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15/04/2024
 

Opinião

Tito Guarniere: “Há uma definição de neoliberalismo para cada gosto”

Redação

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Tito Guarniere

NEOLIBERALISMO

Neoliberalismo é o que você quer que seja. Há uma definição de neoliberalismo para cada gosto. Nele, parecem caber todas as formas, variantes e modelos do capitalismo, principalmente as mais cruéis. Começa pelo fato de que – a rigor – ninguém se declara neoliberal. Então se trata de uma doutrina econômica estranha e imprecisa, que não tem seguidores.

E no entanto, a expressão não perde a vitalidade, é cada vez mais usada e repetida, desde que começou a aparecer nos idos de 90 do século passado. O detalhe bizarro é que – uma vez que ninguém se diz neoliberal – o uso (e o abuso) só se faz pelos seus críticos, em geral enquistados na esquerda.

Nas redes sociais, por exemplo, onde tudo é possível, um usuário, provavelmente eleitor de Ciro Gomes, sustenta que ele terá de enfrentar três vertentes do neoliberalismo, a saber: o bolsonarismo, o globalismo e o petismo(?). Sim, sobrou até para o PT que, no caso, foi quem mais propagou o termo no seu significado depreciativo, a corrente maligna capaz de maiores vilanias do que o capitalismo comum.

Nessa via, neoliberal é um sujeito desagradável, dado à prática do mal, egoísta, que não tem limites para a ganância e cuja riqueza se faz à custa dos pobres e excluídos, e que pouco se importa com a pobreza e a desigualdade no mundo.

No Brasil, o neoliberalismo foi a marca dos governos de Fernando Henrique Cardoso – mas há controvérsias.

Os neoliberais, por definição, propõem a redução dos controles e regulações estatais, um obstáculo ao livre fluir das forças e práticas do mercado. Os neoliberais, por instinto, repelem as regulações estatais. E no entanto, no governo de FHC se criaram e expandiram as agências reguladoras, uma forma escancarada de intervenção do estado na ordem econômica privada.

O neoliberalismo é contra os programas de proteção social, dizem. Mas foi exatamente com FHC que esses programas avançaram – depois condensados no Bolsa Família, o exitoso (ao menos durante algum tempo) programa assistencial dos governos do PT. Essa foi uma das “heranças malditas” do neoliberalismo, cantadas em prosa e verso pelo lulopetismo.

O neoliberalismo é – decerto – o controle da inflação, o equilíbrio fiscal, a busca da eficiência da máquina pública. No senso comum, esses postulados são virtuosos. Mas não entre as esquerdas, que os desprezam, ignoram e combatem tenazmente.

As privatizações dos governos de FHC são – no universo dos seus críticos – privatarias. Mas é preciso muito queixo-duro, ainda, para enxergar vantagens no sistema estatal de telefonia (mais de 20 companhias estaduais) ou nos cerca de 20 bancos estaduais privatizados – paraísos de má gestão, de domínio de interesses oligárquicos, de créditos mal concedidos, fontes inesgotáveis de desvios e corrupção, e de falanges do funcionalismo, com estabilidade de emprego, bons salários e benefícios inacessíveis aos comuns mortais.

Neoliberalismo é uma expressão vaga, sem maior rigor conceitual. O seu uso (e abuso) é meramente retórico e propagandístico. Neoliberalismo é o velho capitalismo, só que pior e mais perverso.

titoguarniere@outlook.com

twitter: @TitoGuarniere

 

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Artigo: ‘DEGRADAÇÃO!!!’ (por Carlos Marun – Ex-Ministro de Estado)

Redação

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Artigo: 'DEGRADAÇÃO!!!' (por Carlos Marun - Ex-Ministro de Estado)

DEGRADAÇÃO!!!

São cada vez mais frequentes nas redes sociais postagens feitas pelos próprios soldados israelenses de cenas por eles filmadas demonstrando profundo desrespeito e zombaria em relação aos palestinos. Há poucos dias a FOLHA postou matéria com o seguinte título: “Soldados de Israel gravam vídeos “brincando” com calcinhas de palestinas em GAZA”. A matéria destaca ainda que isto vem acontecendo há “seis meses”.

Há tempos venho afirmando que a falta de uma causa justa pela qual lutar tem enfraquecido moralmente as FFAA israelenses e que o resultado disto é também o enfraquecimento militar.

