Ex-funcionários da Ulbra criam Associação para cobrar a universidade

A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) vem ao longo dos últimos anos enfrentando uma grave crise financeira. Em 2019, aproximadamente 400 professores de nível superior e 500 funcionários da instituição foram desligados da instituição, e, sem condições de pagar as rescisões, a Ulbra fez um acordo junto ao Sindicato dos Professores do Ensino Privado para parcelar a dívida em 20 vezes. No dia 13 de dezembro a Universidade obteve recuperação judicial, e desde então estão pendentes os pagamentos dos ex-funcionários.

Inicialmente, os ex-funcionários criaram uma grande movimentação nas redes sociais, onde cobravam a universidade em publicações. Um grupo de 20 integrantes se uniu e assim foi criada a “Associação dos ex-empregados Credores da Ulbra”, que hoje já conta com mais de 600 associados. A Associação tem objetivo de reunir os empregados e garantir a eles os valores perante a recuperação judicial ou a falência, caso ela aconteça. “Nós estamos crescendo cada dia mais, nossas revindicações estão tendo resultados. Estávamos esquecidos completamente, não tínhamos resposta nem do Sinpro, nem da Aelbra. Por conta das nossas manifestações na internet, as coisas começaram a andar”, concluiu, o presidente da Associação e também uns dos ex-empregados, Felipe Feraz Merino (professor de Direto).

No dia 13 de janeiro, o Sinpro pediu ao Judiciário o cumprimento do acordo por parte da Aelbra. Três dias antes a própria instituição encaminhou uma petição à 4ª Vara Cível de Canoas. No documento, os advogados da empresa afirmam que a recuperação judicial impediu o pagamento dos valores.
No dia 14 de janeiro, o juiz Sandro Antonio da Silva deu prosseguimento à demanda. O magistrado concedeu prazo de cinco dias úteis para que o Ministério Público e o administrador judicial da universidade se manifestassem sobre as petições.

Até o fechamento dessa edição estava sendo aguardada a chegada da decisão judicial dos pedidos realizados pela Aelbra e pelo Simpro, o que não ocorreu.

Nota da Ulbra
“Em breve esclarecimento, informamos que a Aelbra, apesar das dificuldades financeiras, sempre priorizou a folha de pagamento e acordos trabalhistas, que vinham sendo honrados. Contudo, devido limitações da recuperação judicial, deferida em 13 de dezembro de 2019, os pagamentos ficaram sujeitos à vedação legal.
A Aelbra, em acordo com os sindicatos, ingressou com petição, solicitando ao juízo da recuperação judicial, autorização para que sejam realizados tais pagamentos.
A Aelbra está envidando todos os esforços para cumprir os compromissos acordados.
A Direção”