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24/04/2026
 

Cultura

O que esperar dos desfiles do grupo especial do Rio?

Redação

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em

Por Daniela Uequed e Douglas Angeli 

Quem acompanha os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro pela televisão, redes sociais ou no sambódromo certamente já tem suas favoritas ao título de campeã do carnaval, seja pela torcida ou pelo samba. Antes das 12 escolas desfilarem, tudo pode acontecer: desfiles que surpreendem e favoritas que não correspondem à expectativa. Ainda assim, considerando os enredos, estrutura e preparação de cada escola, é possível fazer alguns prognósticos.

São noves quesitos de julgamento, cujas notas serão divulgadas na quarta-feira de cinzas: enredo, samba-enredo, bateria, harmonia, evolução, mestre-sala e porta-bandeira, fantasias, alegorias e comissão de frente.

Os desfiles ocorrem no domingo e na segunda, dias 11 e 12/02, com a seguinte ordem: no domingo, Porto da Pedra, Beija-Flor, Salgueiro, Grande Rio, Tijuca e Imperatriz; na segunda-feira, Mocidade, Portela, Vila Isabel, Mangueira, Tuiuti e Viradouro.

Listamos alguns pontos fortes e fracos de cada escola e o que merece grande atenção em cada escola:

Porto da Pedra – Campeã do grupo de acesso – série ouro – em 2023, está voltando ao grupo especial após 10 anos. Sua missão de se manter no especial é, como sempre, bem difícil. Pontos fortes: carnavalesco (manteve o campeão Mauro Quintaes), enredo (Lunário Perpétuo: a profética do saber popular), samba e intérprete (Wantuir). Pontos fracos: ser a primeira escola a desfilar, não ter a estrutura das demais.

Beija-Flor – A supercampeã do século XXI encara a difícil tarefa de fazer uma grande apresentação sendo a segunda a desfilar no domingo. Vem de um quarto lugar no ano passado, mas tem novo carnavalesco: João Vitor Araújo – pupilo de Rosa Magalhães. O enredo sobre os delírios de Rás Gonguila (para falar do carnaval de Maceió e da realeza africana) é interessante, mas uma incógnita sobre como será representado. Pontos fortes: o casal de mestre-sala e porta-bandeira (Claudinho e Selminha Sorriso), o canto das alas, a estrutura para desenvolver boas alegorias e fantasias. Ponto fraco: o samba.

Salgueiro – Uma das escolas mais fortes do carnaval carioca, nos últimos anos esteve um pouco longe do título e no ano passado ficou em sétimo lugar. Apesar de perder pontos em enredo em 2023, manteve o carnavalesco, Edson Pereira, reconhecido pela qualidade das alegorias. Pontos fortes: o apelo político do enredo (Hutukara, sobre os yanomami), o samba, o canto das alas, a bateria. Pontos fracos: as dificuldades recorrentes na evolução.

Grande Rio – Campeã em 2022 com um desfile antológico, obteve um sexto lugar morno em 2023. Porém, os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora estudam e planejam há bastante tempo o enredo sobre a cosmovisão tupinambá e o imaginário da onça. As imagens do barracão indicam um belo conjunto alegórico e a escola pode surpreender em 2024. Pontos fortes: o enredo (Nosso destino é ser onça), o samba melodioso com a bateria mais cadenciada, as fantasias (conforme os protótipos divulgados). Pontos fracos: precisa superar as dificuldades de harmonia e evolução do ano passado.

Tijuca – A escola não tem realizado bons desfiles desde 2020, ficando três vezes em nono lugar. Dessa vez aposta na experiência do carnavalesco Alexandre Louzada (que estava na Beija-Flor). Os spoilers do barracão indicam que a escola deve apresentar uma plástica muito superior à dos últimos anos. Pontos fortes: a experiência do carnavalesco, a bateria, um bom conjunto estético (conforme o que já foi divulgado). Pontos fracos: o enredo duvidoso sobre os mitos de Portugal (Um conto de fados), o samba (talvez o pior do ano).

Imperatriz – Campeã de 2023 e forte candidata ao bicampeonato. Deve fechar com chave de ouro a primeira noite de desfiles, com um enredo lúdico (O testamento da cigana Esmeralda) e a estrela do carnavalesco Leandro Vieira. Pontos fortes: o enredo, o samba, o carnavalesco, o conjunto alegórico (pela expectativa conforme o que já foi divulgado), a gestão e organização da escola. Pontos fracos: nada consta.