Quando lutavam pela existência de sua Pátria eram capazes de rápidas e espetaculares vitórias que surpreendiam o mundo. Agora, que lutam para que os palestinos não tenham a sua, estão há seis meses enfrentando combatentes famintos e mal armados e só conseguiram libertar 2 reféns. Além de estarem tendo que devolver diariamente as suas famílias cadáveres de seus militares abatidos pela resistência. Fora isto, estão oferecendo através das próprias câmaras de seus celulares imagens que chocam e constrangem o mundo…

A verdade é que só tem sido eficientes em lançar bombas de aviões, até porque em Gaza não existem armas anti-aéreas e porque o chão é difícil de errar. Ah, e porque Gaza é o enclave mais densamente povoado da face da Terra. Assim sendo, uma bomba praticamente onde quer que caia encontrará um ser palestino( especialmente mulheres e crianças) pronto para engordar as estatísticas de mortos que servem para que Nethaniahu continue enganando a população israelense com a falsa narrativa de que está vencendo este conflito.

É certo que naquela época não existiam celulares, mas não lembro de que coisa semelhante tenha acontecido quando as tropas israelenses eram comandadas por homens do quilate de Moshe Dayan ou Itzak Rabin, de quem se pode divergir, mas não se pode desrespeitar. O fato de o Comandante Supremo de Israel ser hoje o imoral Nethaniahu está transformando seus exércitos em focos de imoralidade e ineficiência e isto é grave também para o futuro daquela nação.

É certo que o Hamas foi criminoso ao utilizar o terrorismo como forma de luta em 07/10. Porém, para o bem também do próprio Israel urge que cesse este genocídio ilegal e imoral, que usa, além das bombas, a fome como arma de Guerra.

Nunca ninguém fez tanto mal a Israel quanto o próprio Nethsniahu está fazendo. Urge que os israelenses de boa vontade, que são muitos, se transformem em maioria e o demitam. A partir daí é que podem se estabelecer as condições para que em um diálogo com o que sobrou da ANP, com o mundo árabe e com as grandes potências se estabeleçam as condições para uma paz sólida na região. O que a meu ver passa pela existência de “Dois Estados” livres, viáveis e soberanos.

Carlos Marun
Advogado e Engenheiro
Ex-Ministro de Estado

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Artigo: “O CAUSA” (por Carlos Marun – Ex-Ministro de Estado)

Redação

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Por Carlos Marun – Ex-Ministro de Estado

Nem o terrorismo do Hamas e nem o terrorismo de Estado de Israel são causa do que está acontecendo agora. Ambos são consequência do fracasso das tentativas de pacificação empreendidas ao longo dos anos.

É verdade que se os Árabes tivessem concordado em 1948 com a partilha determinada pela ONU seria até possível que a situação hoje fosse outra. Mas não era fácil aceitar que o remorso do mundo frente o que aconteceu na Alemanha fizesse com que eles tivessem que deixar suas terras e casas para que elas fossem entregues a gente vinda de todas as partes do mundo. Fez-se necessário que Israel conquistasse na Guerra o direito de existir, e nestes combates, inclusive o terrorismo foi utilizado como forma de luta.

A história andou. Israel venceu as Guerras de 56 e 67. Porém, em 1973, um grande ataque promovido por Egito e Síria por pouco não derrotou Israel. Isto abalou o mito da sua invencibilidade e abriu caminho para a Paz. Alguns países árabes celebraram acordo com Israel e os Palestinos restaram como esquecidos.

E daí foram eles próprios à luta. Ali também sendo praticado o terrorismo, mas foi a Intifada a principal forma de resistência.

Chegou-se então a Oslo, onde um Presidente Americano, Bill Clinton, realmente ansioso por encerrar com aquela Guerra, patrocinou um acordo seguido de um histórico aperto de mãos entre Itzak Rabin e Yasser Arafat. Com base no reconhecimento mútuo do direito de existência de dois Estados livres e soberanos nunca se chegou tão perto da Paz.

É aí que entra em cena “O Causa” do que está acontecendo hoje. Yasser Arafat voltou a Palestina e, mesmo tendo reconhecido a existência de Israel e abandonado a luta armada, foi aclamado como um herói e eleito Presidente da Autoridade Nacional Palestina com mais de 90% dos votos.

Os movimentos radicais como o Hamas praticamente não existiram naquela eleição. Não tinham força. O Povo Palestino queria a Paz. Já Rabin voltou a Israel e a oposição aos Acordos passou a ser liderada por um jovem e ambicioso político. Homem que nunca havia lutado em uma Guerra, mas que não aceitava a Paz. Benjamim Nethaniahu é o seu nome.

