Cultura
O que esperar dos desfiles do grupo especial do Rio?

Por Daniela Uequed e Douglas Angeli
Quem acompanha os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro pela televisão, redes sociais ou no sambódromo certamente já tem suas favoritas ao título de campeã do carnaval, seja pela torcida ou pelo samba. Antes das 12 escolas desfilarem, tudo pode acontecer: desfiles que surpreendem e favoritas que não correspondem à expectativa. Ainda assim, considerando os enredos, estrutura e preparação de cada escola, é possível fazer alguns prognósticos.
São noves quesitos de julgamento, cujas notas serão divulgadas na quarta-feira de cinzas: enredo, samba-enredo, bateria, harmonia, evolução, mestre-sala e porta-bandeira, fantasias, alegorias e comissão de frente.
Os desfiles ocorrem no domingo e na segunda, dias 11 e 12/02, com a seguinte ordem: no domingo, Porto da Pedra, Beija-Flor, Salgueiro, Grande Rio, Tijuca e Imperatriz; na segunda-feira, Mocidade, Portela, Vila Isabel, Mangueira, Tuiuti e Viradouro.
Listamos alguns pontos fortes e fracos de cada escola e o que merece grande atenção em cada escola:
Porto da Pedra – Campeã do grupo de acesso – série ouro – em 2023, está voltando ao grupo especial após 10 anos. Sua missão de se manter no especial é, como sempre, bem difícil. Pontos fortes: carnavalesco (manteve o campeão Mauro Quintaes), enredo (Lunário Perpétuo: a profética do saber popular), samba e intérprete (Wantuir). Pontos fracos: ser a primeira escola a desfilar, não ter a estrutura das demais.
Beija-Flor – A supercampeã do século XXI encara a difícil tarefa de fazer uma grande apresentação sendo a segunda a desfilar no domingo. Vem de um quarto lugar no ano passado, mas tem novo carnavalesco: João Vitor Araújo – pupilo de Rosa Magalhães. O enredo sobre os delírios de Rás Gonguila (para falar do carnaval de Maceió e da realeza africana) é interessante, mas uma incógnita sobre como será representado. Pontos fortes: o casal de mestre-sala e porta-bandeira (Claudinho e Selminha Sorriso), o canto das alas, a estrutura para desenvolver boas alegorias e fantasias. Ponto fraco: o samba.
Salgueiro – Uma das escolas mais fortes do carnaval carioca, nos últimos anos esteve um pouco longe do título e no ano passado ficou em sétimo lugar. Apesar de perder pontos em enredo em 2023, manteve o carnavalesco, Edson Pereira, reconhecido pela qualidade das alegorias. Pontos fortes: o apelo político do enredo (Hutukara, sobre os yanomami), o samba, o canto das alas, a bateria. Pontos fracos: as dificuldades recorrentes na evolução.
Grande Rio – Campeã em 2022 com um desfile antológico, obteve um sexto lugar morno em 2023. Porém, os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora estudam e planejam há bastante tempo o enredo sobre a cosmovisão tupinambá e o imaginário da onça. As imagens do barracão indicam um belo conjunto alegórico e a escola pode surpreender em 2024. Pontos fortes: o enredo (Nosso destino é ser onça), o samba melodioso com a bateria mais cadenciada, as fantasias (conforme os protótipos divulgados). Pontos fracos: precisa superar as dificuldades de harmonia e evolução do ano passado.
Tijuca – A escola não tem realizado bons desfiles desde 2020, ficando três vezes em nono lugar. Dessa vez aposta na experiência do carnavalesco Alexandre Louzada (que estava na Beija-Flor). Os spoilers do barracão indicam que a escola deve apresentar uma plástica muito superior à dos últimos anos. Pontos fortes: a experiência do carnavalesco, a bateria, um bom conjunto estético (conforme o que já foi divulgado). Pontos fracos: o enredo duvidoso sobre os mitos de Portugal (Um conto de fados), o samba (talvez o pior do ano).
