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29/05/2024
 

Cultura

SAPUCAÍ: enredos são marcados por Literatura, mitos e história

Redação

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SAPUCAÍ: enredos são marcados por Literatura, mitos e história

Por Daniela Uequed e Douglas Angeli

Boa parte dos desfiles do grupo especial do carnaval carioca que acontecem nos próximos dias de 11 e 12 de fevereiro, serão conduzidos por leituras da história, das mitologias e por adaptações de livros. Os enredos, concebidos pelos pesquisadores e carnavalescos, são ao tema dos sambas, das alegorias, fantasias e demais quesitos. Quatro escolas usarão este recurso: Portela, Grande Rio, Unidos da Tijuca e Paraíso do Tuiuti.

Já os mitos e lendas ligados a Portugal serão tema da Unidos da Tijuca, enquanto o Paraíso do Tuiuti exaltará a figura de João Cândido, líder da revolta da Chibata em 1910.

Portela

A Portela, dos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga, prepara uma adaptação da obra de Ana Maria Gonçalves, Um defeito de cor, enquanto a Grande Rio, dos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, baseia seu enredo no livro Meu destino é ser onça, de Alberto Mussa.

Na primeira, o olhar está na história da luta contra a escravidão no Brasil tendo como  condutor o protagonismo de Luzia Mahin e de Luís Gama, mãe e filho.

A luta contra a opressão estará presente na Portela. No livro Um defeito de cor, Ana Maria Gonçalves se inspira na figura de Luiza Mahin, ou Kehinde, narrando a saga de sofrimento, rebelião e a busca por reencontrar seu filho, que, liberto, se tornaria o advogado abolicionista de Luís Gama. Os carnavalescos da Portela imaginaram uma carta onde o filho responde a mãe, prometendo um desfile onde a tônica será o afeto e o questionamento, como no argumento da sinopse do enredo: “Narrar essa história é como narrar a busca pelo sentido da nossa existência enquanto sujeitos negros ativos neste Brasil. Por que somos? Por que assim fazemos? Por quem lutamos? Em memória do que?”.

No ensaio técnico do domingo, dia 28, a Portela encerrou sua apresentação com a presença de mulheres que se identificavam como “Mães da Maré” e “Mães de Manguinhos”, indicando que a parte final do desfile trará a história de Kehinde para o presente.

Grande Rio

O foco está na cosmovisão tupinambá. Com o mito tupinambá de criação e recriação do mundo, baseado no livro Meu destino é ser onça, de Alberto Mussa. Seu fio condutor é a onça e sua posição central nas narrativas míticas dos povos originários e sua presença no imaginário brasileiro. Os mitos também são o eixo central do enredo da Unidos da Tijuca, mas para falar de outro lado da história e do Atlântico: Portugal.

A sinopse de Um conto de fados, do carnavalesco Alexandre Louzada, apresenta o tom do enredo: “Navegar é preciso, nesse lendário lugar, onde, por mais que se procure diferir, tudo rima com mar, desbravar, invadir, glorificar. […] Dos ilês de África, contidos nas conchas do Ifá, lavar a alma, o espírito de aventureiro de sal e de sol, ao vento, percorrer no intento, contornos do Reino de Matamba até as praias de Zanzibar”.

Tijuca

Contudo, conseguirá a Tijuca executar seu desfile sem incorrer em narrativa acrítica acerca do mito de um povo predestinado a navegar e descobrir? Conseguirá demonstrar que não se trata de uma romantização dos mitos e ideologias que justificaram a dominação colonial de tantas terras e povos?

A cosmovisão tupinambá do enredo da Grande Rio nos lembra que os mares navegados pelos portugueses levaram à colonização da própria natureza, à modificação drástica dos modos de se relacionar com essa natureza e sua exploração – que se deu através da escravização de seres humanos. O que podemos antecipar é que as escolas de samba, mais uma vez, apresentarão um espetáculo que nos permitirá ler e reler o mundo, imaginar e reimaginar a vida, e pensar a vida e o mundo historicamente.

