Olegar Lopes: “Resolvi passar aos leitores minha convivência com o Parkinson”

Olegar Lopes – Agenda Tradicionalista

Falando de doença

Dia 11 de abril é O Dia Internacional da Doença de Parkinson e, como eu sou parkinsoniano, resolvi passar para os leitores minha convivência com a doença que me atingiu. Com o avanço extraordinário da ciência foram sendo descobertas doenças até então desconhecidas fora dos círculos médicos – muitas ganharam o nome do cientista ou médico descobridor, assim como Alzaimer e Parkinson. A denominação doença de Parkinson é uma homenagem do médico francês Jean-Martin Charcol ao neurologista inglês James Parkinson, pesquisador da DP.

“Não creiam que o tratamento torna a vida normal, melhora a qualidade de vida, com um conforto que vai de médio a muito bom, no entanto esta qualidade de vida diminui progressivamente. Compreendê-lo e ajudá-lo a tratar-se corretamente, vai permitir-lhe conservar ou reencontrar uma dignidade às vezes perdida.

Porque apesar das suas diferenças, os Parkinsonianos são pessoas como nós, podem viver bem e com alegria. A Doença de Parkinson não é unicamente a doença do velhinho que treme, é também a de pessoas de trinta, quarenta, cinquenta anos, que trabalham, têm encargos familiares, têm projetos de uma longa vida pela frente.

Esta doença cerebral é bem mais grave e mais entediante que parece, pois não permite, em muitos casos e por muito tempo, a mesma vida anterior. Esta doença neuro-degenerativa incurável tem, contudo, a possibilidade de ser aliviada e ajudada de múltiplas maneiras. O tratamento é apenas paliativo, sem cura no momento e a degradação progressiva é inexorável, com ou sem cirurgia: não há atualmente tratamento milagroso para a doença de Parkinson”. Este é um trecho retirado do livro do amigo também parkinsoniano (Milton Ferraz Hennemann).

Mas, porque escrevi sobre a Doença de Parkinson? Resolvi escrever sobre a doença descoberta pelo Dr. Parkinson porque, no ano de 2011, fui diagnosticado portador da Doença de Parkinson. A doença atingiu o lado direito do meu cérebro – menos mal que não foi os dois lados. A doença de Parkinson é decorrente da falta de dopamina, uma substância química que ajuda a comunicação entre as células. O tratamento baseia-se na reposição da dopamina pela administração do medicamento Prolopa, que é a associação de duas substâncias: a levodopa e a dopamina.

Assim a companhia do ‘senhor’ Parkinson acabou por me privar das atividades tradicionalistas as quais me dediquei por mais de trinta anos. Se Deus quis que fosse assim, me restou aceitar a doença com resignação, embora nos imponha muitas limitações, como a Acinesia que é a micrografia – os dedos ficam inábeis a movimentos finos nos privando de escrever – o que mais me incomoda, os movimentos ficam lentos, dificuldade para andar. Por ser uma doença degenerativa as limitações aumentem a cada ano que passa. Mas vou me virando com o computador e assim levando a vida.      

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