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14/01/2026
 

Cultura

SAPUCAÍ: enredos são marcados por Literatura, mitos e história

Redação

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SAPUCAÍ: enredos são marcados por Literatura, mitos e história

Por Daniela Uequed e Douglas Angeli

Boa parte dos desfiles do grupo especial do carnaval carioca que acontecem nos próximos dias de 11 e 12 de fevereiro, serão conduzidos por leituras da história, das mitologias e por adaptações de livros. Os enredos, concebidos pelos pesquisadores e carnavalescos, são ao tema dos sambas, das alegorias, fantasias e demais quesitos. Quatro escolas usarão este recurso: Portela, Grande Rio, Unidos da Tijuca e Paraíso do Tuiuti.

Já os mitos e lendas ligados a Portugal serão tema da Unidos da Tijuca, enquanto o Paraíso do Tuiuti exaltará a figura de João Cândido, líder da revolta da Chibata em 1910.

Portela

A Portela, dos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga, prepara uma adaptação da obra de Ana Maria Gonçalves, Um defeito de cor, enquanto a Grande Rio, dos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, baseia seu enredo no livro Meu destino é ser onça, de Alberto Mussa.

Na primeira, o olhar está na história da luta contra a escravidão no Brasil tendo como  condutor o protagonismo de Luzia Mahin e de Luís Gama, mãe e filho.

A luta contra a opressão estará presente na Portela. No livro Um defeito de cor, Ana Maria Gonçalves se inspira na figura de Luiza Mahin, ou Kehinde, narrando a saga de sofrimento, rebelião e a busca por reencontrar seu filho, que, liberto, se tornaria o advogado abolicionista de Luís Gama. Os carnavalescos da Portela imaginaram uma carta onde o filho responde a mãe, prometendo um desfile onde a tônica será o afeto e o questionamento, como no argumento da sinopse do enredo: “Narrar essa história é como narrar a busca pelo sentido da nossa existência enquanto sujeitos negros ativos neste Brasil. Por que somos? Por que assim fazemos? Por quem lutamos? Em memória do que?”.

No ensaio técnico do domingo, dia 28, a Portela encerrou sua apresentação com a presença de mulheres que se identificavam como “Mães da Maré” e “Mães de Manguinhos”, indicando que a parte final do desfile trará a história de Kehinde para o presente.

Grande Rio

O foco está na cosmovisão tupinambá. Com o mito tupinambá de criação e recriação do mundo, baseado no livro Meu destino é ser onça, de Alberto Mussa. Seu fio condutor é a onça e sua posição central nas narrativas míticas dos povos originários e sua presença no imaginário brasileiro. Os mitos também são o eixo central do enredo da Unidos da Tijuca, mas para falar de outro lado da história e do Atlântico: Portugal.

A sinopse de Um conto de fados, do carnavalesco Alexandre Louzada, apresenta o tom do enredo: “Navegar é preciso, nesse lendário lugar, onde, por mais que se procure diferir, tudo rima com mar, desbravar, invadir, glorificar. […] Dos ilês de África, contidos nas conchas do Ifá, lavar a alma, o espírito de aventureiro de sal e de sol, ao vento, percorrer no intento, contornos do Reino de Matamba até as praias de Zanzibar”.

Tijuca

Contudo, conseguirá a Tijuca executar seu desfile sem incorrer em narrativa acrítica acerca do mito de um povo predestinado a navegar e descobrir? Conseguirá demonstrar que não se trata de uma romantização dos mitos e ideologias que justificaram a dominação colonial de tantas terras e povos?

A cosmovisão tupinambá do enredo da Grande Rio nos lembra que os mares navegados pelos portugueses levaram à colonização da própria natureza, à modificação drástica dos modos de se relacionar com essa natureza e sua exploração – que se deu através da escravização de seres humanos. O que podemos antecipar é que as escolas de samba, mais uma vez, apresentarão um espetáculo que nos permitirá ler e reler o mundo, imaginar e reimaginar a vida, e pensar a vida e o mundo historicamente.

Paraíso do Tuiuti

É com viés de revisitar a história que o carnavalesco Jack Vasconcelos promete contar a vida e a luta de um herói geralmente esquecido: o gaúcho João Cândido, que comandou a revolta dos marinheiros em 1910. Passadas duas décadas da abolição da escravidão, em 1888, e da Proclamação da República, em 1889, a vida dos marinheiros negros não havia melhorado, restando baixos soldos, alimentação ruim e o castigo das chibatadas. Diante de tal cenário, estoura aquela que mais tarde, pelo livro do jornalista Edmar Morel, ficaria conhecida como a Revolta da Chibata.

