ATÉ QUANDO? Vítima de possível erro médico espera por solução

Desde o final de 2011, pedreiro reclama de descaso na saúde pública do município. Primeiro com a cirurgia de prótese no Hospital Nossa Senhora das Graças e agora com o olho fechado há um mês, ainda não diagnosticado e sem especialista para o atendimento.

A primeira vez
Não é a primeira, nem a segunda vez que Jorge Luis Pereira, 66 anos, visita a redação de O Timoneiro para reivindicar os direitos que todo trabalhador que paga seus impostos possui. Pedreiro de profissão, o morador do bairro Santo Operário, esteve em novembro de 2011 visitando a redação e informando que perdeu o movimento no joelho esquerdo após ter se submetido a uma cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na qual uma prótese que usava no joelho foi retirada, mas não substituída e que não recebeu nenhum tipo de retorno da Prefeitura.
Na oportunidade, a Secretaria de Saúde informou que o médico do Centro de Especialidades solicitou ao paciente um exame de Raio-X, que foi agendado. Porém, o mesmo não foi realizado porque a equipe do CEM tentou contato telefônico com o paciente, mas não conseguiu através do telefone informado pelo mesmo.

Um ano depois
Em abril do ano seguinte, 2012, Jorge voltou à redação relatando que nada foi feito e que sofria, há pelo menos um ano, com problemas de saúde decorrentes de uma cirurgia para a retirada de uma prótese do joelho esquerdo devido à osteoporose. “Eu tinha duas próteses. Fiz uma cirurgia no Hospital Nossa Senhora das Graças para a troca da prótese do joelho esquerdo que estava gasta. Depois, houve uma infecção e acabaram por retirar a prótese”, explicou.
Nesta oportunidade, a Prefeitura afirmou que a Secretaria da Saúde deu todos os encaminhamentos ao caso e que o paciente está sendo acompanhado por um médico traumatologista na casa de saúde”. A referida “casa de saúde citada pela administração municipal seria o Hospital Nossa Senhora das Graças”.

Atualmente
Agora com 66 anos, vivendo de doações de amigos e do salário da aposentadoria da esposa, Dinora Costa Pereira, 75 anos, Jorge continua sem o direito de se aposentar, pois o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) acredita que o mesmo possui condições de retomar suas atividades como pedreiro, mesmo que com uma perna esquerda inutilizada e o olho fechado. Sem poder trabalhar e nem se aposentar Jorge questiona: “Quem vai dar o meu sustento?”.
O problema no olho é novidade para o canoense. Há cerca de um mês o olho esquerdo fechou. Procurou hospitais na capital Porto Alegre e, após exames, relataram que nada consta nos diagnósticos. Os médicos recomendaram então que ele procure um neurologista local, o que, para Jorge, é ainda mais difícil pela dificuldade em marcar consultas com especialistas na cidade, decorrência de se implantar um sistema no qual o único meio de agendamento é através do telefone.