Imperatriz – Campeã de 2023 e forte candidata ao bicampeonato. Deve fechar com chave de ouro a primeira noite de desfiles, com um enredo lúdico (O testamento da cigana Esmeralda) e a estrela do carnavalesco Leandro Vieira. Pontos fortes: o enredo, o samba, o carnavalesco, o conjunto alegórico (pela expectativa conforme o que já foi divulgado), a gestão e organização da escola. Pontos fracos: nada consta.
Mocidade – Penúltima colocada em 2023, já vinha de um desfile desastrado em 2022. Houve quem apostasse no rebaixamento da escola, mas fala-se em novo aporte de recursos nos bastidores. O samba divide opiniões, mas tem sido um dos mais escutados e cantados. Pontos fortes: a empolgação gerada pelo samba, a bateria, os jovens Diogo Jesus e Bruna Santos (mestre-sala e porta-bandeira). Pontos fracos: ser a primeira escola de segunda, a necessidade de superar as dificuldades de evolução e harmonia dos últimos anos, o enredo não convincente sobre o caju.
Portela – Quem viu o decepcionante desfile sobre o centenário da escola em 2023 não reconhecerá a Portela em 2024. Os novos carnavalescos, André Rodrigues e Antônio Gonzaga, deram nova cara ao barracão da escola, indicando a aposta em uma renovação de estilo. À frente da escola, outra novidade: o retorno da porta-bandeira Squel Jorge, que estava na Mangueira até 2022 e chegou a anunciar uma aposentadoria precoce. Pontos fortes: o apelo emotivo do enredo (Um defeito de cor), o samba, a bateria, a nova proposta estética dos carnavalescos, o casal Marlon Lamar e Squel. Ponto fraco: a dúvida sobre a estrutura da escola para superar as dificuldades do ano passado.
Vila Isabel – Já quem viu o desfile da Vila no ano passado, quando foi terceira colocada, não pode deixar de considerá-la uma das favoritas ao título. Há, no entanto, certa incógnita no ar. Será novamente um bom ano para o carnavalesco Paulo Barros? A reedição de um clássico (Gbala, viagem ao templo da criação – de 1993) vai funcionar? Pontos fortes: a criatividade do carnavalesco e equipe (para comissão de frente e alegorias), a boa condução da evolução, a bateria. Pontos fracos: não há propriamente, mas dúvidas. O samba, embora um lindo clássico, talvez não favoreça o desfile, talvez não empolgue as alas. Não se sabe se a escola vem com o mesmo aporte e estrutura do ano passado.
Mangueira – Quinta colocada no ano passado, vem com o enredo há muito tempo esperado: a homenagem ao ícone Alcione. A força do enredo, por si, não faz da verde e rosa uma das favoritas ao título, mas candidata a uma posição no desfile das campeãs. A ser observado o desempenho dos novos coreógrafos da comissão de frente, quesito que decepcionou no último ano. Pontos fortes: o apelo de Alcione e da própria escola, a evolução do desempenho da bateria, as fantasias no seu conjunto (conforme os protótipos divulgados). Pontos fracos: se esperava muito mais do samba e pelos elementos alegóricos que já apareceram será surpreendente se a escola apresentar uma plástica nota 10.
Tuiuti – Fez um desfile surpreendente e que merecia retornar nas campeãs em 2023, mas ficou em oitavo. Logo após o carnaval, perdeu o carnavalesco, os coreógrafos e o intérprete para outras escolas. A ela retorna o carnavalesco Jack Vasconcelos, do vice-campeonato de 2018, mas que na Tijuca não concebeu bons desfiles. Pontos fortes: o enredo sobre João Cândido e a Revolta da Chibata (Glória ao almirante negro), o samba que conta muito bem o enredo, a impecável bateria. Pontos fracos: falta de estrutura para um conjunto equilibrado de alegorias e fantasias.
