Canabarro Tróis filho: “Os retratos consolam a minha solidão”


Canabarro Tróis filho
Eles vivem nas fotos

Que saudade! Falta o ar…
Estou cercado de retratos. Avós, mãe, pai, esposa, filhos, algum amigo, todos lado a lado, enfileirados à minha vista, cada um reaparecendo na memória e doendo na saudade.

Dois retratos, um deles de amigos, até me acompanham quando não os olho. Meu pai e minha mãe, ainda não como tais, estavam em lua de mel, no chalé da Praça XV, de Porto Alegre. Ele, vestindo inclusive colete, já mostrava a seriedade que manteve até morrer. Ela, com seu olhar manso, já anunciava a doçura que teria para vencer os dias que enfrentaria. Na outra foto, o bom baiano Nemésio Miranda de Meirelles, que chegou aqui nos anos 30, para ficar trabalhando pela cidade, dançava com sua esposa, Filomene Nienow, de família histórica. É comovente o modo como ele a abraça, como se temesse que ela desaparecesse; então, a sustenta no ar, carinhosamente. Por feliz coincidência, ninguém mais aparece na foto, eles estão no centro, em primeiríssimo plano.

Ah, essas fotos dão sentido e tranquilidade à minha solidão. Meus familiares e amigos, congelados pela máquina, recuperam gestos, atitudes, vivem de novo, na medida em que minha saudade sufoca.