Esse não é um passado que já não ressoa no presente: em 2023, mais de cem anos após a revolta liderada pelo almirante negro contra as chibatadas, o entregador Max Ângelo dos Santos foi agredido com uma coleira de cachorro por uma mulher branca na zona Sul do Rio de Janeiro. Heroicizando os oprimidos e relendo a nossa história, a Tuiuti convidou Max para representar João Cândido em seu desfile.

História

A aposta na literatura, nos mitos e na história não constitui novidade na trajetória das escolas de samba. A centenária Portela destacou-se nos anos 1960 e 1970 por apresentar obras da literatura em seus desfiles: Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, em 1966, e Macunaíma, de Mário de Andrade, em 1975, entre outros. As mitologias africanas e dos povos originários foram tema de diversos enredos da Beija-Flor de Nilópolis, como A criação do mundo na tradição nagô, em 1978, e O mundo místico dos caruanas em 1998.

Desde os carnavais realizados sob a ditadura do Estado Novo (1937-1945), a história do Brasil foi muitas vezes lida e relida nos desfiles. Dos heróis oficiais, como D. João VI e Duque de Caxias, passando por episódios tantas vezes repisados como a guerra contra os holandeses, a independência do Brasil e a guerra do Paraguai, o que mudou ao longo do tempo foi o enfoque da história dos vencedores para a história dos vencidos, dos oprimidos, dos grupos que lutam por emancipação.

Isso desde os históricos enredos do Salgueiro, que imprimiram protagonismo aos personagens e às lutas afro-brasileiras, como Navio Negreiro, em 1957, e Quilombo dos Palmares, em 1960, até o desfile questionador da Mangueira em 2019, quando a escola apresentou a “história que a história não conta, o avesso do mesmo lugar”.

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Cultura

Dança Swag 2025 celebra a força feminina em espetáculo com mais de 80 bailarinos

Redação

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O palco do Anfiteatro Padre Werner, em São Leopoldo, será tomado pela arte e pela homenagem à mulher na noite de sábado, 20, a partir das 19h. O Swag Dance Studio, de Canoas, apresenta o espetáculo “Dança Swag 2025 – E.V.A. | Ela Vibra Arte”, reunindo mais de 80 bailarinos em uma produção que mistura dança, teatro e canto ao vivo.

Com duração de 1h30, a performance vai além do entretenimento, utilizando a arte como ferramenta de reflexão sobre a história, as lutas e as conquistas femininas. O roteiro passeia por diferentes áreas da cultura e da ciência, trazendo à tona nomes marcantes do cinema, da música e do feminismo.

Um dos destaques do espetáculo é o bloco “Ela Resiste”, que revisita a história de Anne Frank por meio da dança contemporânea. O objetivo do E.V.A. é também evocar figuras como Frida Kahlo e Anita Garibaldi, convidando o público a reconhecer e refletir sobre a trajetória feminina.

O diretor e roteirista da produção, Matheus Costa, CEO do Swag Dance Studio, explica a inspiração por trás do tema:

“Venho de uma família majoritariamente feminina e hoje, com um estúdio composto por 95% de mulheres, observo de perto a força e a resiliência das mulheres. O Dança Swag deste ano nasceu desse lugar: de fazer uma grande homenagem a tudo que as mulheres enfrentaram e conquistaram, transformando o palco em um espelho que reflete o poder e a história feminina.”

Serviço:

Espetáculo: Dança Swag 2025 | E.V.A – Ela Vibra Arte

Data e horário: Sábado, 20 de dezembro de 2025, às 19h (abertura às 18h)

Local: Anfiteatro Padre Werner (Unisinos), Av. Unisinos, 950 – Cristo Rei, São Leopoldo/RS

Ingressos: Disponíveis no TicketCenter, sem taxa administrativa. Opção de Ingresso Solidário mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível. Compre aqui https://www.eticketcenter.com.br/eventos/danca/danca-swag-2025-eva-ela-vibra-arte/20-12/19-00/

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Cultura

Guajuviras recebe hoje sessão gratuita do CineSolar, cinema movido a energia solar

Redação

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O bairro Guajuviras, em Canoas, recebe nesta terça-feira, 2, a 9ª edição do CineSolar, primeiro cinema itinerante do país movido a energia solar. A partir das 18h30, a Praça da Contel será palco de exibições de curtas ambientais e do filme nacional Saneamento Básico, o Filme. A programação é aberta ao público, com distribuição de pipoca e recursos de acessibilidade.

