Policial
Facção de Porto Alegre é alvo de operação com mais de 150 mandados em cinco Estados

A Polícia Civil cumpre, nesta quarta-feira, 26, 33 mandados de prisão preventiva e 121 de busca e apreensão contra integrantes da maior facção criminosa de Porto Alegre. A operação mobiliza cerca de 480 policiais e ocorre simultaneamente no Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás, Tocantins e Santa Catarina.
No Rio Grande do Sul, as ordens judiciais são cumpridas em Porto Alegre, Gravataí, Alvorada, Viamão, Charqueadas e Novo Hamburgo. A investigação é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e começou há um ano e três meses. Segundo a apuração, o grupo possui ramificações em outros Estados e conexões com o Paraguai.
A investigação aponta o envolvimento da organização em crimes como tráfico de drogas e armas, homicídios, clonagem de veículos, aliciamento de menores e lavagem de dinheiro.
“Nós temos uma organização criminosa já há bastante tempo enraizada em território gaúcho, com conexões interestaduais, inclusive transnacionais, principalmente com o Paraguai, com o tráfico de armas, munições e explosivos sob encomenda, a clonagem de veículos sob encomenda, o tráfico de entorpecentes, a constituição e o financiamento de organização criminosa armada, o aliciamento de menores e, paralelamente, dois grandes núcleos de lavagem de capitais.” analisa a delegada Fernanda Amorim, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, do Deic.
Entre os alvos dos mandados de prisão, 13 já estão no sistema prisional. Estão nessa lista Luís Fernando da Silva Soares Júnior, de 38 anos, conhecido como Júnior Perneta, que está no sistema penitenciário federal, e Cristian dos Santos Ferreira, o “Nego Cris”. Os dois recebem novos mandados nesta quarta-feira.
A operação também prevê o bloqueio de aproximadamente R$ 6 milhões e o sequestro de bens móveis e imóveis em Porto Alegre. Segundo a investigação, as medidas têm como objetivo atingir o patrimônio utilizado pela organização.
“Teremos uma grande quantia em dinheiro a ser bloqueada, nós temos o sequestro de bens móveis e imóveis visando a asfixia financeira desta facção que é considerada a mais violenta do Estado.” afirma a delegada.
Conforme a investigação, a lavagem de dinheiro ocorria por diferentes meios. Um deles envolvia uma empresa apontada como de fachada, utilizada para administrar a cantina da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).
A apuração também identificou suspeitas de homicídios praticados com armas de grosso calibre, além de tráfico de drogas, armas e munições. Entre os crimes investigados estão ainda os arremessos de objetos por drones em penitenciárias.
“Nós temos históricos de homicídios praticados com armamento de grosso calibre, como fuzis metralhadoras, inclusive sendo negociados vindos do Paraguai. Estamos falando de uma organização criminosa com diversas camadas: homicídios, tráfico de entorpecentes, tráfico de armas e munições. Estamos visando o atingimento de ponta a ponta das lideranças que continuam comandando, inclusive outros delitos como os arremessos de drones em penitenciárias, quando segregados em unidades prisionais.” explica a delegada.
Policial
Tio de menina de 4 anos é preso após confessar agressões em Porto Alegre

O tio da menina Samylle Valentina Borba Ramiro, de quatro anos, foi preso na manhã desta quinta-feira, 20, em Porto Alegre. A criança morreu no último domingo 16, após sofrer agressões. Nicolas Gabriel Almeida Staubuss, de 22 anos, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça por homicídio.
O homem foi localizado pela Brigada Militar enquanto caminhava pela Avenida Azenha. Ele estava desaparecido desde o dia da morte da menina. Após a prisão, foi encaminhado à 3ª Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente 3ª DPCA da Capital e deve passar pelo Departamento Médico-Legal DML.
Segundo a investigação, Nicolas ajudou a levar a menina até a UPA Bom Jesus. A criança já chegou à unidade de saúde sem vida.
Em depoimento à polícia, o homem confessou ter agredido a sobrinha. De acordo com a delegada Alice Fernandess, responsável pelo caso, ele afirmou que deu palmadas na menina e disse que essa teria sido a única agressão.
Ainda conforme a delegada, Nicolas relatou que o episódio foi pontual e afirmou estar arrependido. A polícia aguarda o resultado de um laudo pericial para esclarecer a extensão das agressões e as circunstâncias da morte da criança.
Policial
Operação mira grupo suspeito de fabricar armas com impressoras 3D em Canoas

