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04/02/2026
 

Opinião

Tito Guarniere: “Com Lira e Pacheco o Brasil continuará andando de lado e em marcha lenta”

Redação

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Tito Guarniere

NOVA DIREÇÃO, VELHOS VÍCIOS  

O Palácio do Planalto está eufórico com a vitória dos seus aliados para as presidências do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. Mas o presidente da República Jair Bolsonaro e os seus arautos deveriam conter o entusiasmo – é vitória à qual falta substância, matéria altamente perecível, no ambiente flácido, volátil dos senhores deputados e senadores.

Logo ao primeiro embate real, à primeira votação importante de interesse do Planalto, novas faturas serão apresentadas no guichê do Tesouro – onde falta dinheiro para tudo, menos para assegurar o apoio da maioria nas casas do Congresso, principalmente na Câmara dos Deputados. As verbas e cargos agora concedidos só quitam os votos dados a Pacheco e Lira. Finalizado este episódio, a cada nova votação será necessário combinar novos, por assim dizer, emolumentos.

Aquela massa disforme que chama de Centrão é insaciável. Bolsonaro mergulhou fundo na bacia das almas para eleger os seus preferidos. Não tem volta: daqui para frente ou ele paga a conta cada vez que precisar, ou receberá em troca retaliações e derrotas no Parlamento.

Se ao menos a troca de favores entre Executivo e Legislativo tivesse em vista um plano, uma votação decisiva, uma lei estruturante, impopular mas necessária, objeto de disputa entre interesses conflitantes (como é o caso das reformas administrativa e tributária), então haveria uma justificativa. Mas da forma como se deu, e como se dará daqui para frente, não obedece a nenhum critério de interesse público. Há um obstáculo intransponível: o governo Bolsonaro tem uma noção vaga, confusa e contraditória do que quer, governa aos espasmos, não tem plano, não tem projeto.

Com Lira e Pacheco o Brasil continuará o mesmo, andando de lado e em marcha lenta. O Congresso Nacional seguirá sendo o palco de questões paroquiais, cada parlamentar disputando a tapas o seu quinhão de verbas públicas e de fatias orçamentárias – é o que vale e conta para a reeleição em 2022. Como Bolsonaro, eles, os parlamentares, só pensam naquilo.

A representação parlamentar vem perdendo qualidade a cada legislatura – é uma constatação quase unânime. O Congresso Nacional é um gigante disfuncional e o resultado previsível das suas notórias distorções. A representação é torta – no estado de São Paulo cada deputado federal representa 650 eleitores; em Roraima, 72.

Não há Parlamento que funcione com tantos partidos políticos. Não existe no mundo nada parecido com a cornucópia de agremiações políticas, que nascem da legislação frouxa combinada com a fartura das verbas do fundo partidário. Não são agremiações políticas, mas balcões de negócios.

Não existe a menor chance desse Congresso – e dos seguintes – de ao menos aprovar o voto distrital, a mais elementar forma de baratear o custo de campanha e de aproximar o eleitor do seu representante.

Enfim, as casas do Congresso não correm o menor perigo de melhorar.  Ainda no século passado, quando um interlocutor criticou o baixo nível do Parlamento, o doutor Ulisses Guimarães vaticinou: “Se você acha ruim essa legislatura, espere a próxima”.

titoguarniere@outlook.com

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“O assassinato da paz” (por Carlos Marun – ex-Ministro de Estado)

Redação

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“Tratado de Oslo assinado em 1993” Yasser Arafat, Bill Clinton e Yitzak Rabin

O ASSASSINATO DA PAZ

Por Carlos Marun*

Há exatos 30 anos, em 04 de novembro de 1995, o então Primeiro-Ministro de Israel Itzak Rabin foi assassinado com dois tiros pelas costas por um israelense. Nethaniahu se aproveitou deste crime, praticado por um correligionário seu, para assumir o poder, em eleições é verdade, e transformar-se na figura central da política israelense, sempre agindo no sentido de destruir qualquer chance de Paz.

Israel já havia vencido a Guerra pela sua existência. Isto aconteceu após a Guerra do Yom Kipur, quando em 1978, nos Acordos de Camp David e sob os olhares de Jiimmy Carter, Anwar Sadat assinou com Menahem Begin um tratado de Paz em separado, retirando o Egito da guerra contra Israel.

O Egito era a maior força militar árabe e a partir dali nunca mais Israel correu qualquer risco existencial. Aconteceram vários conflitos com grupos de resistência e até contra terroristas, além de movimentos como as Intifadas, mas guerra de verdade não mais aconteceu. Nem agora.

