Entrevista: Robson Medeiros fala sobre desenvolvimento e retirada da Prefeitura do Centro

O comerciante Robson Medeiros sempre esteve presente nas lutas pela melhoria do ambiente de negócios, do desenvolvimento e da criação de empregos e geração de riqueza na cidade de Canoas. É um dos fundadores e foi presidente da Associação dos Jovens Empresários de Canoas em 1994. No ano seguinte, em 1995, exerceu a vice-presidência da Federação dos Jovens Empresários do Rio Grande do Sul.

Robson também exerceu a presidência do Sindilojas em Canoas por seis anos. Foi o mais jovem presidente eleito em 2003 e reeleito para o mandato seguinte. Nesta entrevista, Robson Medeiros fala sobre a necessidade de ampliar o debate sobre o desenvolvimento de Canoas, começando pela polêmica ideia da retirada da Prefeitura do Centro da cidade.

Jornal Timoneiro – Por que, em sua opinião, a Prefeitura não deve sair do centro?

Robson Medeiros – Esta é uma pergunta fora do tempo.  Existem vontades administrativas antes e pós-pandemia. A covid nos impôs uma lógica tecnológica, pois aprendemos a trabalhar tecnologicamente em 90 dias o que faríamos em cinco anos. A administração pública precisa aprender com isso. Em segundo lugar, nos próximos cinco anos é possível que alguém se dirija a algum órgão público por ele estar localizado aqui ou ali? Claro que não. Será tudo no ambiente virtual. A administração deve focar na atividade fim, que é saúde, educação, segurança e cuidado com as pessoas. A Prefeitura deve continuar no Centro.

Timoneiro – Como foi a sua formação dentro da política empresarial? Ser o presidente mais jovem do Sindilojas ajudou na nesta formação?

Robson Medeiros – O que sempre me chamou a atenção em tudo que participei e trouxe como grande aprendizado é que o fundamental para a sociedade é avançar e criar consensos. Aprendi muito cedo que para desenvolver a economia precisamos planejar, conversar e termos consenso em questões centrais. E dou um exemplo claro: a cidade de Gravataí, no auge do governo Antônio Britto no estado, e o petismo administrando a cidade. Naquele momento, a cidade de Gravataí viveu um consenso. Disseram sim ao desenvolvimento e toda a sociedade ganhou, no caso, a vinda da montadora da General Motors.

Timoneiro – Você participou do governo estadual e municipal, como fez este link da sua atividade profissional com a atividade pública?

Robson Medeiros – Foi uma satisfação ter participado de duas administrações antagônicas. Isto reflete a minha vocação para conversar e buscar soluções. Em segundo lugar, as pessoas, os cidadãos, não querem saber qual é o teu partido. Eles simplesmente querem que tu entregues o serviço, que a promessa seja cumprida. É como vender e entregar um produto satisfazendo a vontade do cliente. E o cidadão está cada vez mais esclarecido e não suporta mais pagar e não receber um serviço de qualidade.

Timoneiro – Qual a sua observação a respeito do desenvolvimento atual de Canoas?

Robson Medeiros – Inicialmente, devemos fazer um pacto pelo desenvolvimento, junto com as entidades de trabalhadores, patronais, universidades e poder público. É fundamental reencontrarmos a nossa vocação, uma cidade com a refinaria de petróleo, próxima ao polo petroquímico, precisa dedicar-se a serviços nesta área. Também somos um polo importante de varejo, um centro comercial que tem a mistura de prédios administrativos com as lojas. É importante destacarmos nossos dois shoppings, nossos bairros com comércio bem desenvolvido. O certo é que nossa matriz de desenvolvimento não é mais a indústria metal-mecânica. Isso foi nos anos 1980. Agora precisamos colocar as escolas e as universidades no engendramento desta solução.

Timoneiro – Você foi o primeiro presidente da Associação dos Jovens Empresários. Como está vendo a perspectiva para a geração de emprego e renda em Canoas?

Robson Medeiros – Isto não é uma tarefa fácil. Volto a frisar: precisamos dizer sim ao desenvolvimento. A base para o futuro é a educação, mas hoje, diante das circunstâncias criadas durante a pandemia, precisamos ter uma política pública municipal para oferecermos a cidade como potência para novos investimentos. Isto não é só papel do prefeito; é necessário que haja um ambiente promissor, lideranças legislativas atuantes, entidades preocupadas com o futuro e bons vendedores do ambiente vocacionado para o trabalho. O jovem de Canoas precisa encontrar um ambiente que una conhecimento e trabalho.

Timoneiro – Canoas ganha ou perde por estar perto de Porto Alegre?

Robson Medeiros – Na minha opinião, só ganha. E respondo ainda assim… Quem ganha mais, quem está a 200 quilômetros da Capital ou quem está ao lado? Agora, precisamos ter um pensamento de centralidade e não de periferia na questão do desenvolvimento. Qual é a cidade que tem as universidades que temos e ainda se pode estar a 30 minutos das melhores universidades de Porto Alegre? É esse o ponto, estar ao lado de Porto Alegre só traz benefício para Canoas. Estamos ao lado de onde acontecem os principais debates econômicos do Estado, como Fiergs, Fecomércio e Federasul. Temos a BR-116, com saída para o centro do País e para as fronteiras. Nós, canoenses, subestimamos a nossa capacidade de nos desenvolvermos. Isto não é só papel do prefeito, é papel da sociedade representada no Legislativo.

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