Opinião: A honestidade de Lula e as cotas para universidades

bruno20012016

Por Bruno Lara

O pior é que eu concordo com a frase do presidente Lula. “Não tem neste país uma viva alma mais honesta do que eu”, disse ele. A verdade é que todos se corromperam. Aqueles que parecem os mais fervorosos defensores de uma causa se perdem no caminho árduo que é manter a coerência no que prega para os outros.

Isto porque honestidade não se refere apenas à corrupção, ao dinheiro dos capitalistas opressores. Ser honesto não é algo passageiro. Não é algo que se é às vezes, não sempre, dependendo como varia o humor. Não se pode ser honesto de vez em quando, com algumas pessoas, no não importante, quando todos estão vendo. Não se pode ser honesto só quando dá na telha. A honestidade faz parte do caráter. É fazer o certo quando ninguém vê, quando não é possível vangloriar-se por isso, quando um desgaste na imagem infelizmente ocorrerá.

A honestidade, inclusive, se baseia em preceitos morais estabelecidos anteriormente pela sociedade. É castidade. É aquilo que é moralmente irrepreensível, se é que algo, hoje, é moralmente irrepreensível. E isto passa pelo que o ex-presidente diz. Ninguém mais tem moral para falar de ninguém e, quando não há moral, não há o que seja irrepreensível. Sem a moral, portanto, não há honestidade, pois o que sustenta tal caráter é justamente o julgamento social que, em sua totalidade, já foi corrompido.

O petista exagera como todos os demais políticos calejados de campanhas eleitorais. Ele não é o mais honesto, tampouco o menos. Lula representou para o Brasil aquela que último morria. A esperança de que havia sim, nem que fosse ao final de um grande túnel, uma luz. Essa luz, à medida que Lula avançava eleição após eleição, crescia. Ele tinha uma missão difícil: carregar em suas costas a esperança de toda uma nação. E o fez. Fez com coragem, com bravura, com sangue no olho. Fez com veracidade, com certeza em suas escolhas e isso é o que mais importa, mesmo que a saída seja a errada. Sua chegada ao Palácio do Planalto foi comemorada com festa.

Foi com a eleição do petista que o país apareceu para o resto do mundo. Foram as ideias de Lula que milhares saíram da pobreza extrema. Foram as ações de um metalúrgico eleito ao principal Executivo do país que levaram milhões às universidades, faculdades, postos de trabalho. Foi no governo petista que os negros chegaram ao ensino superior, que os pobres tiveram seus filhos representando o sobrenome nas instituições que formam seus alunos com togas coloridas que provém um melhor salário (e um futuro). Não sigo a política do “rouba, mas faz”. Se roubou, precisa ir para a cadeia, devolver o dinheiro e viver com a eterna culpa de ter se tornado o pesadelo daqueles que já foi o sonho. Não sigo, porém, a lógica daqueles de que tudo e todos reclamam sem nada propor e julgam com base no que ouviram falar.

Discordo das soluções, mas concordo com os problemas. Os negros não povoavam os cursos superiores, hoje tem as melhores notas. Os pobres não iam para as faculdades, hoje estão abrindo seus próprios escritórios. Os deficientes dependiam de uma esmola do governo, hoje são incentivados a sair do casulo e buscar sua própria sombra ao sol. Isso melhorou, é fato, está aí para todos que quiserem ver. Alguns, no entanto, fecham os olhos.

Mas não acredito nas cotas, a não ser como uma saída emergencial e com prazo para seu fim. Isto por que acredito na capacidade destes cotistas de chegar ao mesmo lugar que estão sem precisar que o governo os permita acesso facilitado. Não acredito neste sistema por que não acredito nas diferenças que ele prega. Assim como existem exemplos de pessoas que venceram com o Prouni, terão exemplos daqueles que saíram do nada, pagaram a faculdade com o suor do seu trabalho, e hoje gozam do conforto. Esta é a beleza do capitalismo: a oportunidade. O papel do governo, ao invés de ser assistencialista precisa prover oportunidade a todos.

Enquanto separarmos em faculdades pessoas pela cor da sua pele, seja na sua permanência ou em seu ingresso, nunca vamos corrigir o histórico problema que assola a história da humanidade e povoa os livros para que nunca nos esqueçamos do que foi feito no passado e nunca se cogite repetir algo parecido. Acredito que o ensino superior, assim como o básico, o fundamental e o médio, deve ser um compromisso do governo.

Não é loucura. O Chile, país de pouco mais de 17 milhões de habitantes, voltou a fazer isso. Foi o pedido dos estudantes que saíram às ruas ainda em 2001. Esta era a realidade no país antes da ditadura de Augusto Pinochet. Uma educação gratuita, de qualidade e sem fins lucrativos. Este deveria ser o norte aqui, como é lá. Assim como a presidente Michelle Bachelet ressaltou, “é um direito, não um presente”. Com isto, 165 mil pessoas estarão nas faculdades e isso não poderá ser usado como moeda de troca eleitoral, como é hoje no Brasil. Em breve, o Chile estará exportando profissionais de qualidade e o Brasil, como de praxe, importando.

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