O projeto é viabilizado pela Lei Rouanet, com patrocínio da CPFL RGE e apoio do Instituto CPFL e da Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria de Cultura. A realização é da Brazucah Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Idealizado para ampliar o acesso à cultura e promover a educação ambiental, o CineSolar utiliza um furgão adaptado com placas fotovoltaicas que abastecem toda a estrutura do cinema, incluindo som, projeção, iluminação, cadeiras e tela. O veículo também funciona como uma estação itinerante de ciência, arte e tecnologia, com elementos interativos que explicam a transformação da luz solar em energia elétrica.

O circuito 2025 passou por 35 cidades do Paraná e do Rio Grande do Sul entre outubro e dezembro, tendo Canoas como ponto final da rota. As sessões incluem curtas que apresentam aspectos da cultura chinesa.

Em alguns municípios, o projeto também promove a oficina on-line Oficinema Solar, voltada à sensibilização ambiental e à introdução de técnicas audiovisuais em stop motion. Em Canoas, a atividade foi realizada com estudantes da EMEF Guajuviras, que produziram um curta exibido na programação noturna.

Para o Instituto CPFL, parceiro da iniciativa, o projeto reforça o compromisso com ações culturais acessíveis e alinhadas à sustentabilidade. “As atividades democratizam o acesso à cultura e despertam a consciência para um desenvolvimento mais sustentável”, afirma a head do instituto, Daniela Ortolani Pagotto.

PROGRAMAÇÃO – Canoas/RS

Sessões de Cinema

(filmes com recursos de acessibilidade)

Data: Terça-feira (02/12)

Horários: 18h30 – 1ª sessão: curtas-metragens

19h30 – 2ª sessão: ‘Saneamento Básico, o Filme’

Entrada: livre – não precisa de ingresso

Atração: pipoca de graça e visita ao furgão do CineSolar

Local: Praça da Contel – Rua YY, s/n – Guajuviras – Canoas/RS

Local em caso de chuva: Hangar Cultural Oli Borges – Estrada do Nazário, 3150 – Guajuviras

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Cultura

Primeira sessão do Cinema para Todos reúne crianças na Vila Esperança em Nova Santa Rita

Redação

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Crédito: Fábio Nascimento/PMNSR

A Vila Esperança recebeu, no sábado, 29, a primeira edição do projeto Cinema para Todos, a iniciativa da Prefeitura de Nova Santa Rita que levou uma sessão de cinema ao ar livre para moradores da comunidade. Cerca de 100 crianças participaram da atividade, que exibiu o filme Lilo & Stitch e ofereceu pipoca e algodão doce.

O evento foi organizado pelas Secretarias de Cultura e Turismo e de Desenvolvimento Econômico e Inovação, com apoio do Sicredi e da empresa Webmax. A parceria possibilitou a realização da atividade sem custos para o município, segundo a organização. O objetivo do projeto é ampliar o acesso à cultura e promover ações itinerantes nos bairros.

Durante o lançamento, o prefeito Rodrigo Battistella celebrou o início do projeto e o entusiasmo das famílias.

“É uma alegria imensa ver tantas crianças e famílias reunidas aqui na Vila Esperança. O Cinema para Todos nasce com o propósito de levar cultura, lazer e entretenimento direto aos bairros, aproximando ainda mais a Prefeitura da comunidade. Hoje é só o começo. Queremos que cada família de Nova Santa Rita tenha acesso a momentos como este, que fortalecem vínculos e tornam nossa cidade mais humana e acolhedora.”

O secretário municipal de Cultura e Turismo, Vagner Silva, também destacou o simbolismo da primeira parada.

“Começar este projeto pela Vila Esperança é muito significativo para nós. Preparamos cada detalhe com carinho para que as crianças tivessem uma experiência inesquecível. O Cinema para Todos é um convite para ocuparmos os espaços públicos com alegria, cultura e convivência. Vamos seguir levando essa iniciativa a todos os bairros.”

Para o secretário Rodrigo Feijó, da pasta de Desenvolvimento Econômico e Inovação, o resultado da estreia confirma o propósito do projeto.

“Ver a comunidade reunida e as crianças felizes nos mostra que estamos no caminho certo. O Cinema para Todos cumpre o papel de levar cultura onde as pessoas estão, valorizando os bairros e aproximando ainda mais a gestão das famílias. Este é apenas o primeiro de muitos momentos que queremos construir junto com a população.”

A primeira sessão foi apenas o começo de um circuito cultural que vai percorrer toda Nova Santa Rita, levando diversão, arte e integração social para cada canto da cidade. O cinema saiu da sala fechada e ganhou a rua, a praça e o coração das famílias.

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