Viradouro – Até a última escola desfilar, nada estará definido, pois se trata da vice-campeã de 2023. Ano passado, fez um desfile primoroso que perdeu o título por detalhes. Não há como esperar pouco dessa escola. Somou-se ao time o intérprete Wander Pires, uma das mais belas vozes do carnaval. Pontos fortes: o carnavalesco (Tarcísio Zanon), o enredo (Arroboboi, Dangbé), o samba, o intérprete, a bateria do mestre Ciça, a organização da escola. Pontos fracos: difícil achar.
Em tempo: haverá quem não concorde com os prognósticos, haverá surpresas e decepções, haverá beleza mesmo na imperfeição, aura mesmo nas dificuldades. Esse é o encanto da ópera popular da Marquês de Sapucaí.
Cultura
Fábrica de Gaiteiros abre inscrições gratuitas para crianças e jovens em Nova Santa Rita

Estão abertas as inscrições para o projeto Fábrica de Gaiteiros, que passa a oferecer aulas gratuitas de gaita de oito baixos em Nova Santa Rita. A iniciativa é destinada a crianças e jovens de 7 a 15 anos.
As atividades serão realizadas na Casa de Cultura Viva Iolanda Ramos. O projeto oferece aprendizado musical com foco em um instrumento tradicional da música regional gaúcha. As aulas serão conduzidas por professores e coordenadas pelo músico Renato Borghetti.
Segundo o prefeito Rodrigo Battistella, a iniciativa amplia o acesso de crianças e jovens às atividades culturais.
“A Fábrica de Gaiteiros chega para oferecer aos nossos jovens uma oportunidade muito especial de aprender música e, ao mesmo tempo, conhecer e valorizar uma parte importante da nossa cultura. É uma iniciativa que pode despertar novos talentos e aproximar ainda mais as nossas crianças das atividades culturais.”
O secretário municipal de Cultura e Turismo, Vagner Silva, também comentou sobre a iniciativa.
“Ter um projeto como a Fábrica de Gaiteiros em Nova Santa Rita é motivo de muita satisfação. Além do aprendizado musical, as crianças terão contato com a nossa cultura e com um instrumento que faz parte da identidade do Rio Grande do Sul. Queremos que cada vez mais jovens tenham acesso a oportunidades como essa.”
Inscrições
Podem participar crianças e jovens entre 7 e 15 anos. As aulas são gratuitas e serão realizadas na Casa de Cultura Viva Iolanda Ramos.
As inscrições podem ser feitas pelo site https://app.fabricadegaiteiros.com.br/#/inscricao.
Em caso de dúvidas, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo atende pelo telefone (51) 97400-8045.
Cultura
49ª edição reúne agropecuária, tecnologia e negócios em Esteio e ocorre de 29 de agosto a 6 de setembro

A 49ª edição da Expointer será realizada de 29 de agosto a 6 de setembro de 2026, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Considerada uma das principais feiras do agronegócio da América Latina, a exposição reúne representantes da produção agropecuária, empresas, criadores, instituições e público em geral.
A programação contempla exposição e julgamento de animais, máquinas e equipamentos agrícolas, tecnologias voltadas ao campo, produtos e serviços, além de atividades relacionadas à cultura e às tradições do Rio Grande do Sul.
Número de animais cresce
Com as inscrições para animais de argola encerradas, a Expointer 2026 terá 5.756 exemplares inscritos para julgamento. O número é 12% superior ao registrado em 2025 e o maior desde 2012.
Entre os destaques está o crescimento de 78% nas inscrições de bovinos zebuínos. A raça Senepol teve aumento de 216% no número de animais inscritos.
A Brangus será a raça com maior número de exemplares no Pavilhão de Bovinos de Corte, com 195 animais, além da realização de uma exposição nacional durante a feira.
No segmento de caprinos, as inscrições aumentaram 16%, com destaque para a raça Boer, que apresentou crescimento de 56%. Já o Pavilhão de Pequenos Animais teve alta de 46%, enquanto as inscrições de pássaros cresceram mais de 103%.