Paraíso do Tuiuti

É com viés de revisitar a história que o carnavalesco Jack Vasconcelos promete contar a vida e a luta de um herói geralmente esquecido: o gaúcho João Cândido, que comandou a revolta dos marinheiros em 1910. Passadas duas décadas da abolição da escravidão, em 1888, e da Proclamação da República, em 1889, a vida dos marinheiros negros não havia melhorado, restando baixos soldos, alimentação ruim e o castigo das chibatadas. Diante de tal cenário, estoura aquela que mais tarde, pelo livro do jornalista Edmar Morel, ficaria conhecida como a Revolta da Chibata.

Esse não é um passado que já não ressoa no presente: em 2023, mais de cem anos após a revolta liderada pelo almirante negro contra as chibatadas, o entregador Max Ângelo dos Santos foi agredido com uma coleira de cachorro por uma mulher branca na zona Sul do Rio de Janeiro. Heroicizando os oprimidos e relendo a nossa história, a Tuiuti convidou Max para representar João Cândido em seu desfile.

História

A aposta na literatura, nos mitos e na história não constitui novidade na trajetória das escolas de samba. A centenária Portela destacou-se nos anos 1960 e 1970 por apresentar obras da literatura em seus desfiles: Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, em 1966, e Macunaíma, de Mário de Andrade, em 1975, entre outros. As mitologias africanas e dos povos originários foram tema de diversos enredos da Beija-Flor de Nilópolis, como A criação do mundo na tradição nagô, em 1978, e O mundo místico dos caruanas em 1998.

Desde os carnavais realizados sob a ditadura do Estado Novo (1937-1945), a história do Brasil foi muitas vezes lida e relida nos desfiles. Dos heróis oficiais, como D. João VI e Duque de Caxias, passando por episódios tantas vezes repisados como a guerra contra os holandeses, a independência do Brasil e a guerra do Paraguai, o que mudou ao longo do tempo foi o enfoque da história dos vencedores para a história dos vencidos, dos oprimidos, dos grupos que lutam por emancipação.

Isso desde os históricos enredos do Salgueiro, que imprimiram protagonismo aos personagens e às lutas afro-brasileiras, como Navio Negreiro, em 1957, e Quilombo dos Palmares, em 1960, até o desfile questionador da Mangueira em 2019, quando a escola apresentou a “história que a história não conta, o avesso do mesmo lugar”.

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Cultura

Reunião discute ação da Guarda Municipal em evento de batalhas de rap em Canoas

Redação

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Representantes das secretarias de Segurança Pública, Cultura e Relações Institucionais, bem como a Coordenadoria da Juventude, reuniram-se nesta quinta-feira, 2 com os organizadores da Batalha Clandestina e do Movimento Hip Hop Brasil.

No encontro, foram tratadas as medidas para apurar o incidente envolvendo a atuação da Guarda Municipal no evento intitulado Batalha Clandestina, na noite de terça-feira, 30. Nas redes sociais, pessoas que costumam ir ao evento, que ocorre com frequência próximo a Estação Canoas da Trensurb, no Centro, aparecem em vídeos sendo expulsas do local e recebendo golpes de cassetete dos agentes.

Segundo os organizadores do evento, não foi a primeira vez que isso ocorre. No dia 19 de março, guardas municipais teriam feito abordagem semelhante, chegando ao local em múltiplas viaturas.

Na reunião, o secretário de Segurança Pública, Guilherme Pacífico, informou que foi aberta uma sindicância para apurar o episódio. “A Guarda Municipal está reunindo todos os vídeos da ação e vai ouvir todos os envolvidos. Tudo será amplamente apurado com rigor. Nosso governo defende a cultura.”

“A Secretaria de Cultura se compromete a trabalhar em conjunto com os organizadores para fortalecer essa cena artística e apoiar as suas atividades. Queremos que a cultura seja um ponto de união entre as pessoas e uma forma de expressão livre, sem medo ou repressão, do modo que sempre foi na nossa gestão”, salientou o secretário de Cultura, Eliezer Pacheco.