Mocidade – Penúltima colocada em 2023, já vinha de um desfile desastrado em 2022. Houve quem apostasse no rebaixamento da escola, mas fala-se em novo aporte de recursos nos bastidores. O samba divide opiniões, mas tem sido um dos mais escutados e cantados. Pontos fortes: a empolgação gerada pelo samba, a bateria, os jovens Diogo Jesus e Bruna Santos (mestre-sala e porta-bandeira). Pontos fracos: ser a primeira escola de segunda, a necessidade de superar as dificuldades de evolução e harmonia dos últimos anos, o enredo não convincente sobre o caju.

Portela – Quem viu o decepcionante desfile sobre o centenário da escola em 2023 não reconhecerá a Portela em 2024. Os novos carnavalescos, André Rodrigues e Antônio Gonzaga, deram nova cara ao barracão da escola, indicando a aposta em uma renovação de estilo. À frente da escola, outra novidade: o retorno da porta-bandeira Squel Jorge, que estava na Mangueira até 2022 e chegou a anunciar uma aposentadoria precoce. Pontos fortes: o apelo emotivo do enredo (Um defeito de cor), o samba, a bateria, a nova proposta estética dos carnavalescos, o casal Marlon Lamar e Squel. Ponto fraco: a dúvida sobre a estrutura da escola para superar as dificuldades do ano passado.

Vila Isabel – Já quem viu o desfile da Vila no ano passado, quando foi terceira colocada, não pode deixar de considerá-la uma das favoritas ao título. Há, no entanto, certa incógnita no ar. Será novamente um bom ano para o carnavalesco Paulo Barros? A reedição de um clássico (Gbala, viagem ao templo da criação – de 1993) vai funcionar? Pontos fortes: a criatividade do carnavalesco e equipe (para comissão de frente e alegorias), a boa condução da evolução, a bateria. Pontos fracos: não há propriamente, mas dúvidas. O samba, embora um lindo clássico, talvez não favoreça o desfile, talvez não empolgue as alas. Não se sabe se a escola vem com o mesmo aporte e estrutura do ano passado.

Mangueira – Quinta colocada no ano passado, vem com o enredo há muito tempo esperado: a homenagem ao ícone Alcione. A força do enredo, por si, não faz da verde e rosa uma das favoritas ao título, mas candidata a uma posição no desfile das campeãs. A ser observado o desempenho dos novos coreógrafos da comissão de frente, quesito que decepcionou no último ano. Pontos fortes: o apelo de Alcione e da própria escola, a evolução do desempenho da bateria, as fantasias no seu conjunto (conforme os protótipos divulgados). Pontos fracos: se esperava muito mais do samba e pelos elementos alegóricos que já apareceram será surpreendente se a escola apresentar uma plástica nota 10.

Tuiuti – Fez um desfile surpreendente e que merecia retornar nas campeãs em 2023, mas ficou em oitavo. Logo após o carnaval, perdeu o carnavalesco, os coreógrafos e o intérprete para outras escolas. A ela retorna o carnavalesco Jack Vasconcelos, do vice-campeonato de 2018, mas que na Tijuca não concebeu bons desfiles. Pontos fortes: o enredo sobre João Cândido e a Revolta da Chibata (Glória ao almirante negro), o samba que conta muito bem o enredo, a impecável bateria. Pontos fracos: falta de estrutura para um conjunto equilibrado de alegorias e fantasias.

Viradouro – Até a última escola desfilar, nada estará definido, pois se trata da vice-campeã de 2023. Ano passado, fez um desfile primoroso que perdeu o título por detalhes. Não há como esperar pouco dessa escola. Somou-se ao time o intérprete Wander Pires, uma das mais belas vozes do carnaval. Pontos fortes: o carnavalesco (Tarcísio Zanon), o enredo (Arroboboi, Dangbé), o samba, o intérprete, a bateria do mestre Ciça, a organização da escola. Pontos fracos: difícil achar.

