Política
“Retorno ao poder de alma lavada”; confira entrevista exclusiva de Nedy

Em Sessão Especial na Câmara de Vereadores de Canoas, na noite de terça-feira, 19, iniciada às 21h, o vice-prefeito eleito, Nedy de Vargas Marques (Avante), assumiu pela terceira vez a Prefeitura de Canoas após novo afastamento do prefeito eleito Jairo Jorge (PSD).
Passo a passo
Nedy recebeu alta, na tarde de segunda-feira, 18, do Hospital Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, após ser submetido a uma cirurgia cardíaca e ficar internado por 44 dias.
Nas redes sociais, ele explicou que estaria na Prefeitura de Canoas na manhã de terça-feira, 19, para assumir como prefeito pela terceira vez. Mas a posse não aconteceu. À nossa reportagem, a assessoria de comunicação de Nedy explicou: “Há uma discussão jurídica sobre o formato da posse”.
A posse
Mais tarde, no mesmo dia, um ofício foi assinado pelo presidente em exercício da Câmara de Vereadores de Canoas, Gilson Oliveira, acompanhado dos vereadores Airton Souza, Juares Hoy, Leandro Moreira e Abmael. No texto constava a convocação dos representantes do legislativo canoense para uma Sessão Especial para que a transmissão de cargo de prefeito fosse efetivada a Nedy, que não tomou posse pela manhã “pelo entendimento de que a transmissão do cargo só poderia ser feita pelo Prefeito em exercício, Sr. Cristiano Ferreira Moraes, que está em Brasília”.
Relembre os fatos
No dia 24 de novembro, tomou posse como prefeito interino de Canoas o então presidente da Câmara de Vereadores, Cris Moraes (PV), em cumprimento à Lei Orgânica Municipal (LOM), após novo afastamento de Jairo Jorge pelo TRF-4, e a impossibilidade, por motivos médicos, do então vice-prefeito da cidade, Nedy de Vargas Marques, de assumir o cargo.
Entrevista a O Timoneiro
Em entrevista concedida ao jornal O Timoneiro, o prefeito em exercício falou sobre o desafio de reassumir o cargo logo após uma cirurgia. “É uma situação inusitada, nunca pensei que estaria passando por isso novamente. Mas eu me sinto seguro, tranquilo, feliz e fortalecido e cada vez mais ocupo meu tempo para servir as pessoas”.
Durante a conversa, Nedy contou que a primeira missão à frente do executivo é escolher uma equipe diretiva que, dentro de sua visão, seja competente e de sua confiança.
“Sem revanchismo”
“Eu não retorno com sentimento de revanchismo. Poucos sabem, mas eu tive uma infecção hospitalar durante minha internação. Se eu não soubesse que Canoas está indo pelo ralo, eu não teria voltado, mas eu pedi para que os médicos me liberassem porque tenho essa responsabilidade”, enfatizou o chefe do executivo municipal.
“Retorno ao poder de alma lavada”
“Eu encontrei a Prefeitura com cofres raspados. Mas eu quero deixar claro para a população canoense que eu não mudei, e que irei me empenhar ao máximo, principalmente para aqueles que mais precisam. Eu retorno ao poder de alma lavada”.
15 primeiras ações do novo Governo Nedy:
- Nomear uma equipe competente, com experiência e de confiança.
- Determinar uma auditoria interna na Prefeitura para avaliar finanças, projetos e ações em andamento, além de contratos e convênios.
- Fazer um pente-fino na Saúde, para compreender os problemas que são enfrentados e o prejuízo dos últimos oito meses.
- Implementar um plano de melhoria dos serviços públicos, que estão muito aquém do que os canoenses merecem.
- Retomar o projeto Mutirão de Cirurgias e trabalhar para melhorar o atendimento nas nossas unidades de saúde.
- Ampliar as ações da nossa Guarda Municipal e a parceria com as forças de segurança.
- Realizar licitação para o Hospital Universitário de Canoas (HU) e para o transporte público municipal.
- Atrair investimentos públicos e privados para obras de infraestrutura.
- Criar força-tarefa para intensificar a limpeza e manutenção da nossa cidade.
- Fortalecer as medidas de proteção contra temporais, com a revisão de todas as casas de bombas e o sistema de drenagem.
- Buscar melhorias nas escolas, que beneficiem a vida de professores, estudantes e da comunidade escolar
- Aumentar a participação da população nas decisões da prefeitura. Sem politicagem e enganação.
- Criar mecanismos para fortalecer a fiscalização dos gastos, evitando corrupção e zelando pelos recursos públicos.
- Criar mutirão para iluminar a cidade, com a modernização da iluminação pública.
- Aumentar a fiscalização do contrato com a Corsan/Aegea.
Nova gestão municipal afirma que apuração constatou dívida de R$ 10 milhões com HSPC
Também na quinta-feira, a Prefeitura de Canoas enviou uma nota em que disse ter efetuado pagamento da segunda parcela do 13º salário para os funcionários do Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC) e do Hospital Universitário (HU).
Ainda que, “Ao assumir a Administração Municipal, identificou-se que a gestão anterior não havia realizado o repasse para o pagamento do 13º salário, que deveria ter sido feito até o dia 19 de dezembro, resultando no atraso dos valores para os trabalhadores dos hospitais. A Secretaria da Fazenda realizou uma apuração inicial, constatando que a dívida com o HPSC é, atualmente, de R$ 10 milhões. A situação financeira dos hospitais está sendo minuciosamente avaliada pelo Município”.
A nota finaliza dizendo que ‘esse processo possibilitará uma análise criteriosa de todos os recursos e compromissos financeiros, visando identificar possíveis irregularidades e encontrar soluções assertivas’.
Política
Câmara de Canoas solicita cessão do atual prédio do Fórum para nova sede do Legislativo

