Filha dá adeus a mãe em carta e conta quem foi Elenir Rattay Pinzon

Diante da grande responsabilidade de escrever uma homenagem póstuma para minha preciosa e amada mãe Elenir Rattay Pinzon, inicio lembrando da letra da sua música preferida: “Felicidade foi se embora/ E a saudade no meu peito ainda mora”, que traduz bem o momento em que estou vivendo. Creio que este é o texto mais difícil que já escrevi na vida. Posso certamente afirmar que minha querida na vida realmente foi Grande.

Apesar de ter passado uma infância muito humilde e sofrida no interior do RS, veio para Porto Alegre, com apenas 14 anos, trazendo na bagagem pouco estudo, (4ª série do ensino fundamental), alguns trocados doados pela Paróquia Católica do Município de Soledade, e muitos sonhos e disposição para trabalhar, ficou viúva aos 23 anos, e criado uma filha sozinha, enfrentando toda sorte de preconceitos e dificuldades exacerbados na época (década de 70); conseguiu vencer a todas as dificuldades e formou-se em Direito pela Universidade Ritter dos Reis, se tornando uma advogada competente e atuante, sempre na defesa dos mais humildes.

Foi uma jovem guerreira que importando-se com a triste realidade dos menos favorecidos, em especial aqueles não possuíam teto, decidiu participar da política municipal, desejando uma vida digna e oportunidades melhores para todos, foi apoiadora da comunidade e integrou a equipe de defesa dos direitos de posse da ocupação do Conjunto Habitacional Guajuviras, tendo sido candidata a vereadora nos pleitos de 1988 e 1992, obtendo para a época expressiva votação, porém, infelizmente não logrando índice necessário para ocupar uma cadeira no legislativo municipal. O que lhe causou alguma decepção à época.

Ela seguiu em frente sua missão como advogada, tendo auxiliado muitas comunidades a obter regularizações de suas moradias, sendo que, atuou na defesa das comunidades do Guajuviras e também na comunidade da 7 (sete) de Outubro, onde foi uma das fundadoras da associação dos moradores, auxiliando e organizando àquela comunidade na defesa dos seus direitos e na regularização das terras ocupadas, obtendo o feliz resultado do direito dos moradores permanecerem com suas casas até hoje.

Muita Gratidão! Por tudo que fizeste por mim. E por teres trilhado comigo até agora esta caminhada. Eu te amo. Sempre vou te amar! Minha princesa, minha musa, minha preciosa…

Amor e Gratidão eterna, da tua filha enlutada,  Daniela dos Santos Viana Da Cunha”.

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