Uma operação da Polícia Civil realizada na manhã desta quarta-feira, 19, investiga um grupo suspeito de fabricar armas de fogo com o auxílio de impressoras 3D para uma facção criminosa. A ofensiva ocorre em cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre, com concentração das ações em Canoas.
Ao todo, são cumpridas 20 prisões preventivas e 14 mandados de busca e apreensão. Além de Canoas, as ordens judiciais são executadas em Portão, Eldorado do Sul, Montenegro, Triunfo e São Leopoldo. Até o momento, 13 prisões preventivas foram realizadas, além de duas prisões em flagrante.
A investigação é conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia de Investigação do Narcotráfico, vinculada ao Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc). A operação, denominada 3D, faz parte da Operação Desarme, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Segundo a investigação, o esquema começou a ser descoberto em novembro do ano passado, quando os policiais localizaram uma fábrica clandestina instalada de forma improvisada em uma residência de Canoas. O espaço teria começado a funcionar entre dois e três meses antes de ser encontrado.
O grupo utilizava impressoras 3D para produzir partes das armas, principalmente a estrutura externa feita de plástico rígido. Essas peças eram posteriormente combinadas com componentes metálicos, como canos, molas e mecanismos de disparo. Os criminosos também fabricavam carregadores utilizando a mesma tecnologia.
De acordo com o delegado Wesley Lopes, do Denarc, além do custo reduzido, a utilização das impressoras dificultava a identificação da origem dos armamentos.
As armas produzidas não possuíam numeração ou registro oficial, o que levou os investigadores a classificá-las como “armas fantasmas”. Segundo a polícia, parte dos armamentos era destinada a uma facção criminosa com atuação no Vale do Sinos, enquanto outra parcela era comercializada pelos próprios integrantes do grupo.
Funções dentro do esquema
A investigação aponta que os suspeitos desempenhavam diferentes tarefas dentro da estrutura criminosa. Entre elas estavam a compra de impressoras, matérias-primas e componentes, fabricação e montagem das armas, ajustes, testes, transporte e distribuição.
Os policiais também apuraram que o grupo pretendia instalar uma segunda unidade de produção em Novo Hamburgo.
O uso de impressoras 3D para fabricação de armamentos pela facção já havia sido identificado pela Polícia Civil no início de 2025. Em março daquele ano, quatro impressoras foram apreendidas em um apartamento de São Leopoldo. No imóvel, os agentes também encontraram 59 carregadores de diferentes calibres produzidos com a tecnologia e semelhantes aos modelos convencionais.
Em janeiro de 2025, policiais de Novo Hamburgo já haviam apreendido dois kits Roni fabricados com material plástico. Os equipamentos são utilizados para modificar pistolas e ampliar sua capacidade de emprego.
O desafio para a investigação
A fabricação clandestina de armas sem identificação dificulta o trabalho das forças de segurança porque elimina informações que normalmente podem ser utilizadas para determinar a origem de um armamento.
O rastreamento permite relacionar armas apreendidas a registros, desvios e, em determinadas investigações, a diferentes ocorrências criminais. Sem numeração e documentação, as chamadas “armas fantasmas” reduzem essas possibilidades de identificação e criam um novo obstáculo para as investigações sobre o comércio ilegal e o uso de armamentos por organizações criminosas.
Policial
Menina de 11 anos desaparecida em Canoas é localizada pela Polícia Civil

A Polícia Civil localizou, na tarde desta terça-feira, 18, a menina de 11 anos que estava desaparecida desde segunda-feira, 17, em Canoas.
Segundo a Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Canoas, os agentes iniciaram as buscas assim que o desaparecimento foi registrado. Imagens de câmeras de segurança ajudaram a reconstituir o trajeto da menina, que teria seguido até Cachoeirinha.
Mais de 50 agentes participaram das buscas, entre policiais civis, policiais militares e guardas municipais de Canoas e Cachoeirinha. A menina acabou sendo localizada em Canoas e foi acolhida por policiais civis da DPCA.
De acordo com o delegado Maurício Barison, titular da DPCA, uma escuta especializada foi realizada e não foram identificados indícios de maus-tratos ou de outros crimes contra a criança. Conforme a investigação, o desaparecimento teria sido motivado por um desentendimento familiar relacionado ao uso do celular.
O Conselho Tutelar será acionado para acompanhar a situação familiar.
A Polícia Civil também informou que um repórter de Canoas será investigado por, segundo a corporação, tumultuar as buscas e desacatar uma policial civil ao exigir informações consideradas privilegiadas.

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