Novidades entre as raças
A edição deste ano terá a estreia do Senangus, bovino desenvolvido a partir do cruzamento entre Senepol e Angus. Quatro exemplares estão inscritos.
Também estão previstos retornos de raças que ficaram períodos sem participar da exposição. O Galloway volta à Expointer após quase 20 anos, enquanto o Crioulo Lageano retorna depois de 11 anos. Tabapuã e Guzerá também voltam à programação.
Tecnologia e negócios
Além da exposição agropecuária, a Expointer reúne empresas e instituições ligadas ao setor rural. Máquinas agrícolas, implementos, equipamentos e novas tecnologias fazem parte da feira, que também funciona como espaço para apresentação de produtos, troca de informações e realização de negócios.
A programação reúne produtores rurais, criadores, profissionais, empresas e visitantes interessados em conhecer soluções e novidades relacionadas à atividade agropecuária.
Atendimento ambiental
Durante a feira, produtores rurais poderão agendar atendimento técnico para esclarecer dúvidas relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Cultura
Mostra Curta FECIC divulga seleção com 17 filmes de estudantes de Canoas

A organização da Mostra Curta FECIC divulgou a lista oficial das obras selecionadas para a atual edição do evento. Ao todo, 17 curtas-metragens integram a programação, reunindo produções desenvolvidas por estudantes de seis instituições de ensino do município.
As obras representam escolas das redes pública, incluindo as esferas municipal, estadual e federal, além da rede privada, reforçando a diversidade de participação no projeto.
Segundo a curadoria, a seleção buscou valorizar diferentes linguagens cinematográficas e as narrativas criadas pelos jovens realizadores. O recorte final inclui nove filmes de ficção, cinco documentários, duas animações e um curta experimental.
A mostra destaca o audiovisual como ferramenta de expressão artística e reflexão dentro do ambiente escolar, evidenciando o envolvimento crescente de estudantes com a produção cinematográfica.
As escolas da rede municipal reúnem a maior parte dos selecionados. A EMEF Arthur Oscar Jochims integra a programação com cinco títulos: “Ainda te acharei”, “Contas da esperança: A Matemática em Números”, “Guerra Russa”, “O Disfarce de 1945” e “Sombras da Guerra”. Da EMEF Prefeito Edgar Fontoura, foram escolhidos “Axé e Amém”, “Entre o passado e o presente: A força dos Quilombos”, “Entre tradição indígena e o mundo contemporâneo” e “Gritos da Resistência”. Já a EMEF Paulo Freire participa com “A pessoa que eu fui”, “Racismo na Escola” e “O protótipo”, enquanto a EMEF Professora Nancy Ferreira Pansera participa com o filme “O dia do Labubus”.
Completam a seleção oficial os curtas “A Arte segundo Cildo Meireles” e “A Cartomante”, produzidos no Instituto Federal; “Daydream”, do Colégio IPUC e “Depois do Inverno”, realizado pelos alunos da E.E.E.M André Leão Puente.
Além da exibição inédita das produções estudantis, a Mostra Curta FECIC, que acontece dia 2 de julho, às 14h, no Sesc Canoas, promoverá a entrega de certificados e a seleção oficial das obras que irão concorrer na categoria estudantil do 4º Festival de Cinema de Canoas, que ocorre em setembro.
No mesmo dia, a partir das 18h30min, o Painel Audiovisual e Educação, reunirá educadores, realizadores e especialistas para discutir o uso do audiovisual como instrumento pedagógico, encerrando com uma roda de conversa mediada por profissionais do setor.
O Curta FECIC é financiado pelo PIC 2023, via Secretaria de Cultura e Turismo e Prefeitura de Canoas. A realização é da Prosa Filmes, com gestão cultural e produção executiva da Imago Produtora. O festival conta ainda com o apoio do Sesc Canoas e o apoio institucional do Metropolitano RS, Fundacine e CurtaENEM.

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