Olegar Lopes: “Ainda sobre a Semana Farroupilha”


Olegar Lopes – Agenda Tradicionalista
Ainda sobre a Semana Farroupilha

Como no início os farrapos ouviam um único general que consultava seus lanceiros sobre as ações e decisões a serem tomadas até então tudo ia bem: os campos do Seival são a prova, pois ali até a República Riograndense foi proclamada. Todo início é muito bom, podemos até andar no lamaçal, dormir ao relento ou sob uma ramada rala, o improviso gera união, companheirismo e respeito. Quando deslumbramos novos horizontes queremos nos expandir na busca de conforto e grandeza, lançamos os lanchões nas areias do Capivari, vencemos até as turbulências oceânicas. Quando chegamos à coxilha desejada onde o campo de batalha não carece mais de trincheiras, é aí que surgem pseudo generais sem estrela que, na ânsia de conquistar migalhas de poder, não respeitam os lanceiros da linha de frente que abriram os caminhos vencendo os obstáculos.

Há dois anos, por motivos de saúde, apenas assisto às comemorações farroupilhas sentado num cepo de angico, porém sempre atento aos combates. Sou um privilegiado me sentindo gratificado por ter participado ativamente desde o primeiro acampamento Farroupilha de Canoas, esse realizado nas dependências do CTG Sentinela do Rio Grande, da Base Aérea de Canoas, na Av. Santos Ferreira, ano de 1992 – após, no Parque Eduardo Gomes. Até 2017 foram 25 anos de participação efetiva. Nesses 27 anos de acampamento farroupilha em Canoas, dez Coordenadores passaram pela coordenadoria regional e todos eles marcaram presença no acampamento – inclusive eu por duas gestões, sendo recebidos pelos patrões com o devido respeito que, como autoridade tradicionalista no território regional, o estatuto do MTG estabelece.

Sentado no meu cepo de angico venho observando o que é notório para muitos: há uma divisão de tropas no acampamento. Isso ficou evidenciado durante a tradicional Sessão da Câmara de Vereadores realizada no Parque, dia 17 de setembro, por ocasião da entrega do Prêmio Tradicionalista João Palma da Silva, concedido ao Coordenador Fabiano Vencato, com o boicote por parte de um grupo de patrões que não compareceram ao ato como protesto ao homenageado. Falta total de respeito à autoridade tradicionalista da qual o Fabiano está investido. Fiquei sabendo que foram patrões de entidades não filiadas ao MTG, mas independente de filiada ou não, se são tradicionalistas, gostando ou não do cidadão cabe respeitá-lo como autoridade tradicionalista.

Sentado no meu cepo deixo um alerta: é necessário que o Acampamento do Ponche Verde seja ativado e ao pé do Obelisco da Paz um novo tratado seja assinado por tradicionalistas canoense.