Na próxima semana será realizada uma reunião para instituir a comissão que irá tratar de futuras ações do movimento hip hop na cidade de Canoas. O deputado estadual Matheus Gomes (PSOL) esteve presente no encontro.

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Cultura

Câmara dos Deputados aprova a Lei Taylor Swift para punição a cambistas

Redação

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Um projeto de lei para endurecer punições para aqueles que compram ingressos de grandes eventos para revender mais caro depois foi aprovado pela Câmara dos Deputados nesta semana.

O texto foi apelidado de Lei Taylor Swift por conta dos casos envolvendo os shows da conhecida cantora pop norte-americana no Rio de Janeiro e em São Paulo em 2023. Na ocasião, muitos cambistas compraram ingressos pela plataforma responsável pelas vendas e aplicaram preços exorbitantes, o que acendeu o debate nas redes sociais sobre o tema.

Segundo o texto, os ingressos deverão mostrar a data da compra e o valor final, incluindo eventuais taxas cobradas, caso o projeto seja sancionado pelo presidente Lula. Antes disso, o projeto ainda passa pelo Senado Federal.

Em caso de sanção, três novos crimes associados à prática dos cambistas serão tipificados no Código Penal e aplicados a todo tipo de evento que cobre pela entrada. São eles:

  1. vender, colocar à venda ou portar para venda ingresso por preço superior ao fixado pela entidade promotora do evento;
  2. fornecer, desviar ou facilitar a distribuição de ingressos mais caros;
  3. falsificar ingressos com o intuito de obter vantagem ilícita com a venda.

Além da multa, que pode variar entre 50 a 100 vezes o preço do item vendido de forma irregular, com preço diferente do original ou então falsificado, as penas de prisão atingem de 1 a 3 anos.

O projeto também prevê que indivíduos em posições privilegiadas que participam dos atos terão agravante na pena. Esse conceito inclui servidores públicos, diretores, administradores, gerentes ou funcionários das empresas que promovam, emitam, distribuam ou vendam os ingressos. Se forem pegos, as penas para eles sofrem aumento de 33 a 50%.

Já existia lei que tratava do cambismo como crime, mas ela abrangia apenas eventos esportivos, como partidas de futebol. Caso o projeto seja aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Lula, a conduta será criminalizada para qualquer evento.

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Cultura

Semana da Dança segue com programação até segunda-feira em Canoas

Redação

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O sexto dia de apresentações da 12ª Semana da Dança de Canoas celebrou a inclusãopara jovens portadores de deficiência. O Teatro do Sesc teve ampla lotação na tarde da quinta-feira, 25. Dez grupos de quatro escolas (três públicas e uma particular) participaram da programação, que segue com espetáculos gratuitos em espaços da cidade até a próxima segunda-feira, 29.

Para Vitória Titton, agente de cultura do Sesc, esta edição é exitosa sob vários aspectos. “A gente vê a evolução do evento e o crescimento do público e dos grupos envolvidos. A Semana é uma oportunidade para fomentar toda uma cadeia que gira em torno dessa iniciativa, valorizando profissionais que atuam dentro e fora do palco. Temos mais de 40 grupos na cidade, e a presença das escolas e de instituições privadas com seus próprios grupos é cada vez maior também”, avaliou.

A Mostra Estudantil e de Projetos Sociais contou com a participação do Grupo Amar Elo, com o espetáculo “Nossa Identidade é a Felicidade”, Pestalozzi Grupo de Dança (Quase Calmos, Nosso Feeling), Tereza Francescutti (Fearless x Antifragile Remix, Hypercunt, Michael Tribute, It’s ur on tape), Gomes Jardim Em Cena (O tempo, Estoque de brinquedos), Dancing JPS (Arte e movimento).

A temática condutora da programação deste ano é “Ancestralidade, Corpo e Memória”. Espetáculos e ações formativas são destinados para o público em geral e para profissionais da dança. A 12ª Semana da Dança de Canoas é promovida pelo Sesc, em parceria com o Colegiado de Dança e a Prefeitura Municipal.

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