Prefeitura encerra projeto do aeromóvel e investe em plano de mobilidade

A Prefeitura de Canoas vai aplicar o valor remanescente do financiamento contraído pela gestão anterior para a implantação do aeromóvel em um projeto de mobilidade para toda a cidade. O valor atualizado, que é de R$ 223 milhões, será investido, segundo a atual gestão, na recuperação de 90 km de vias, com priorização do transporte coletivo, revitalização do terminal Mathias Velho e a construção de 40 km de ciclovias.

A alteração ocorreu após uma negociação da atual administração da Prefeitura de Canoas com a Caixa. O financiamento original, de R$ 272 milhões, contratado durante a administração de Jairo Jorge (PDT) seria utilizado para a construção da linha 1 do aeromóvel. A mudança foi aprovada pela Câmara Municipal de Vereadores, na quarta-feira, 13. O projeto de Lei (PL) apresentado foi aprovado por 19 votos a 2, tendo votado contra apenas os vereadores Dario (PDT) e DJ Cabeção (PDT). Os vereadores alegam que faltou tempo de discussão sobre a matéria do projeto. O prefeito Luiz Carlos Busato (PTB) discorda: “Dois votaram contra por motivos políticos. É história pra boi dormir. O Jairo Jorge entrou em contato com diversos vereadores tentando convencer a votar contra por que fica ruim pra ele. Tem gente que prefere a politicagem do que a boa política. Votaram contra a cidade”.  A proposta aprovada determina o encerramento da operação financeira contratada para o projeto do Aeromóvel em 2014, no valor de R$ 287 milhões, e a reutilização do saldo nos eixos estruturais de mobilidade urbana.

Projeto

De acordo com a Prefeitura, o projeto de mobilidade é muito mais amplo do que o previsto no aeromóvel, pois envolve 14 dos 18 bairros de Canoas e, portanto, contempla moradores de todos os quadrantes. “Vamos pegar esses milhões e vamos aplicar na cidade toda. Isso é uma clara demonstração de o quanto nos estávamos certos em não querer o Aeromóvel.”, afirma o prefeito Busato (PTB). A primeira etapa do projeto previa a ligação entre o bairro Guajuviras e a estação Mathias Velho da Trensurb, em uma extensão de 4,6 km. O aeromóvel não terá continuidade após longo processo de análise técnica e jurídica e de apontamento da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan).

Nulidade dos contratos com Aeromóvel

Em fevereiro de 2019, o prefeito Luiz Carlos Busato determinou a nulidade dos contratos, após conclusão do processo administrativo que discutiu o vínculo do Município com a empresa Aeromóvel. Ainda, de acordo com Busato, as mudanças liberam a Prefeitura para começar a nova licitação do Transporte Público. “Agora só dependemos do plano de mobilidade e no ano que vem sairá. Estamos libertos desse entrave”, completa.

Sessão

O PL havia sido incluído na Ordem do Dia da sessão ordinária de terça-feira, 12. O secretário municipal de Projetos Estratégicos, Odir Luiz Baccarin, chegou a fazer uma breve apresentação da proposta em Plenário, mas a discussão acabou adiada devido a dúvidas apresentadas por parte dos vereadores. Na quarta-feira, 13, técnicos da Prefeitura estiveram na Câmara para responder aos questionamentos dos parlamentares e, no final da tarde, houve a convocação de sessão extraordinária para votar a proposição.

A nova operação está formatada em cinco eixos:

Eixo 1 – Amortização de Dívida do Contrato de Financiamento nº 415.700-51/2014 – Etapa I – Implantação Aeromóvel, no valor de R$ 60.432.272,60;

Eixo II – Implantação da Rede Complementar Multimodal de Mobilidade Urbana e revitalização do terminal Mathias Velho, no valor de R$ 76.627.947,00.

Eixo III – Implantação da Rede Cicloviária conectada às estações da Linha Trensurb, no valor de R$ 12.600.000,00.

Eixo IV – Implantação da Rede Estrutural Multimodal de Mobilidade Urbana composta por sistema Troncalizado de BRS, no valor de R$ 108.081.402,60.

Eixo V – Implantação da Rede de Acessibilidade da Área Central do Município, no valor de R$ 26.695.500,00.