A Administração Municipal de Canoas decidiu tornar definitiva a adoção do turno único no serviço público municipal. A medida, que já vinha sendo testada em caráter experimental nos últimos quatro meses, visa, segundo o Executivo, garantir a austeridade nos gastos públicos e a eficiência da máquina administrativa. No entanto, a decisão gerou uma forte reação contrária de diversos setores produtivos da cidade, que temem impactos negativos no desenvolvimento econômico e no atendimento ao cidadão.
A justificativa da Prefeitura: Austeridade e Motivação
De acordo com o prefeito Airton Souza, em fala durante evento de anúncio do passe livre definitivo no dia 27 de fevereiro, a decisão foi baseada em estudos técnicos que apontaram a necessidade de um controle mais rígido das despesas. O objetivo central é “enxugar a máquina” para equilibrar as contas, mesmo diante de uma arrecadação considerada boa.
“Nosso governo persegue desde o primeiro dia uma austeridade na economia com os gastos públicos”, afirmou o prefeito. Ele destacou que a medida permite economizar em itens como materiais de higiene, energia elétrica, telefone e internet. Além da questão financeira, Souza apontou um ganho na gestão de pessoas: “Entendemos que esse é um instrumento muito importante porque vamos economizar e também muito mais motivação do servidor que chega em um meio turno”. O prefeito informou ainda a criação de uma comissão para analisar contratos e otimizar a entrega de serviços à população.
Entidades manifestam preocupação com o ambiente de negócios
Apesar dos argumentos da prefeitura, o Fórum das Entidades Empresariais de Canoas manifestou oficialmente sua preocupação com a medida. Em ofício encaminhado ao Executivo, o grupo reconhece os desafios fiscais, mas ressalta que mudanças estruturais no funcionamento da prefeitura afetam diretamente a atratividade de novos investimentos e a dinâmica urbana.
Entre os principais riscos apontados pelas entidades estão:
– Atraso em processos essenciais: possível lentidão na liberação de licenças, alvarás e análises técnicas necessárias para a atividade econômica.
– Impacto no fluxo urbano: a redução do horário de atendimento diminui a circulação de pessoas, especialmente no Centro, prejudicando o comércio local.
– Necessidade de modernização: o Fórum defende que qualquer ajuste na jornada deveria ser acompanhado de uma digitalização integral de processos para não prejudicar a eficiência.
Comércio teme prejuízos e critica redução de carga horária
O setor varejista também expressou descontentamento. O presidente eleito do Sindilojas Canoas, Adnan Abed Zarruq, afirmou que o sentimento de preocupação é unânime entre as lideranças do Fórum das Entidades. Para ele, a economia gerada pela Prefeitura é pequena diante do potencial prejuízo para a cidade, que ainda tenta se recuperar das enchentes de 2024.
“Um município que quer se reerguer aumenta o trabalho e não diminui o trabalho”, criticou Adnan. Ele argumentou que a economia administrativa é “inócua” perto dos impactos no setor de serviços, como restaurantes que dependem do fluxo de servidores e da população que busca atendimento no Centro. “A Prefeitura está aí para servir o morador canoense. Como exemplo mundial, o Japão em época de crise aumentou a carga horária para colocar o país nos eixos. Nós estamos na direção contrária”, afirmou o representante do Sindilojas.
Presidente eleito do Sindilojas Canoas, Adnan Abed Zarruq
As entidades empresariais agora buscam uma audiência com o Executivo para tentar construir alternativas que conciliem o equilíbrio das contas públicas com a manutenção da eficiência e do estímulo ao desenvolvimento econômico de Canoas. Acompanhe no Instagram de O Timoneiro as falas em vídeo e mais informações sobre o tema.