CARNAVAL DO RIO: Segunda noite tem Grande Rio como destaque

Grande Rio. Foto: Daniela Uequed/OT

por Daniela Uequed e Douglas Angeli

Após uma primeira noite com bons desfiles, o sambódromo da Marquês de Sapucaí recebeu no sábado, 23,  mais seis escolas de samba para fechar as apresentações do grupo especial. A expectativa de uma noite impactante foi atingida especialmente pelo desfile da Grande Rio, que deve confirmar um título inédito na apuração desta terça-feira, 26.

Paola Oliveira – rainha de Bateria da Grande Rio – Foto: Daniela Uequed/OT

Caminhos da ancestralidade

A primeira escola a desfilar foi a Paraíso do Tuiuti com enredo do carnavalesco Paulo Barros sobre protagonistas que abriram caminhos para o povo negro, como Nelson Mandela. Um dos melhores sambas do ano e o espetáculo da bateria salvaram um desfile problemático na evolução, nas alegorias pouco impactantes e nas fantasias por vezes repetitivas. Além disso, o estouro de 2 minutos no tempo máximo de desfile resultará em punição com 2 décimos para a escola. Em seguida foi a vez da maior campeã do carnaval carioca, a Portela, cantar a ancestralidade negra representada pelo baobá – árvore sagrada africana. Com um desfile seguro na evolução e harmonia, destaques positivos para o puxador Gilsinho, casal de mestre-sala e porta-bandeira e bateria, a escola de Madureira teve um bom desempenho no enredo que culminou na homenagem ao compositor Monarco, baluarte da escola que morreu no final do ano passado. Outra homenagem ficou por conta da Mocidade Independente de Padre Miguel também no fim do seu desfile: o trono com o qual a cantora Elza Soares desfilou em 2020 passou vazio na última alegoria. A escola defendeu enredo sobre Oxóssi, orixá da caça e das matas nas religiões afro-brasileiras, com um grande samba – que mereceu o estandarte de ouro do jornal O Globo. A comissão de frente, onde um drone em forma de flecha que acertava um componente no alto do elemento cenográfico e o derrubava causou forte impressão, mas alguns elementos passaram apagados nos últimos módulos de julgamento. Houve problemas também no acabamento de algumas alegorias e graves dificuldades na evolução devido a um problema do abre-alas nos dois últimos módulos de julgamento.

Guaraná, Exú e Martinho

A Unidos da Tijuca surpreendeu ao superar as dificuldades na avenida, realizando um desfile leve, colorido e sem grandes problemas de evolução. As fantasias e alegorias, embora simples e com problemas de acabamento, formaram um bom conjunto para contar a lenda do guaraná, e os destaques positivos ficaram por conta da bateria e do canto dos componentes da escola. Na sequência, a Grande Rio, vice-campeã de 2020, ingressou na Sapucaí para confirmar seu favoritismo e se candidatar ao título inédito no grupo especial. Com o enredo “Fala majeté, sete chaves de Exú”, que buscou desmistificar o orixá Exú e mostrar as várias formas pelas quais ele se manifesta, a escola fez um desfile de nível poucas vezes visto, com complexidade e riqueza plástica. O samba-enredo foi cantado inclusive pelo público em um desfile correto na evolução e que recebeu o prêmio estandarte de ouro do jornal O Globo como melhor escola, bateria e enredo – desenvolvido pelos jovens carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. Encerrando os desfiles do grupo especial, a Unidos de Vila Isabel homenageou seu maior ícone, o cantor e compositor Martinho da Vila. O enredo celebrou a vida e obra de Martinho, que aparecia para o público ao final da apresentação da comissão de frente. As alegorias foram grandiosas, mas não tão luxuosas como se previa, o samba teve um andamento acelerado e a expectativa é de uma boa posição na apuração que será realizada na terça-feira. No sábado, 30 de abril, as seis primeiras colocadas retornam ao sambódromo para o desfile das campeãs.

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