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22/01/2026
 

Comunidade

Nossos bairros: Mato Grande: Melhor, mas infraestrutura ainda precisa de melhorias

Um dos bairros que mais recebem novos moradores está crescendo em velocidade maior do que os cuidados

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Marcelo Griza

O bairro Mato Grande experimentou, nos últimos anos, um grande crescimento populacional. A facilidade de crédito e os programas governamentais facilitaram a aquisição da casa própria e fez com que vários condomínios fossem (e ainda sejam) erguidos na região. Porém, o aumento no fluxo e no comércio não foram acompanhados por um planejamento urbano que oferecesse os serviços básicos em sua integridade não somente aos novos moradores, como também os antigos. Segundo os moradores de dentro e de fora dos condomínios, ainda faltam pontos de lazer, melhorias na malha urbana, segurança e modernização da rede elétrica, entre outras estruturas.

Foto: Marcelo Griza

Foto: Marcelo Griza

A Associação dos Moradores Bairro Mato Grande (ASSMAG) alega que vem tentando criar espaços para a confraternização da comunidade após anos com menor movimento. “É que, infelizmente, é tudo hoje criado para os condomínios. O bairro cresceu muito, e por isso a gente fica abandonado”, alega Vera Silva, uma das secretárias da entidade. “Por que eles chegaram por último e têm praça, tem tudo?”
Segundo alguns dos membros da diretoria, falta infraestrutura, especialmente relacionada ao lazer. “Não há muito o que as crianças e os jovens fazerem; por isso que, quando abrimos aulas de dança aqui, era para a senhoras, mas as adolescentes também vêm. Elas simplesmente não têm ocupação”, explica Vanessa Foljarini, outra das secretárias da associação. Para ela, faltam iniciativas semelhantes às do bairro Guajuviras, que integram o projeto Território da Paz. “É triste conseguir ajeitar o lugar e não ter projeto social pra colocar aqui, ficar tudo vazio.”

Mas não quer dizer que os condomínios não possuem seus contras, para além do alto custo e dos juros no setor imobiliário, que exigem bastante planejamento de quem compra. Morador do Residencial Figueiras, Douglas Machado Alves, de 32 anos, afirma que está se mudando. “Não acho tão melhor assim. Tem tudo, claro, mas o nosso espaço é limitado”, afirma. “E claro que a Prefeitura faz mais coisas onde tem os condomínios; foi exigência da construtora, afinal”.

Segundo outro morador do Figueiras, Elias Maidana Padilha, de 39 anos, a questão é ainda mais complicada hoje.“Tem espaço pra isso? Sei que tem uma pracinha aqui e ali, mas um espaço pra toda essa gente?” Ele concorda com a implantação de um espaço melhor de convivência para todo o bairro, mesmo que admita que o investimento público na região tenha aumentado. De acordo com Elias, o IPTU está muito caro, apesar de não ter entrado em detalhes sobre quanto paga de tributo sobre o imóvel onde vive.

Dizem as dirigentes da ASSMAG que pouco adianta reclamar à Prefeitura Municipal a respeito: já não há mais ninguém no cargo de gestor do bairro Mato Grande desde 2013. Sucessivas reclamações foram feitas em eventos da gestão Jairo Jorge no bairro, tais como o Prefeitura no Seu Bairro, pedido por melhorias nas instalações elétricas (o bairro sofre com quedas de luz) e pela construção de um posto policial, mas nem foi dado prazo aos representantes.

O ex-secretário de Esportes e Lazer, Carlos Lanes, explicou que este pleito já deveria pelo menos ter sido resolvido em parte. Quando deixou a Secretaria, em 2011, Lanes alegou que já havia aprovação para a construção de uma praça poliesportiva no Central Park, próximo ao Mato Grande. “Eu tinha percebido que faltava esse espaço para a prática do esporte, e queria algo que fosse grande o suficiente para atender os dois bairros. Não entendo porque não foi pra frente depois disso”, afirmou.

Em relação ao transporte, a Associação de Moradores alega que chegou a pedir acréscimo no número de linhas e horários de ônibus à Vicasa. Segundo a diretoria, a empresa teria alegado, em sua negativa, que o bairro é rico e muitos tem carro; portanto, não seria necessário o aumento na frequência das viagens.

