobre o secretário segue sob responsabilidade das autoridades policiais. Até o momento, as suspeitas investigadas não representam uma condenação, e o caso deve seguir os trâmites legais.
Política
Flávio Bolsonaro anuncia pedido de anulação das eleições e questiona decisão do STF

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa pela Presidência da República neste domingo, 25, afirmou que pretende recorrer à Justiça para solicitar a anulação das eleições de 2026. A declaração foi feita após o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a extensão do horário de votação em duas horas.
Flávio contestou a decisão, alegando que a alteração ocorreu durante o processo eleitoral e representou uma mudança nas regras da disputa. O senador também questionou a atuação de Zanin, que não integra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e criticou a medida por ter sido adotada às 17h01.
Segundo o candidato derrotado, a decisão comprometeria a igualdade entre eleitores de diferentes municípios e estados. Ele afirmou que pretende utilizar os recursos jurídicos disponíveis para contestar o resultado das urnas.
“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”, declarou Flávio, ao anunciar que sua equipe jurídica pedirá a anulação do pleito.
O senador também argumentou que não teria como saber quantos votos poderia ter recebido em localidades onde, segundo ele, não houve reabertura das urnas.
A manifestação, entretanto, diverge de uma solicitação apresentada pela própria campanha do PL ao TSE na tarde de domingo. A equipe de Flávio havia pedido a ampliação do horário de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina, em razão de problemas relacionados às chuvas.
Autoridades defendem a regularidade do processo eleitoral
Após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, declarou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou sobre a votação. O procurador-geral da República e procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet Branco, afirmou que o Ministério Público cumpriu seu papel de fiscalizar o processo, investigar possíveis irregularidades e garantir o respeito à vontade dos eleitores.
Em pronunciamento ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que não havia motivos para contestar o resultado e destacou a importância de respeitar a decisão expressa nas urnas.
Alcolumbre também mencionou o cenário de polarização política no país e defendeu que o presidente eleito trabalhe para reduzir a divisão entre os brasileiros.
TSE rebate declaração sobre fiscais do PL
Além de questionar a extensão do horário de votação, Flávio Bolsonaro afirmou que fiscais do Partido Liberal teriam sido retirados da sala-cofre do TSE durante a apuração dos votos.
O tribunal negou a alegação. De acordo com o TSE, a sala-cofre não é aberta à visitação, e os representantes do PL acompanharam a totalização dos votos e a divulgação dos resultados no espaço destinado à fiscalização eleitoral.
Lula vence Flávio e conquista quarto mandato
Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República neste domingo, 25, após derrotar Flávio Bolsonaro no segundo turno. Com a vitória, o petista garantiu seu quarto mandato presidencial por meio do voto popular, tornando-se o primeiro brasileiro a alcançar esse feito.
A confirmação ocorreu às 21h08, quando 97% das urnas haviam sido apuradas. Naquele momento, Lula registrava 51,74% dos votos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro.
O resultado representou uma reviravolta em relação ao primeiro turno, quando o candidato do PL havia obtido 47% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45%.
Fundador do Partido dos Trabalhadores, Lula chegou à Presidência pela primeira vez em 2002 e foi reeleito em 2006. Depois de deixar o cargo, retornou ao Palácio do Planalto em 2023, após vencer Jair Bolsonaro, pai de Flávio, na eleição presidencial de 2022.
No próximo mandato, Lula deverá lidar com desafios políticos e econômicos, incluindo a necessidade de negociar com um Congresso Nacional de maioria oposicionista, administrar as contas públicas e cumprir as propostas apresentadas durante a campanha eleitoral.
A vitória também marca mais um capítulo da trajetória política do presidente, que enfrentou derrotas eleitorais, passou 580 dias preso em decorrência de condenações posteriormente anuladas pelo STF e voltou a disputar a Presidência após recuperar seus direitos políticos.

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