A história de amor de Muhammad Hamed Ahmad Hamad, o Antônio, com Canoas

Arquivo pessoal

A marca de chegada em Canoas de Seu Antônio, Muhammad Hamed Ahmad Hamad, nascido na Palestina, foi no dia 15 de janeiro 1955, aos seus 19 anos. Acompanhado de mais dois primos, que saíram com ele de Beirute com destino a Santos (SP), permaneceu em Bauru com outros dois primos que falavam português e que na época cobraram cerca de $80 dólares em mercadoria pela estadia.

Recém-chegado em Porto Alegre, num hotel pequeno e antigo da capital, de apenas dois pisos, no dia seguinte, perguntou a um patrício como se dizia calça, camisa, saia… o que na época não era fácil para ele. “Se eu tinha dinheiro, voltava no dia seguinte, porque tinha roupa barata. Vendia na praça, no estilo ‘paga se puder’. Comecei a mascatear em Canoas, e ia a Morretes e outros lugares a pé; num dia fomos e voltamos de Santa Rita caminhando, eu e Fernando ‘Abed Muhammad Zarruq’, sob muito frio. Às vezes, algum caminhão nos dava carona”.

Foi aí o começo de comercialização em Estância Velha, Fátima, Mathias Velho, Harmonia. “Então começamos a aprender. Depois de três anos abri uma loja na Rua Araçá, por nove anos. Começamos a encher as prateleiras. Ia a São Paulo, onde ficava três dias, e conseguia mercadoria”.

O mais antigo

“Vieram turmas de patrícios de São Paulo, mas no início éramos somente eu e Fernando como mais antigos palestinos em Canoas. Logo em seguida comprei uma casa de comércio no Calçadão, a loja Sibrama”.

“Saímos de lá com coragem”

“Tem que fazer; ter coragem para fazer acontecer. Abrimos outra loja, sempre indo a São Paulo para trazer produtos, de ônibus. Pouco a pouco fomos cultivando amizades. Então comprei outra casa antiga, na Rua Fioravante Milanez”.

Ampliação dos negócios e filhos

“Aos poucos fomos comprando outros itens, limpávamos a loja e tomávamos banho de bacia, não havia chuveiro, e era inverno. Minha primeira filha foi a Laila, depois o Riam, Tonic, e depois, no segundo casamento, o Anuar.

1964

Foi o ano em que Antônio, por avião, enviou medicamentos à população palestina. Retornou à Palestina com a família em mais quatro vezes.

Atividades atuais

Perguntado por nossa reportagem sobre suas atuais ações, Mohamed respondeu que com 87 anos está ao lado do filho de 23, ajudando-o. “Não tem o mesmo pique”, conta rindo.

Futuro

“Eu sempre fui religioso e honesto. Duvido alguém falar que Antônio Mohammad deve um centavo para alguém. E graças ao bom Deus, nunca pensei em fazer concordatas ou quebrar a firma para ganhar seguro e não pagar fabricantes. Eu sempre pensei em trabalhar até morrer”.

“Semanalmente, íamos conversar com o empresário Jorge Uequed, pai do deputado Jorge, um libanês de alto amor pelo Oriente”, concluiu Antônio.

 

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here