A Câmara Municipal de Canoas formalizou, na quinta-feira, 27, um pedido à Prefeitura para a cessão do prédio onde atualmente funciona o Fórum da cidade. O imóvel deverá ser desocupado após a transferência do Judiciário para uma nova sede. A solicitação foi entregue durante reunião realizada na Prefeitura, com a presença de vereadores, servidores do Legislativo e do prefeito de Canoas.
A proposta é que o prédio seja destinado à Câmara Municipal após a saída do Fórum. A iniciativa ocorre diante das limitações da atual sede do Legislativo, que tem quase 50 anos.
Quando o prédio atual foi projetado, a Câmara contava com 11 vereadores. Atualmente, são 21 parlamentares, além de assessorias, comissões permanentes, Presidência, setores administrativos e demais servidores.
De acordo com a Câmara, o aumento da estrutura do Legislativo ao longo das últimas décadas fez com que o espaço disponível se tornasse limitado para o funcionamento das atividades parlamentares e o atendimento à população.
Durante a reunião, o prefeito demonstrou apoio ao pedido e afirmou conhecer as limitações da atual sede por ter exercido o mandato de vereador durante 20 anos. Segundo ele, a estrutura existente apresenta dificuldades para acompanhar as necessidades atuais da Câmara. O chefe do Executivo afirmou ainda que, no que depender da Prefeitura, a transferência será viabilizada.
Para o presidente da Câmara Municipal de Canoas, vereador Abmael Almeida, a busca por uma nova sede representa uma mudança na estrutura utilizada atualmente pelo Legislativo.
“A nossa sede está defasada e hoje não conseguimos atender a comunidade da forma como gostaríamos. O objetivo de todos os vereadores é atender melhor a população, com mais conforto para as pessoas que vêm até a Casa Legislativa. Esta é a Casa do Povo e também precisa oferecer um ambiente adequado para que as pessoas possam estar aqui e se sentir bem”, afirmou.
Abmael também ressaltou que a estrutura atual já não corresponde ao tamanho do município e destacou o caráter coletivo da iniciativa.
“Hoje, infelizmente, a nossa Casa está muito aquém do tamanho da nossa cidade. Vemos municípios menores com estruturas legislativas melhores. Essa será uma vitória de todos nós e também dos servidores desta Casa, além de representar um avanço importante sem custos para a aquisição de um novo imóvel”, completou.
Com a entrega do ofício, a Câmara iniciou formalmente a articulação para que o imóvel seja destinado ao Legislativo após a saída do Fórum. A eventual transferência ainda depende dos procedimentos necessários para a desocupação e cessão do prédio.
Política
Assembleia derruba veto do governo e elimina taxa anual de R$ 114 do CRLV a partir de 2027