Em tempo: haverá quem não concorde com os prognósticos, haverá surpresas e decepções, haverá beleza mesmo na imperfeição, aura mesmo nas dificuldades. Esse é o encanto da ópera popular da Marquês de Sapucaí.

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Cultura

Associação Canoense de Escritores promove atividade da Semana do Livro

Redação

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A Associação Canoense de Escritores (ACE) realizou, na quinta-feira, 23, uma atividade da Semana do Livro na Biblioteca João Palma da Silva, em Canoas.

O tema escolhido para o encontro foi “Mário Quintana e a Ecologia”, com palestras da professora Maria Inês Pacheco e do ambientalista Walter Kühne Junior.

Após as apresentações, os participantes puderam fazer perguntas, compartilhar opiniões e recitar poemas de Mário Quintana.

Participaram da atividade integrantes da direção da ACE, representantes da Casa do Poeta e um grupo de alunos da Escola Estadual de Ensino Médio André Leão Puente, acompanhados por uma professora.

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Cultura

Semana da Dança de Canoas movimenta a cidade com programação gratuita até dia 29 de abril

Redação

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Até o dia 29 de abril, Canoas vai ser palco da Semana da Dança, evento que vai reunir uma programação recheada de atrações em diferentes pontos da cidade. Com o tema “Do que é feita a tua dança?”, o festival promove apresentações, oficinas e ações formativas em espaços urbanos, equipamentos culturais e áreas de grande circulação, consolidando a parceria entre o Colegiado de Dança e o Sesc Canoas, com apoio ampliado do poder público municipal.

A abertura aconteceu no feriado de 21 de abril, no Shopping Canoas, com apresentações de grupos locais. Já no dia 22, intervenções artísticas ocupam estações da Trensurb em diferentes horários, ampliando o alcance das ações culturais. No dia 23, a Praça da Emancipação recebe espetáculos ao meio-dia, enquanto à noite o palco do Teatro do Sesc Canoas concentra as apresentações, que seguem também na sexta-feira (24). Ao longo do fim de semana, o teatro abriga mostras infantil e estudantil, além de atividades voltadas a projetos sociais.

Já no sábado, dia 25, têm início as oficinas formativas, que incluem quatro encontros, que foram antecedidos por uma residência de criação realizada antes da abertura oficial do evento. O workshop residência, conduzido por Soraya Portela, teve foco em processos criativos e experimentação em dança. As programações formativas serão realizadas na Antiga Estação de Trem, com destaque para temas como iluminação cênica, improvisação, danças urbanas e orientais.

No domingo, 26, o Teatro do Sesc recebe a terceira edição da Mostra de Dança Infantil, às 17h, reunindo grupos formados por crianças de 4 a 12 anos. A programação segue na segunda-feira, 27 de abril, com a Mostra Estudantil e de Projetos Sociais em dois horários, às 15h e 19h30, destacando trabalhos de escolas, instituições, associações e ONGs de Canoas, ampliando o espaço de visibilidade para diferentes iniciativas ligadas à dança na cidade. No dia 28, o Calçadão recebe a performance “Corpo Samba – Oficena”, do coletivo Abre Corpo, que propõe uma experiência interativa a partir de referências afro-diaspóricas e da cultura do samba.

O encerramento ocorre em 29 de abril, no Dia Internacional da Dança, com uma celebração no Teatro do Sesc reunindo grupos profissionais e artistas locais. A noite destaca a diversidade das linguagens presentes na cidade, reafirmando o papel do evento como espaço de encontro, criação e valorização da dança.

Programação

sexta-feira (24/04)Semana da Dança de Canoas segue até 29 de abril com apresentações, oficinas e atividades gratuitas em diferentes pontos da cidade, celebrando o Dia Internacional da Dança.
Local: Teatro Sesc Canoas
19h30: Mostra de dança
sábado (25/04)
Local: Antiga estação de trem
10h: Oficina de Iluminação Cênica com Maurício Rosa
Local: Canoas Shopping
13h: Mostra de Dança
18h: Mostra de dança

Domingo (26/04)
Local: Antiga estação de trem
10h:Oficina de dança com Everton Somber
12h: Oficina de dança com Everton Somber
14h: Oficina de dança com Everton Somber
Local: Teatro Sesc Canoas
17h: Mostra Infantil de Dança