Rabin entendeu isto e convidado por Bill Clinton foi a Oslo para se reunir com Arafat. O americano os pressionou até que chegassem a um acordo materializado por um aperto de mãos trocado por comandantes que conheciam a guerra e por isto tinham coragem de buscar a Paz. Era o ano de 1993.

Como consequência deste Acordo, Arafat e o Movimento Fatah abandonaram a luta armada, reconheceram a existência de Israel e obtiveram um cronograma de 05 anos para a instalação do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores a Guerra de 1967. Ou seja, pela Paz os líderes Palestinos aceitaram instalar o seu Estado em 13% da área original da Palestina, ficando 87% do território para o Estado de Israel.

Havia o temor de uma rejeição popular a proposta. Mesmo assim, Arafat voltou para a Região e foi eleito Presidente da Autoridade Nacional Palestina com mais de 90% dos votos dos habitantes de Gaza e da Cisjordânia. Ali este povo provou que, como seus líderes, queria a Paz.

Já em Israel as coisas aconteceram de forma inversa. Rabin voltou e encontrou cerrada oposição aos acordos. Convocou uma manifestação peja Paz, e foi ali assassinado.

O pior veio depois. Nas eleições que se seguiram, Nethaniahu, um jovem, ambicioso e politicamente inexpressivo, derrotou um dos pais do Estado de Israel, Shimon Peres. E assumiu o poder com um único objetivo declarado: acabar com o processo de Paz. Ali o eleitorado israelense, infelizmente, provou que, naquele momento, em sua maioria, preferia a guerra.

Nethaniahu enfraqueceu, ludibriou e desmoralizou os movimentos palestinos que acreditaram no estabelecido nos Acordos já citados. Daí se fortaleceu o Hamas.

Os dois tiros que o israelense Yigar Amil acertou nas costas de Rabin não assassinaram somente este líder israelense. Assassinaram também a Paz.

Agora é torcer para que Trump e a gente de boa vontade que vive em Israel, nos Países Árabes e no Planeta Terra consigam ressusscitá-la…

*Advogado, Engenheiro e Ex-Ministro de Estado

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Artigo: “PRÊMIO NOBEL DO CESSAR-FOGO?” (por Carlos Marun – ex-Ministro de Estado)

Redação

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Artigo PRÊMIO NOBEL DO CESSAR-FOGO (por Carlos Marun - ex-Ministro de Estado)

*por Carlos Marun

É evidente que Trump mudou muito depois do fiasco de sua conversação com Putin no Alasca. Estendeu tapete vermelho, trocaram abraços e afagos, falaram em paz e o russo assim que chegou em Moscou mandou bombardear Kiev. E com força até então nunca vista. Me parece que ali o Presidente Americano caiu na real: “Posso muito, mas não posso tudo” deve ter pensado. Certamente não foi fácil para ele se olhar no espelho e concluir que não é um Deus, mas é necessário admitir que as mudanças provocadas em seu comportamento foram para “muito menos pior”.

Vejamos: não mais falou em anexar Canadá, a Groenlândia ou o Canal do Panamá; não estendeu as sanções da Lei Magnitsky aos demais membros do nosso Supremo Tribunal Federal que condenaram Bolsonaro e seus liderados a décadas de prisão; tomou a iniciativa de abrir diálogo com o Governo Brasileiro a respeito das Tarifas; e agora obrigou um contrariado Nethaniahu a aceitar assinar um acordo de Cessar-Fogo com o Hamas. Continua aprontando as suas a nível interno, mas é “um outro Trump” visto de fora. E visto de longe pode até ser considerado um presidente normal.

Tem agora o desafio de fazer com que Nethaniahu cumpra um acordo de cessar-fogo que não deseja cumprir. Bibi precisa da guerra para se manter no poder e longe da cadeia. Chegou ao cúmulo de romper unilateralmente um acordo de cessar-fogo anterior ordenando bombardeios em Gaza minutos antes de depor para o Judiciário Israelense em um caso de corrupção. Foi dispensado do interrogatório porque a “guerra” tinha recomeçado. Vai fazer de tudo para que este cessar-fogo também não dê certo.

Ele é um inimigo declarado da Paz. Ao assumir o poder, em função do assassinato de Rabin, sepultou os Acordos de Oslo articulados por Bill Clinton, causando inclusive constrangimento. Não pense Trump que não pode tentar fazer isto também com ele.

