Olegar Lopes: “Caiense de nascimento, canoense de coração”

Olegar Lopes – Agenda Tradicionalista

Caiense de nascimento, canoense de coração

Nascido entre os morros de Capela de Santana, distrito de São Sebastião do Caí – portanto caiense de nascimento – e vindo em 1950, com 7 anos, para Santa Rita, 2º distrito de Canoas, considero-me um canoense de coração desse município de valor que amo como se fosse minha terra natal. 

Depois de alguns anos em Santa Rita, no ano de 1972 fixei residência aqui no coração de Canoas. Mas antes disso fui caminhoneiro autônomo nos anos de 1968 e 1969, contratado por um arrozeiro que plantava o cereal no local onde atualmente está localizado o Residencial Cinco Colônias. O arroz ainda com casca ali produzido, eu transportava para beneficiamento num engenho em Guaíba. 

Passados alguns anos em Canoas, sem opção de lazer, certa noite do mês de junho de 1985, no galpão de CTG Brazão do Rio Grande, onde fui como convidado por um casal de amigos, encontrei o modelo de clube que se enquadrava com o perfil social que eu buscava para o lazer com a família. O movimento tradicionalista é o segmento social cultural mais forte de Canoas, haja vista o expressivo número de entidades tradicionalistas em atividade no nosso município, cerca de 60 – que levam o nome de Canoas por todos os recantos do Rio Grande do Sul, do país e exterior. Esse movimento teve seu início há 64 anos com a fundação do Centro Canoense de Tradições Rancho Crioulo, em 5 de junho de 1955 – entre os fundadores estava um santa-mariense ilustre, João Palma da Silva.  Oito anos após foi fundado o CTG Alma Crioula em 13 de abril de 1963 e, em 17 de junho de 1965, veio a fundação do CTG Brazão do Rio Grande para formar o tripé desse segmento social, cultural e artístico que acolhe milhares de famílias canoenses. 

É esse movimento que coloca a nossa octogenária Canoas entre os dez municípios gaúchos com maior número de entidades tradicionalistas, as quais movimentam grande parcela da população canoense com rodeios artísticos, concursos de prendas e peões, rodeios campeiros, competições de esportes tradicionalistas, bailes gauchescos, jantares e almoços. Temos ainda, em Canoas, o Acampamento Farroupilha realizado no Parque Esportivo Eduardo Gomes desde o ano de 1993, que reúne mais de cem mil pessoas durante as comemorações da Semana Farroupilha.

É nesse cenário que entra o canoense de coração e caiense de nascimento como cidadão trabalhando pelo progresso de Canoas por aproximadamente 65 anos. Durante 34 anos no tradicionalismo construí um novo perfil de vida, com maior visão dos princípios básicos de convivência social que para mim são: a ética, a moral e o respeito aos símbolos cívicos. Através de minha participação, acredito ter colaborado para o desenvolvimento do movimento tradicionalista de Canoas e do CTG Brazão do Rio Grande. Esse envolvimento com o tradicionalismo levou-me a escrever sobre assuntos referentes ao movimento, primeiro para o jornal Folha de Canoas, que era dirigido pela saudosa Marione Machado Leite. Também escrevi para os jornais Cocho de Sal de São José – S.C e Farrapos de Porto Alegre – RS, além de artigos esporádicos para outros órgãos da imprensa regionalista.

A partir de maio de 1997 passei a escrever para o jornal Timoneiro, o que veio me aproximar do jornalista Antônio Canabarro Tróis (Tonito), figura exemplar do jornalismo e da literatura canoense. Essa aproximação revelou amizade e simpatia mútua, tanto que logo passamos a nos encontrar todas as semanas para um cafezinho no Café do Amadeu para trocar ideias, o que veio a culminar com o convite para associar-me à Associação Canoense de Escritores. Como associado, participei na coletânea Contos e crônicas da ACE, livro lançado no ano de 2009, e em mais duas coletâneas. Com o incentivo do mestre Tonito, lancei-me no mundo da literatura escrevendo o livro Porteira Aberta, lançado no ano de 2012 e o livro 50 anos repontado a Tradição, lançado no ano de 2016. Minha participação na literatura proporcionou-me novas amizades com canoenses de nascimento e canoenses de coração que, assim como eu, amam a octogenária cidade de Canoas, Município de Valor.            

Texto publicado no livro Canoas 80 anos: coletânea em prosa e verso, organizado por Ancila Dani Martins.

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