Cortes na Educação podem fechar o Instituto Federal de Canoas


Graziele Vidal*

No dia 30 de abril, o Ministério da Educação (MEC) anunciou o corte de verbas de 30% nas universidades e institutos federais. Entre eles, o Campus da cidade, com 950 estudantes do Ensino Médio e Superior, que correm o risco de ficar sem aulas, e pelo menos uma dezena de funcionários serão dispensados, mantendo-se apenas a segurança armada por questão patrimonial.

“Se não tivermos liberação de verbas orçamentárias, não terá como manter aberto. Vamos empenhar tudo que temos e manter até setembro.”, afirma o professor e coordenador de ensino, Eduardo Pompermayer. Com o chamado contingenciamento de verbas, a instituição não terá como pagar contas básicas de manutenção e saneamento básico. Cortes já foram feitos, como, por exemplo, os cursos de capacitações para servidores, eventos e merenda escolar para estudantes (o que é obrigatório para o ensino médio).

O IFRS é uma instituição federal de ensino público e gratuito, especializada na oferta de educação profissional e tecnológica. Desde 2010, o campus Canoas oferta vagas para estudantes ingressarem por meio de processo seletivo para cursos técnicos de nível médio, EJA e graduação.

Protestos

No dia 13 de maio, estudantes realizaram uma manifestação contra os cortes no calçadão de Canoas, com exposição de trabalhos científicos, projetos, livros produzidos por eles e distribuição de folders dos cursos ofertados na instituição. “Nesse dia conversamos com muitas pessoas que nem conheciam o IFRS, mas tivemos muito apoio. Tinha gente querendo ajudar financeiramente para manter as portas abertas”, diz Milena Fontana, estudante de Matemática. A aluna escreveu uma carta sobre os cortes, e fechamento do campus, que foi lida durante uma sessão na Câmara dos Vereadores e aprovada como moção entre os políticos canoenses.

Discentes, docentes e a comunidade vivem um futuro de incertezas. Camila Nemos é estudante do 7° semestre de Matemática e teme pelo fechamento do IF Canoas: “Fico frustrada com toda essa situação. Estamos no ano da nossa formação, um passo de nos tornarmos professores. São três anos de dedicação longa e integral. Queremos devolver isso para a comunidade canoense, já que estamos numa instituição pública.”.