HNSG sofre com crise financeira e ameaças de greve

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Sinara Dutra

A situação do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG) continua crítica. Com dívidas que chegam ao montante de R$ 100 milhões, ameaças de greve por parte de funcionários, e setores de atendimento especializado sem funcionar, a instituição precisa de intervenções drásticas para evitar problemas ainda mais graves.

Luis Possebon, recém empossado como presidente da Associação Beneficente de Canoas (ABC), mantenedora do HNSG, falou com o Timoneiro sobre a crise enfrentada pela instituição. “Quero ser um instrumento de esperança e solução para o HNSG”, afirma Possebon. Segundo o novo presidente da ABC, o problema do hospital é de uma dimensão muito grande. Ainda, de acordo ele, todos sabem que a crise na Saúde não ocorre apenas em Canoas. “Se não tivermos cuidado com o HNSG, fatalmente ele poderá fechar. Mas sou otimista, ainda tenho esperança de uma solução”, afirma Luis.

Estado de Greve

Apenas um dia após ter assumido como presidente da ABC, Possebon foi surpreendido com a divulgação realizada pelo Sindisaúde-RS, na sexta-feira, 17, de que os funcionários do hospital entrariam em estado de greve. “Acho que isso não contribui com nada. Greve não é solução. O sindicato sabe da atual situação do hospital. Não me preocupo com isso por que acho que faltou legitimidade nessa atitude. Esperava diálogo com o sindicato e não ameaças de greve”, afirma Possebon.
O Sindisaúde-RS justifica que os funcionários decidiram pelo estado de greve devido ao atraso no pagamento de salários ocorrido no mês de fevereiro, atrasos no pagamento de férias e relatos de assédio moral no ambiente de trabalho.

Salários dos médicos

De acordo com Luis Possebon, os vencimentos do corpo clínico ainda não estão regularizados. “Agora nós vamos pegar equipe por equipe para tentar solucionar. A ideia é pagar em dia os próximos meses e negociar os atrasados”, afirma o presidente da ABC.

Por conta da manutenção do impasse no pagamento de salários, algumas especialidades ainda estão paralisadas no hospital. O diretor técnico do HNSG, Marco Antônio Figueiró, afirma que os atendimentos de Neurologia e Traumatologia não estão ocorrendo. Apenas situações de urgência e emergência estão sendo contempladas.

Condições de trabalho

Além de atrasos de pagamentos, a condição de trabalho também é um problema relatado pelo corpo clínico do Graças. A afirmação foi divulgada, em nota, pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), que esteve reunido na terça-feira, 21, com a equipe técnica do Hospital Nossa Senhora das Graças.

De acordo com o Simers, os médicos rotineiros e plantonistas estão sobrecarregados. “Cinco médicos, sendo que um está em férias, atendem as demandas diárias, quando o ideal seriam nove profissionais”, afirma o sindicato. Médicos que integram os programas de Residência Médica também relatam problemas na estrutura física do hospital. Entre os apontamentos, a sala cirúrgica em número e condições inadequadas para a demanda, com recorrente falta de materiais cirúrgicos para a realização de procedimentos, além da falta de investimento em material didático e rede de computadores com acesso online aos portais médicos-científicos, indispensável aos médicos em formação.

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