Aí um Trump corajoso e decente, que exija o cumprimentos dos compromissos que ele avslisou, será mais do que necessário. É certo que está sendo heróica a resistência do Povo Palestino. É verdade que foram importantes as posições de países como o Brasil e África do Sul que desde o início repudiaram esta resposta genocida. Foi justa a ordem de prisão emitida pelo Tribunal Penal Internacional contra o Primeiro-Ministro israelense por crime de genocídio. Foram também importantes os reconhecimentos ao Estado Palestino promovidos por vários países há alguns dias, em especial França, Reino Unido e Austrália. Contribuiu muito o boicote promovido na ONU por dezenas de países que se retiraram do plenário e deixaram Nethaniahu na ridícula posição de falar para as paredes. Foi louvável a coragem dos participantes da “Flotilha Humanitária” que partiu para Gaza e terminou nas prisões de Israel, mas que levou milhões de europeus as ruas em protestos contra o genocídio. É meritória a ação de todos aqueles que no mundo pelas mais diversas formas expuseram a sua indignação frente ao que acontecia.

Porém nada é tão importante quanto este novo posicionamento americano. Por que? Porque os EUA são os garantidores deste acordo e tem verdadeiro poder sobre Israel. Se não o utilizou até agora foi porque não quis. Dou um exemplo: se não fossem os mísseis americanos “Patriots”, operados por militares americanos de dentro de Israel, teríamos assistido imagens de Tel-Aviv que pensaríamos até tratarem-se de fotos de Gaza quando os Alatoiás decidiram reagir com saraivadas de mísseis as provocações israelenses. Tudo é importante, mas no caso, só os EUA e Trump são imprescindíveis.

É sabido que, na sua megalomania, Trump deseja ser agraciado com um Premio Nobel da Paz. Porém, penso que ele só será digno disto se realmente conseguir efetivar a instalação de um Estado Palestino viável ao lado de Israel, e com o reconhecimento mútuo entre ambos. Ele tem poder para isto. Que o faça e receba então este reconhecimento que será justo.
Este é o caminho para a Paz e estaremos torcendo para que ele seja percorrido…

Por enquanto merece um louvável “Prêmio Nobel do Cessar-Fogo”, mas este prêmio não existe…

*Advogado, engenheiro e ex-Ministro de Estado

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Artigo: “CESSAR FOGO JÁ!!!” (por Carlos Marun – ex-Ministro de Estado)

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Artigo CESSAR FOGO JÁ!!! (por Carlos Marun - ex-Ministro de Estado)

CESSAR FOGO JÁ!!!

*por Carlos Marun

Desejo a aceitação pela Resistência Palestina do plano de trégua proposto por Trump. É óbvio que existem razões de sobra para a desconfiança em torno das intenções da besta-fera genocida chamada Nethaniahu. E confiar em garantias oferecidas pela metamorfose ambulante chamada Trump é coisa difícil. Mas é o que temos. E é urgente uma trégua que possa avançar para a paz antes que todos os habitantes de Gaza encontrem a morte provocada por bombas, fome, sede ou falta de remédios.

Os habitantes de Gaza já ofereceram ao mundo um inédito exemplo de resiliência, de coragem e de amor a sua terra. Mas agora merecem uma chance de sobreviver. E Nethaniahu já demonstrou que é suficiente mau para levar a efeito uma “Solução Final” para os Palestinos, coisa que Hitler tentou e felizmente foi impedido de concluir em relação aos Judeus.

Além dos Palestinos, os reféns ainda vivos também merecem sobreviver e os jovens soldados israelenses merecem parar de morrer. Já são 913 os militares israelenses mortos em enfrentamentos terrestres, tudo isto para a libertação de somente 7 reféns em combates.

A reação interna em Israel, onde os israelenses de bem que são muitos repudiam este massacre e exigem a volta dos reféns vivos, os últimos reconhecimentos ao Estado Palestino e o vexame imposto a Nethaniahu com a saída de diversas delegações do plenário da ONU no momento da sua fala pelo jeito abriram os olhos de Trump. E os interresses dos EUA na região são muitos e maiores do que simplesmente permanecer sustentando e apoiando o sanguinarismo de Bibi.

Pelo menos a perspectiva de retirada das tropas israelenses de Gaza e da instalação do Estado da Palestina estão presentes no documento proposto e este é o único caminho para a Paz.

Na sequência será hora de os homens e mulheres de bem que vivem na Terra buscarmos a punição de Nethaniahu. Os líderes do bárbaro atentado terrorista de 07/10/2023 já estão mortos. Falta agora a punição daqueles que desde aquele dia praticaram o Terrorismo de Estado matando e esfolando civis em uma Gaza onde não existe sequer uma única arma anti-aérea.

Julgamento e cadeia para Nethaniahu!!!
O Mundo precisa deste exemplo…

*Ex-ministro de Estado

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