Segunda-feira (27/04)
Local: Teatro Sesc Canoas
15h: Mostra de Dança Estudantil e de Projetos Sociais

Terça-feira (28/04)
Local: Calçadão de Canoas
12h20:Performance “Corpo Samba – Oficena”
Quarta-feira (29/04)
Local: Teatro do Sesc Canoas
19h30: Celebração de Encerramento

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Cultura

Espetáculo CorpoSamba leva arte e samba ao centro de Canoas

Redação

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Crédito da foto: Maurício Concatto, Divulgação

A performance artística CorpoSamba – Oficena segue em circulação pelo Rio Grande do Sul e chega a Canoas no dia 28 de abril. A apresentação será realizada às 12h30, no calçadão da cidade, com acesso gratuito e ao ar livre. A proposta mistura dança, música ao vivo e interação com o público no espaço urbano, criando uma experiência leve, divertida e, ao mesmo tempo, provocativa.

Criado em Caxias do Sul (RS), o trabalho reúne artistas-pesquisadores de diferentes áreas, como Igor Cavalcante Medina, com trajetória ligada ao samba e às danças de salão; Assaury Hiroshi, da dança contemporânea; e Ezequiel Zanoni Duarte (Zeca Duarte), vinculado ao samba e à música popular brasileira. A criação conta ainda com a participação da bailarina Jenifer Bonho e do percussionista Marcelinho Silva.

Com trilha sonora autoral executada ao vivo, CorpoSamba – Oficena parte da ideia de que o corpo também é território de memória, resistência e criação. Ao longo da apresentação, surgem provocações sobre o próprio corpo e sobre corpos frequentemente marginalizados, como os das mulheres e das pessoas negras. Essas questões, porém, aparecem sem rigidez, abrindo espaço para uma relação lúdica com o público, que é convidado a experimentar passos iniciais de samba e a interagir com os bailarinos e integrar-se ao clima de carnaval no qual se encerra o espetáculo, vivenciando e construindo a cena em tempo real, junto aos artistas.

Hiroshi, bailarino, coreógrafo e um dos diretores do espetáculo, afirma que o trabalho dá continuidade a uma investigação sobre o corpo brasileiro e sobre o samba como uma de suas expressões mais genuínas.

“A partir de minhas pesquisas, vejo o samba como uma manifestação artística marcada por relações sociais, raciais e de gênero que atravessam a história do país e que, por isso, também se estabelece como espaço de resistência, diálogo e transformação social”, observa.

Para ele, a obra parte de um corpo que se posiciona e que transforma resistência em movimento e movimento em identidade.

Para o também diretor Medina, a Oficena se apresenta não apenas como linguagem artística, mas também como ferramenta de transformação social, ao provocar reflexão, questionar estruturas de opressão e reafirmar a potência do corpo em movimento. “A proposta convida o público a vivenciar o samba como força vital, resistência e expressão cultural profunda”, aponta.

A produtora executiva Uyara Camargo destaca que a circulação em espaços públicos e históricos de cidades gaúchas foi pensada para ampliar o acesso à arte e descentralizar o acesso à cultura. “A escolha desses locais reforça o compromisso do projeto com a democratização da cultura, ao mesmo tempo em que valoriza a cultura popular, fortalece identidades locais e pode estimular o turismo cultural e o comércio.”

A construção do espetáculo também se apoia nas trajetórias de seus criadores. Medina, homem negro e sambista, tensiona em cena o racismo presente nas sutilezas do cotidiano. Hiroshi, a partir de sua ancestralidade oriental e indígena, investiga encontros e fusões culturais no corpo que samba. Já a bailarina Jenifer, como mulher, incorpora reflexões sobre a violência de gênero e seus impactos sociais e corporais. Juntas, essas perspectivas ampliam o olhar sobre a identidade brasileira e sobre o samba como expressão de alegria, crítica social e permanência cultural.

Todas as apresentações contam com intérprete de Libras, ampliando o acesso e reconhecendo diferentes formas de experiência estética.

Antes de chegar a Canoas, o projeto realizará uma apresentação gratuita em Porto Alegre no dia 18 de abril, às 17h, no Parque Harmonia (ao ar livre). CorpoSamba – Oficena é financiado pelo Financiarte, da Prefeitura de Caxias do Sul.

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