Olegar Lopes: “Cenas de um galpão urbano”

Olegar Lopes – Agenda Tradicionalista

Cenas de um galpão urbano

A convivência galponeira urbana apresenta situações bem distintas das de um galpão de campanha, o que é muito natural, aliás, como deve ser a convivência de inclusão social urbana. Enquanto uns usam a indumentária tradicional gaúcha, outros trajam as vestes do dia a dia – de trabalho ou de passeio. Outros mais à vontade, de bermudas (calça curta) e chinelo, mas todos reunidos para tratarem das tarefas que caberão a cada um. Entre uma cuia de chimarrão e outra, símbolo da hospitalidade, geralmente surge alguma latinha ou um martelo para pregar o chasque. 

O patrão, em local previamente reservado para ele e os capatazes, tentam organizar e distribuir as tarefas para os próximos rodeios e cavalgadas. Em alguns momentos, quando alguma tarefa não agrada a um ou outro peão – o que acontece com frequência – já surge o bate-boca, em tom bem elevado entre peões, patrão e capatazes, tudo para justificar que o gaúcho é gritão por natureza. Como um dia disse o poeta “o galpão é a catedral dos pampas” e para honrar e manter nossas tradições, “nossas façanhas devem servir de exemplo a toda a terra, seja num galpão urbano ou de campanha”. 

No final, com o ambiente envolto pela fumaça e pelo aroma que exala da panela de ferro em cima do fogão campeiro, o patrão anuncia que – para encerrar e selar a paz, embora esta não tenha sido quebrada – o peão caseiro vai servir um carreteiro de charque. Tudo isso para mais uma vez se manter a tradição, pois em reunião de gaúcho o peão não vai pra casa com barriga vazia.      

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