Canabarro Tróis filho: “Juramentos traídos”


Canabarro Tróis filho
Juramentos traídos

“Ter razão é fácil. Perceber que os outros a têm, eis o problema”. (Mário da Silva Brito, poeta”)

Pelo que sei do poeta, cuja frase me serve de epígrafe, garanto que ele jamais seria de um partido que se recusasse à controvérsia.

Há partidos que ofendem o simples bom senso, quando praticam oposição sistemática, sem trégua, mesmo nas questões nada ideológicas, que o governo trata conforme o programa anunciado na campanha eleitoral. Sabendo-se que todo poder emana do povo, mais certo seria ficar no debate das grandes ideias, sem resvalar para baixo.

Os candidatos juram trabalhar pelo bem público, sem ressalvas. Então, como depois declarar-se donos absolutos de uma duvidosa verdade? Ao negar apoio a programa aceito previamente, o eleito não quebra seu juramento?

Bagagem

“Esse hábito de marcar encontros, traçar a fronteira entre um dia e outro sobre a zero hora, é absolutamente equivocado. Os relógios não param, seu tique-taque é contínuo, teimosamente enfadonho, numa representação da progressiva e inexorável marcha de retorno ao pó… Como se marcassem o ritmo dos vermes: pica-paus no madeirame da construção do nosso corpo”. (O Timoneiro, 4 de janeiro de 1991).