Funcionárias da Trensurb se manifestam sobre assédio sexual

Foto: Divulgação

O Sindicato dos Metroviários do Rio Grande do Sul, através de sua Secretaria da Mulher, divulgou, em forma de desabafo, caso sobre uma funcionária que teria sido prejudicada em uma situação envolvendo um caso de assédio sexual, quando se recusou a trabalhar no mesmo local ao de um profissional acusado de assediar outra colega. Segundo funcionárias, os assédios seriam frequentes no ambiente de trabalho.

Conversamos com uma funcionária, pertencente ao Sindicato, que preferiu não se identificar, que nos afirmou que existem muitos casos de assédio moral, e também sexual, mas que muitas vezes acabam não vindo à tona, porque também têm que contar com a coragem da mulher em denunciar, e que já se sabe de muitos casos de terceirizadas que acabaram sendo demitidas, onde houve caso de assédio de algum funcionário da Trensurb, que até tentaram denunciar, mas acabaram sendo desligadas da empresa.

Ainda segundo essa funcionária, “o caso mais recente, e que chegou a nós, de uma colega, que não vou citar nome, até porque envolve um processo administrativo, que sofreu um caso de assédio numa noite, de um colega nosso da segurança. Depois de cerca de um mês, ela conseguiu denunciar, falar com o controlador, que é o chefe imediato dela, e isso chegou até a ouvidoria da Trensurb, e se instaurou o processo administrativo. Diante disso, quando estava completando dois meses, resolvemos pressionar a empresa. Fizemos um ‘panelaço’ lá, um barulho, todas nós com camisetas, um abaixo-assinado online, onde tivemos uma ótima adesão das mulheres, tanto da linha, quanto do administrativo, como de toda a empresa. Porque a ideia é que a Transurb crie uma política contra esses assédios, isso não existe hoje. Para quem eu falo? Nem os controladores sabem o que fazer. Queremos uma política da Trensurb contra isso, que os colegas saibam que não ficarão impunes”.

Metroviária trocada de estação

Segundo as metroviárias, no sábado, 27 de março, ainda dentro do mês Internacional da Mulher, as mesmas teriam sofrido um duro golpe na sua luta contra o machismo e o assédio. A empresa teria reintegrado um metroviário denunciado por assédio sexual, sem concluir a investigação.

Dizia a matéria divulgada “Denunciado na polícia e na empresa, ele se afastou por três meses, enquanto corria a investigação interna do crime cometido contra uma colega. Para as metroviárias, esta reintegração sem o parecer da Comissão Permanente de Processos

Disciplinares (COPED) é uma decisão intolerável. Uma das colegas da vítima se recusou a trabalhar no mesmo ambiente do agressor, e comunicou sua decisão à chefia, que preferiu puni-la com a realocação para outra estação”.

A decisão do superior revoltou as metroviárias e causou uma grande comoção nas redes sociais: “Estamos indignadas. Isso é humilhante e revoltante”, declarou a diretora do Sindicato Diana Ferreira da Rosa.

“Isso só encoraja os abusadores a repetirem a atrocidade na certeza da impunidade”, disse a diretora adjunta Flaviani Castro.

O que diz a Trensurb

“O empregado em questão está respondendo à Comissão Permanente de Processos Disciplinares da Trensurb. Respeitando os prazos dessa Comissão e todo o Regulamento de Pessoal da empresa, ele não pode ficar afastado do trabalho por maior período que 30 dias, o que geraria ilegalidade. Como o processo ainda não foi concluído, ele retornou ao posto de trabalho. O procedimento administrativo impõe também o direito de defesa do funcionário e, até o final de qualquer que seja o processo (e o tema), o empregado não poderá sofrer uma sanção (qual seja, desde um ajustamento de conduta e/ou penalidades como advertência, suspensão, demissão). Nesse meio tempo, a empresa está buscando organizar suas escalas de modo que os empregados envolvidos não tenham que trabalhar juntos.”

Sobre a política de assédio da empresa

Conforme nos foi respondido pela assessoria de comunicação da Trensurb, em caso de denúncia de assédio, a Comissão Permanente de Processos Disciplinares trata da questão, analisando e tomando providências em relação a cada situação específica.

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