Itzak Rabin não se dobrou. Antigo herói de guerra foi a luta, desta vez guerreando pela paz. Em 4 de novembro de 1995 liderou imensa manifestação de pacifistas, mas ao final da mesma foi assassinado com dois tiros pelas costas por um partidário de Nethaniahu, que ao final deste processo venceu Shimon Pérez na eleição que se sucedeu e chegou ao poder. O eleitorado israelense infelizmente provou que ainda queria a Guerra.

Dali para a frente muita coisa aconteceu, mas foi sempre Nethaniahu a figura maior da política israelense e foi ele quem sempre boicotou as chances de que uma convivência pacífica baseada na dignidade dos dois povos pudesse acontecer.

É ele “O Causa” maior de tudo que está acontecendo hoje. Agora admite isto e até se vangloria de ter sempre boicotado as chances de instalação de um Estado Palestino. São deles estas palavras: “A minha insistência foi que impediu durante anos o estabelecimento de um Estado Palestino que representaria um perigo existencial para Israel”.

Até relativizar a culpa de Hitler no Holocausto ele já tentou. Foi ele quem convenceu os israelenses de que Israel não precisava de paz, mas de segurança. O resultado é que impediu que a Paz avançasse e falhou enormemente na segurança, levando as FFAA de Israel a uma acachapante derrota no dia 07/10/2023 e ao massacre de muitos de seus compatriotas.

Para boicotar a Paz e enfraquecer a Autoridade Nacional Palestina, Bibi apoiou o fortalecimento do Hamas. Para se manter no Poder e longe da cadeia, se uniu a setores ainda mais radicais do que ele e o resultado é que tanto Israel quanto Gaza passaram a ser governados por fundamentalistas religiosos perigosíssimos.

Sou um simpatizante da Causa Palestina. Defendo o direito de Israel existir como resultado de suas conquistas militares, mas defendo também o direito de os Palestinos terem a sua Pátria. Então, ao mesmo tempo em que repudio o terrorismo do Hamas em 07/10, repudio veementemente a vingança genocida que Israel está empreendendo em Gaza, com bombardeios que já mataram milhares de civis e tiveram resultados militares pífios, já que até agora só conseguiram libertar dois reféns e que a Resistência Palestina faz com que diariamente, em função dos combates terrestres, cadáveres de soldados israelenses sejam retirados de Gaza e entregues para suas famílias.

A solução militar fracassou. Estes bombardeios só produzem hoje estatísticas com número de mortos palestinos que servem para que o “Causa” continue passando ao seu eleitorado a falsa impressão de que está ganhando a Guerra e continue no Poder.

Outro prejuízo imenso que “o Causa” causa (pleonasmo intencional) ao Povo Judeu é o aumento do antissemitismo no mundo, sentimento este resultante da revolta causada pelas imagens que diariamente percorrem os lares do Planeta mostrando em tempo real corpos de mulheres e crianças destroçadas por bombas e o martírio de um povo assolado pela doença e peja fome.

Chega de tudo isto! Só a Paz pode derrotar radicais. Sei que para que a Paz se estabeleça nem o Hamas e nem o Governo Nethaniahu devem permanecer existindo. Porem, para que as coisas comecem a acontecer, o eleitorado de Israel deve reparar o erro que cometeu em 1996, quando colocou no Poder este fanático inimigo da Paz.

A vingança em relação aos atentados de 07/10 já foi imensa. O primeiro sinal de que as coisas podem mudar deve vir do mais forte, que é Israel. E este sinal deve ser a demissão pelo eleitorado israelense do “Causa” de tudo isto. Rogo que os homens e mulheres de boa vontade que existem e muitos em Israel se transformem em maioria e tenham coragem para fazer isto.

Por fim, quanto a fala de Lula sobre o Holocausto, penso que ele foi duro, mas não disse inverdades. E foi determinado, desejando que sua fala chocasse Nethaniahu. É compreensível que boa parte da colônia judaica tenha se abalado com a referência àquela imensa tragédia. É, ainda, evidente a diferença de escala entre os massacres, mas existem semelhanças entre os dois acontecimentos. Além disto, o Genocídio praticado no Holocausto não deve ficar enclausurado.

A melhor maneira de se prestar homenagem às vítimas daquela tragédia é fazer com que ela seja sempre lembrada e sirva de exemplo nefasto, até para que barbáries como aquela não voltem a acontecer nem em maior nem em menor escala!