Foto: Marcelo Griza

Foto: Marcelo Griza

Mas mesmo a movimentação de pessoas que o grupo de mulheres tenta trazer ao bairro, de forma a igualar-se com o fluxo de veículos, é atrapalhado por obras ao redor e a ineficiência de gestões anteriores. A construção de um condomínio no terreno logo atrás da sede, na rua Roberto Francisco Behrens, nº 50, causa transtornos como poeira acumulada e entulho despejado nos arredores. Isso quando os moradores já instalados não realizam queimadas no espaço entre as construções e a Associação. “Qualquer lixo que sobra eles queimam”, frisou Iaci Foljarini, conselheira fiscal da entidade.

Para o ex-deputado Jurandir Maciel, que hoje continua em sua atuação trabalhando para a bancada de seu partido na Assembleia Legislativa, o crescimento do bairro é algo a ser comemorado, mas realmente há distorções.O político, que é morador do Mato Grande, aponta que a criação da RS-448, a chamada Rodovia do Parque, fez o trânsito aumentar demais, e a malha não teria acompanhado esse crescimento. Segundo ele, há pleitos junto à Secretaria dos Transportes e Mobilidade para que seja instalada uma nova rotatória no entroncamento da avenida República com a rua Francisco Roberto Behrens. Além disso, outra medida é a reorganização do fluxo das ruas, alterando muitas vias menores, hoje ainda de mão dupla, para mão única, pareando-as de acordo para manter o equilíbrio do tráfego de veículos na região.

“Além disso, pedimos à Prefeitura se poderia ajudar a melhorar a nossa sede, aproveitar que a construtora está ali, trabalhando”, aponta a vice-presidente da ASSMAG, Salete Gianesini. Segundo ela, um monitor de obras lotado na Secretaria de Obras disse que não haveria obrigação nenhuma em auxiliá-las, e que somente o calçamento em frente à sede será refeito, caso sobrem recursos da construção do condomínio.

Mais um ponto discutido pela ASSMAG é uma permuta, realizada ainda na década de 90, pelo grupo que então geria a Associação: uma parte do terreno foi cedida, nos fundos, em troca de um pedaço bem menor, à oeste da construção. Segundo a diretoria, a questão pode acabar sendo resolvida na Justiça, já que o terreno foi uma doação de Marino Bittencourt, tio de Vera Silva, agora secretária da entidade.

Foto: Marcelo Griza

Foto: Marcelo Griza

Jurandir Maciel lembra que o terreno à volta da Associação era projetado inicialmente para estabelecer um parque com diversas facilidades – de um pórtico de entrada no bairro até, quem sabe, um chimarródromo. “Mas a Câmara de Vereadores, há alguns anos e sem consulta aos moradores, aprovou a utilização do terreno para a construção de moradias. Por isso que está saindo mais um condomínio ali”, lembra. Segundo ele, ainda há algumas áreas que podem ser utilizadas, como um terreno de cerca de três hectares mais próximo do bairro Fátima, entre outras possibilidades.

Por enquanto, as iniciativas têm sido feitas pela ASSMAG aos poucos. Além do primeiro jantar-baile, organizado no final de semana passado, há o projeto Renascer em Dança, com aulas segundas, quartas e sextas, das 19 às 20 horas; e o brechó comunitário, aos sábados, das 9 às 17 horas. Além disso, a diretoria espera organizar reuniões periódicas de prestação de contas. “É algo importante nesse momento, para que as pessoas que porventura tenham se afastado devido a qualquer lapso de gestões anteriores possam agora voltar a participar na comunidade”, explana Salete.

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Comunidade

Prefeitura de Canoas inicia reforma do CRAS Rio Branco após danos da enchente de 2024

Redação

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A Prefeitura de Canoas assinou, na terça-feira, 13, a ordem de início de serviço para a reforma do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Rio Branco, localizado no Complexo Cultural e Esportivo Mahatma Gandhi, conhecido como Praça CEU. O espaço estava inoperante desde a enchente registrada em maio de 2024.

Após a conclusão da obra, o CRAS voltará a ofertar serviços como Cadastro Único, Bolsa Família, Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para crianças, adolescentes e idosos, Aluguel Social e encaminhamentos à rede socioassistencial. Atualmente, os atendimentos seguem sendo realizados de forma provisória na unidade localizada na Rua Santa Clara, nº 382, no bairro Rio Branco.

A obra integra o processo de recuperação de espaços públicos atingidos pelo evento climático e prevê serviços de manutenção nos vestiários e sanitários externos, melhorias na entrada de energia e adequações na infraestrutura elétrica externa. O investimento é de aproximadamente R$ 221 mil, com recursos da Defesa Civil, por meio do Auxílio Reconstrução.

