CARNAVAL DO RIO: Sapucaí é marcada por homenagens na 1ª noite do grupo especial

Mocidade Independente de Padre Miguel - Foto: Daniela Uequed/OT

por Daniela Uequed e Douglas Angeli

A avenida Marquês de Sapucaí foi palco, na noite de sexta-feira, 22, do retorno das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro. A primeira a entrar no sambódromo também retornava ao grupo principal após o rebaixamento em 2019 e o campeonato no segundo grupo em 2020: a Imperatriz Leopoldinense, oito vezes campeã do especial.

O desfile também marcou a volta da carnavalesca Rosa Magalhães à escola, com enredo homenageando o cenógrafo e carnavalesco Arlindo Rodrigues (1931-1987). Arlindo foi um dos responsáveis pela transformação estética das escolas de samba entre as décadas de 1960 e 1980, levando as agremiações à campeonatos históricos como Chica da Silva (1963) com o Salgueiro, O descobrimento do Brasil (1979) com a Mocidade e O que é que a Bahia tem? (1980) e Só dá Lalá (1981) com a própria Imperatriz. Tudo isso passou na avenida com um samba bastante cantado e visual impecável, candidatando a escola do bairro de Ramos às primeiras posições.

Cartola, Jamelão e Delegado

Mangueira – Foto: Daniela Uequed/OT

A segunda escola a desfilar foi a Estação Primeira de Mangueira, com um emocionante enredo sobre as pessoas comuns do morro de Mangueira que, com sua escola de samba, se tornam grandes artísticas – a exemplo dos grandes homenageados, o compositor Cartola (1908-1980), o cantor Jamelão (1913-2008) e o mestre-sala Delegado (1921-2012). Destaque para as belas esculturas e para a comissão de frente na qual os personagens trocavam de roupa em uma fração de segundos. O samba-enredo não chegou a empolgar e as alegorias tiveram altos e baixos. Na sequência, o Salgueiro passou na avenida com o enredo “Resistência”, exaltando os espaços e expressões da resistência social e cultural afro-brasileira no pós-abolição – entre eles o candomblé, a capoeira, o jongo e as próprias escolas de samba. Um dos destaques foi a rainha de bateria Viviane Araújo que desfilou grávida. A escola, no entanto, teve dificuldades com a evolução e o conjunto plástico ficou abaixo do esperado. Outra homenagem da noite ficou por conta da São Clemente, com o enredo sobre o ator Paulo Gustavo (1978-2021). Apostando na irreverência e na emoção, a escola passou alegre, mas com muitos problemas na evolução, harmonia, comissão de frente e alegorias – o que a deixa em situação muito complicada na apuração da terça-feira, que define a campeã, mas também o rebaixamento de uma escola.

Que além do infinito, o amor se renove

Grande expectativa da noite, a grande campeã de 2020, Unidos do Viradouro, desfilou com um enredo sobre o carnaval de 1919 – que se seguiu à epidemia de gripe espanhola. A epidemia, a luta da alegria contra a tristeza, os blocos e sociedades carnavalescas da época, a celebração da saúde e da vida, foram setores da escola que apresentou fantasias e alegorias de alto nível, uma comissão de frente impactante, um samba em forma de carta de um Pierrot apaixonado bastante cantado e a empolgante bateria de mestre Ciça – que em certos momentos fazia os efeitos de uma marchinha carnavalesca. Antes que o sol nascesse, a Beija-Flor deu uma aula de história sobre a contribuição científica, literária, artística e intelectual do povo negro ao longo da história com um enredo que convidava a “empretecer o pensamento”. A concentração da escola de Nilópolis trouxe complicações que devem deixar a escola longe do décimo quinto título, pois houve dificuldades na colocação de destaques e composições humanas nas alegorias, fazendo com que a evolução parasse e que alguns espaços nos carros tenham passado vazios. As atenções agora se voltam para a segunda noite de desfiles do grupo especial, com Paraíso do Tuiuti, Portela, Mocidade Independente, Unidos da Tijuca, Grande Rio e Vila Isabel.

 

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