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Artigo: ‘Licença para matar’ – (por Carlos Marun – ex-Ministro de Estado)

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“O CAUSA” (por Carlos Marun - Ex-Ministro de Estado)

LICENÇA PARA MATAR

por Carlos Marun*

Só se mata reféns portando uma bandeira branca quando a prática de matar civis desarmados é a regra.

Os Nethaniahuistas de plantão continuam considerando isto como “coisas que acontecem”, mas o prisma de análise deve ser outro e bem mais profundo.

O que este episódio revela? Em primeiro lugar o completo despreparo e pavor dos militares israelenses envolvidos nos combates em Gaza. Só pessoas apavoradas poderiam cometer estes assassinatos. Na sequência vem a sua disposição para o cometimento de crimes de guerra. Estes coitados conseguiram escapar do cativeiro e seguiram em direção às suas tropas portanto uma bandeira branca. Não poderiam ter sido assassinados mesmo que fossem militantes do Hamas, pois executar adversários rendidos é crime de guerra. Dois deles morreram na hora, mas um mesmo ferido conseguiu fugir e gritar socorro em hebraico. Assim mesmo foi perseguido e assassinado por seus próprios compatriotas.

A realidade é que a falta de uma causa justa pela qual lutar está “mudando para muito pior” as FFAA de Israel. Uma coisa era lutar pela existência de sua Pátria. Outra coisa é lutar e morrer para que colonos possam continuar roubando as terras dos Palestinos ou simplesmente para matá-los. E sem uma causa moralmente justa os eficientíssimos soldados de Israel, que em 1967 em seis dias derrotaram 5 exércitos árabes, se transformaram em um bando desorganizado a executar as ordens criminosas emanadas do Governo de Israel e que em cerca de 70 dias de combates não conseguiram vencer a resistência do Hamas.

Os episódios de simples manifestações de ódio promovidas por estas tropas se repetem e são divulgados em vídeos postados por eles próprios. Além de outras barbaridades, até incendiar comida que chegou a Gaza como ajuda humanitária autorizada eles já fizeram.

Além disto os erros maiores são evidentes. Em primeiro lugar a bisonha falha da inteligência que não detectou o que iria acontecer. Na sequência, logo após os atentados terroristas de 07/10 helicópteros Israelenses chegaram ao local da festa rave atacada e mataram vários dos participantes sobreviventes por confundi-los com terroristas. De lá para cá não conseguiram libertar um único refém. (Dizem que libertaram um, mas não mostraram filmagens da operação e nem a comemoraram). Na sequência admitiram que cerca de 20% dos seus militares mortos nos combates terrestres o foram por fogo amigo ou em acidentes. E agora admitem que mataram a tiros 3 destes reféns que por seu próprio esforço tinham conseguido fugir.

O número de baixas entre os militares israelenses nos combates terrestres cresce a cada dia e hoje já é maior do que o número de reféns mantido em cativeiro.

As FFAA de Israel hoje só são eficientes no momento em que jogam bombas de aviões até porque o chão é difícil de errar. E no chão sempre existem palestinos a serem mortos até porque Gaza é a mais densamente povoada porção de território do nosso planeta. Além disto, lá pilotos não correm riscos pois em Gaza não existem armas anti-aereas.

É isto, na falta de uma causa moralmente justa pela qual lutar a outrora eficientíssimo máquina de guerra israelense se transformou em um pesado paquiderme ineficiente.

E nesta Guerra, no início até existia uma causa que, se vista isoladamente, poderia ser considerada justa: perseguir e punir o Hamas que praticou imensa barbárie contra seus cidadãos. Porém isto ficou em 2o plano quando um desmoralizado Nethaniahu decidiu-se por uma vingança contra toda a população palestina e fez das suas FFAA o “braço armado” para a execução destes massacres.   Chega!!!!

Urge que israelenses de boa índole, e eles existem e são muitos, cheguem ao Poder e demonstrem coragem de lutar pela Paz, conscientes de que ela só poderá vir a partir da implantação de um Estado da Palestina ao lado do Estado de Israel.

Sob o comando de Bibi a absoluta ruptura moral é hoje uma ameaça para Israel e isto é um perigo para a região e para o mundo.

Fora Nethaniahu!!! Que se comece a falar em Paz!!!

*Engenheiro e Advogado e Ex-Ministro de Estado

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