Durante o ato de assinatura, o prefeito de Canoas, Airton Souza, afirmou que a retomada do espaço representa a devolução de serviços essenciais à população.

“A nossa missão é entregar serviços para a sociedade e para as pessoas que mais precisam. Esse espaço estava abandonado e agora retorna para a comunidade poder usufruir novamente”, disse.

O secretário municipal de Assistência Social, Marcio Freitas, destacou os impactos da enchente no local e a expectativa da comunidade pela recuperação.

“Esse espaço foi muito atingido pelos eventos climáticos e hoje estamos aqui para comunicar à sociedade que ele vai ser recuperado. É um anseio da comunidade desde 2024”, afirmou.

A secretária de Projetos e Captação de Recursos, Daniela Fontoura, explicou que a reforma do CRAS faz parte de um conjunto mais amplo de intervenções no complexo.

“Estamos iniciando a reforma do CRAS Rio Branco, que foi fortemente atingido pela enchente, e seguimos com outros processos em andamento para devolver toda a praça à comunidade. A ideia é garantir um espaço mais acolhedor, com mais qualidade nos serviços e voltado especialmente às famílias e às crianças”, declarou.

Moradora do bairro, Ivone Giehl Meurer comemorou o início da obra.

“Esse espaço já estava abandonado antes da enchente. Agora, ver que vai ser recuperado é muito gratificante. As crianças gostam de vir aqui, brincar, usar a quadra, o campo, a pista de skate. Isso tudo é muito importante para a comunidade, principalmente para quem mora perto”, disse.

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Comunidade

Acúmulo de lixo gera transtornos a moradores do bairro Estância Velha, em Canoas

Redação

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Acúmulo de lixo gera transtornos a moradores do bairro Estância Velha, em Canoas

Moradores do bairro Estância Velha, em Canoas, enfrentaram transtornos provocados pelo acúmulo de lixo em lixeiras da região. O problema foi registrado no domingo, 28, e teria se intensificado ao longo da última semana, com relatos de aumento de resíduos em vias públicas e em frente a condomínios residenciais.

A situação estaria relacionada à ausência da coleta regular de lixo nos últimos dias, o que resultou no acúmulo de resíduos, mau cheiro e proliferação de insetos, causando desconforto à população local.

Em nota, a Secretaria Municipal de Serviços e Zeladoria Urbana informou que organizou um mutirão de coleta ainda nesta segunda-feira, 29, com reforço no número de equipes atuando no bairro Estância Velha. A previsão é de que o serviço seja normalizado até esta terça-feira, 30.

A Administração Municipal destacou que, neste período do ano, a geração de resíduos no município aumenta cerca de 25%. Além disso, houve registro de maior número de faltas entre os profissionais da coleta em datas próximas ao Natal, o que impactou a regularidade do serviço.

A Prefeitura informou ainda que segue investindo na modernização do sistema de coleta de resíduos sólidos. Atualmente, 450 contêineres com sistema de coleta automatizada foram implantados na área central da cidade. Nesse modelo, os contêineres são esvaziados diretamente nos caminhões, tornando o processo mais ágil e econômico em comparação à coleta manual.

Segundo a Administração, a ampliação da coleta automatizada para outros bairros de Canoas deverá ocorrer de forma gradual.

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Comunidade

Restaurante Popular serve ceia de Natal para 400 pessoas em situação de vulnerabilidade, em Canoas

Redação

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Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, realiza nesta quarta-feira, 24 uma ceia de Natal destinada a cerca de 400 pessoas em situação de vulnerabilidade social. A ação ocorre em parceria com a Central Única das Favelas (CUFA).

O atendimento será realizado no Restaurante Popular, localizado na Avenida Boqueirão, nº 2781, no bairro Estância Velha. A partir das 11h30, o espaço estará aberto ao público, com a ceia sendo servida das 12h às 13h30.

A refeição será oferecida em formato de buffet, com os alimentos preparados no próprio local conforme a demanda, garantindo reposição contínua durante todo o período de atendimento. O cardápio inclui arroz branco, arroz à grega, feijão, frango assado, massa, aipim com farofa e saladas mistas.

Todo o custo do almoço será assumido pela CUFA, enquanto a produção das refeições contará com o trabalho conjunto das equipes da Central Única das Favelas e da Secretaria Municipal de Assistência Social. Além do consumo no local, os participantes também poderão levar as refeições para casa.

A iniciativa integra as ações de fim de ano do município e tem como objetivo garantir um Natal mais digno e solidário às pessoas que mais precisam.

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