Canabarro Tróis filho: “Será que não fizemos suficiente para merecer este mundo hoje?


Canabarro Tróis filho
Não fizemos a lição de casa?

Ah, os anos 40 e 50… Vivíamos em paz, tudo era prazeroso, o trabalho era pouco e leve, mas sobrava a fraternidade, o namoro e sinais do amor.

Subíamos e descíamos a longa da rua Coronel Vicente, no vaivém entre o colégio lassalista e nossas residências, que ficavam quase em esquinas da rua Doutor Barcellos. Além dos livros escolares, levávamos algum subversivo… O Gordo Ivo apelidou a rua de “avenida das letrinhas”, aludindo ao nosso hábito de sempre ter livros no sovaco.

Ah, aquele tempo como era bom! Fraternidade, respeito mútuo, música, livros, esportes, namoros… Vivíamos uma vida para cuja qualidade nada havíamos feito. E será que fazíamos o suficiente para merecer este mundo hoje? Melhor, não será mais justo perguntar se não fizemos o bastante para que o mundo tivesse mais justiça e paz? Estamos pagando o preço de nossa omissão?

Bagagem

“Nos contratos mais simples palavra não basta, é preciso botar o preto no branco, e sofrer penalidades quando não os cumprimos. Essa regra não vale para os políticos, que falam, falam, botam o preto no branco, não cumprem, mas só estão sujeitos a uma lotérica recusa eleitoral. Queremos uma nova regra de comportamento político, em que os programas valham como contratos, e que os responsáveis paguem por seu descumprimento. Os candidatos ou os partidos que lhes dão legendas”. (O Timoneiro, 10 de agosto de 1990).