Olegar Lopes: “O chapéu e a boina do gaúcho”

Olegar Lopes – Agenda Tradicionalista

O chapéu e a boina

Ainda sobre o uso da cobertura (chapéu e boina) pelo gaúcho, acrescento observações que servem para os adeptos ao uso da indumentária tradicional do gaúcho e que optam pelo uso da “boina”, cobertura cujo uso o Movimento Tradicionalista Gaúcho proíbe. Claro que esta proibição é aplicada aos participantes dos concursos oficiais promovidos pelo MTG e entidades filiadas. O uso da boina no RS é uma das tantas influências castelhanas que se dá devido a vários fatores peculiares entre Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai, desde o tempo da demarcação das fronteiras do nosso Estado. Uma fronteira de Paz que orgulha tanto a brasileiros gaúchos quanto a argentinos e uruguaios: o Pampa único para as três Pátrias. Embora a língua predominante do lado de lá seja o espanhol e neste o português, esse fato não impede que esses povos guardem a origem comum. “Por esta razão, muitos brasileiros se habituaram a ver no gaúcho riograndense um castelhano melenudo, que fala um português de difícil entendimento (…). Assim que pessoas de outros estados do Brasil ficam espantadas quando, chagando no RS, encontram um gaúcho tão brasileiro ou mais que o sertanejo do Nordeste, do Norte ou do Centro do país”. (O Gaúcho, de Paixão Côrtes).

Por estas razões a boina passou a fazer parte da indumentária tradicional de muitos gaúchos e de outros tantos que não usam nossa pilcha. Eu mesmo que, embora meu saudoso pai não saísse de casa sem chapéu, não me acostumei ao uso do mesmo. No inverno para me proteger do frio e do vento minuano, uso a boina. Por muito tempo usei a boina industrializada (de feltro), que o pessoal do meio tradicionalista costuma chamar de boina castelhana. Hoje uso a boina artesanal, confeccionada com lã natural de ovelha, fios que são fiados pelas tecelãs, como as de Mostardas. Estas são as boinas pampeanas, originarias da fronteira.

Como o Movimento Tradicionalista Gaúcho é um movimento que tem como finalidade preservar e cultuar as tradições do RS e, como as pesquisas não comprovam o uso da boina pelos primeiros homens que pisaram o território riograndense, seu uso é vetado pelo MTG. Os changadores, arrebanhadores de gado, gaudérios e teatinos usavam chapéu, lenço ou vincha para prender a melena, ou ainda, andavam de cola atada.

Embora a falta de referências do uso da boina pelos primeiros gaúchos, não quer dizer que o uso desta desvalorize ou altere a estampa de um tradicionalista, por este motivo eu uso boina sem o menor constrangimento. O que descaracteriza um tradicionalista pilchado é o uso de uma cobertura moderna, o “boné” de marca e origem européia (Kangol), um que tem como marca um canguru, este sim não tem nada a ver com nossas origens e tradição. Sendo assim, é de se considerar que o uso da boina pelos tradicionalistas não se trata de desrespeito às normas do Movimento Tradicionalista Gaúcho.

 

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