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) derrubou, na terça-feira, 25, o veto do governador Eduardo Leite (PSD) ao projeto de lei (PL) 599/2023, de autoria do deputado Rodrigo Lorenzoni (PP), que extingue a cobrança anual pela emissão do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV). A taxa, atualmente de R$ 114,09, deixará de ser cobrada a partir de 2027.
A decisão ocorreu com 38 dos 55 deputados estaduais presentes no plenário. Todos votaram pela derrubada do veto. Entre os parlamentares da base do governo, houve cinco ausências de deputados do PSD e do MDB. A bancada do PDT não compareceu à sessão.
Parlamentares do PDT afirmaram que as ausências não foram combinadas e que não houve orientação partidária para faltar à votação.
As ausências também foram registradas durante a reunião de líderes, realizada antes da sessão. Representantes do PSD, MDB e PDT não participaram inicialmente do encontro. A ausência colocou em risco a inclusão do veto na pauta, já que a reunião precisava contar com representação equivalente a pelo menos 37 deputados. O número mínimo foi alcançado após a chegada da deputada Zilá Breitenbach (PSDB).
Durante a sessão, nenhum dos deputados do MDB e do PSD que estavam presentes utilizou o tempo de fala antes da votação. Com a presença de 38 parlamentares, o veto foi rejeitado por unanimidade entre os presentes.
O projeto havia sido aprovado pela Assembleia no início de junho e, desde então, provocou divergências entre o governo estadual e parlamentares favoráveis à extinção da cobrança. Na semana passada, durante um evento da CDL, Leite afirmou que, caso a Assembleia derrubasse o veto, os parlamentares teriam de lidar com as consequências da decisão. Na ocasião, declarou:
“Se a Assembleia insistir em derrubar o veto, boa sorte para o Rio Grande”.
Na manhã desta terça-feira, antes da votação, o governador voltou a defender a manutenção da taxa. Leite afirmou que a cobrança continua sendo adotada em outros estados e disse que optou por vetar o projeto por considerar os efeitos da medida sobre a gestão estadual.
“Se eu fosse irresponsável com o futuro dos gaúchos, teria sancionado essa matéria e me preservaria do embate político”, afirmou.
Após a votação, o governo do Estado informou, por meio de nota, que acata o resultado da Assembleia e não pretende apresentar uma proposta alternativa nem recorrer à Justiça contra a decisão.
Com a derrubada do veto, o projeto retorna ao Executivo para promulgação pelo governador no prazo de 48 horas. Caso isso não ocorra, a matéria volta para a Assembleia Legislativa, onde poderá ser promulgada pelo presidente do Legislativo gaúcho.
A taxa de emissão anual do CRLV permanece válida em 2026. A extinção da cobrança está prevista para começar em 2027.
Política
Operação do MP investiga vereadores de Pelotas por suspeita de rachadinha e outros crimes

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP/RS) deflagrou, na manhã desta sexta-feira, 14, uma operação que investiga possíveis crimes envolvendo vereadores da Câmara Municipal de Pelotas. Entre os alvos estão o presidente do Legislativo, Michel Escalante, conhecido como Michel Promove (PP), e os vereadores Cesar Brisolara, o Cesinha (PSB), e Cauê Fuhro Souto (Podemos).
A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que cumpre 33 mandados de busca e apreensão contra 20 alvos. A própria sede da Câmara Municipal está entre os locais onde são realizadas buscas.
Segundo o MP, a investigação apura suspeitas de peculato, lavagem e desvio de dinheiro, além de possível atuação de organizações criminosas dentro do Legislativo. Também há suspeitas relacionadas à prática de rachadinha envolvendo parlamentares.
Até o momento, a Câmara Municipal de Pelotas não havia divulgado posicionamento sobre a operação. As defesas dos vereadores investigados também não haviam se manifestado.

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