Cultura
SAPUCAÍ: enredos são marcados por Literatura, mitos e história

Por Daniela Uequed e Douglas Angeli
Boa parte dos desfiles do grupo especial do carnaval carioca que acontecem nos próximos dias de 11 e 12 de fevereiro, serão conduzidos por leituras da história, das mitologias e por adaptações de livros. Os enredos, concebidos pelos pesquisadores e carnavalescos, são ao tema dos sambas, das alegorias, fantasias e demais quesitos. Quatro escolas usarão este recurso: Portela, Grande Rio, Unidos da Tijuca e Paraíso do Tuiuti.
Já os mitos e lendas ligados a Portugal serão tema da Unidos da Tijuca, enquanto o Paraíso do Tuiuti exaltará a figura de João Cândido, líder da revolta da Chibata em 1910.
Portela
A Portela, dos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga, prepara uma adaptação da obra de Ana Maria Gonçalves, Um defeito de cor, enquanto a Grande Rio, dos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, baseia seu enredo no livro Meu destino é ser onça, de Alberto Mussa.
Na primeira, o olhar está na história da luta contra a escravidão no Brasil tendo como condutor o protagonismo de Luzia Mahin e de Luís Gama, mãe e filho.
A luta contra a opressão estará presente na Portela. No livro Um defeito de cor, Ana Maria Gonçalves se inspira na figura de Luiza Mahin, ou Kehinde, narrando a saga de sofrimento, rebelião e a busca por reencontrar seu filho, que, liberto, se tornaria o advogado abolicionista de Luís Gama. Os carnavalescos da Portela imaginaram uma carta onde o filho responde a mãe, prometendo um desfile onde a tônica será o afeto e o questionamento, como no argumento da sinopse do enredo: “Narrar essa história é como narrar a busca pelo sentido da nossa existência enquanto sujeitos negros ativos neste Brasil. Por que somos? Por que assim fazemos? Por quem lutamos? Em memória do que?”.
No ensaio técnico do domingo, dia 28, a Portela encerrou sua apresentação com a presença de mulheres que se identificavam como “Mães da Maré” e “Mães de Manguinhos”, indicando que a parte final do desfile trará a história de Kehinde para o presente.
Grande Rio
O foco está na cosmovisão tupinambá. Com o mito tupinambá de criação e recriação do mundo, baseado no livro Meu destino é ser onça, de Alberto Mussa. Seu fio condutor é a onça e sua posição central nas narrativas míticas dos povos originários e sua presença no imaginário brasileiro. Os mitos também são o eixo central do enredo da Unidos da Tijuca, mas para falar de outro lado da história e do Atlântico: Portugal.
A sinopse de Um conto de fados, do carnavalesco Alexandre Louzada, apresenta o tom do enredo: “Navegar é preciso, nesse lendário lugar, onde, por mais que se procure diferir, tudo rima com mar, desbravar, invadir, glorificar. […] Dos ilês de África, contidos nas conchas do Ifá, lavar a alma, o espírito de aventureiro de sal e de sol, ao vento, percorrer no intento, contornos do Reino de Matamba até as praias de Zanzibar”.
Tijuca
Contudo, conseguirá a Tijuca executar seu desfile sem incorrer em narrativa acrítica acerca do mito de um povo predestinado a navegar e descobrir? Conseguirá demonstrar que não se trata de uma romantização dos mitos e ideologias que justificaram a dominação colonial de tantas terras e povos?
A cosmovisão tupinambá do enredo da Grande Rio nos lembra que os mares navegados pelos portugueses levaram à colonização da própria natureza, à modificação drástica dos modos de se relacionar com essa natureza e sua exploração – que se deu através da escravização de seres humanos. O que podemos antecipar é que as escolas de samba, mais uma vez, apresentarão um espetáculo que nos permitirá ler e reler o mundo, imaginar e reimaginar a vida, e pensar a vida e o mundo historicamente.
Paraíso do Tuiuti
É com viés de revisitar a história que o carnavalesco Jack Vasconcelos promete contar a vida e a luta de um herói geralmente esquecido: o gaúcho João Cândido, que comandou a revolta dos marinheiros em 1910. Passadas duas décadas da abolição da escravidão, em 1888, e da Proclamação da República, em 1889, a vida dos marinheiros negros não havia melhorado, restando baixos soldos, alimentação ruim e o castigo das chibatadas. Diante de tal cenário, estoura aquela que mais tarde, pelo livro do jornalista Edmar Morel, ficaria conhecida como a Revolta da Chibata.
Esse não é um passado que já não ressoa no presente: em 2023, mais de cem anos após a revolta liderada pelo almirante negro contra as chibatadas, o entregador Max Ângelo dos Santos foi agredido com uma coleira de cachorro por uma mulher branca na zona Sul do Rio de Janeiro. Heroicizando os oprimidos e relendo a nossa história, a Tuiuti convidou Max para representar João Cândido em seu desfile.
História
A aposta na literatura, nos mitos e na história não constitui novidade na trajetória das escolas de samba. A centenária Portela destacou-se nos anos 1960 e 1970 por apresentar obras da literatura em seus desfiles: Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, em 1966, e Macunaíma, de Mário de Andrade, em 1975, entre outros. As mitologias africanas e dos povos originários foram tema de diversos enredos da Beija-Flor de Nilópolis, como A criação do mundo na tradição nagô, em 1978, e O mundo místico dos caruanas em 1998.
Desde os carnavais realizados sob a ditadura do Estado Novo (1937-1945), a história do Brasil foi muitas vezes lida e relida nos desfiles. Dos heróis oficiais, como D. João VI e Duque de Caxias, passando por episódios tantas vezes repisados como a guerra contra os holandeses, a independência do Brasil e a guerra do Paraguai, o que mudou ao longo do tempo foi o enfoque da história dos vencedores para a história dos vencidos, dos oprimidos, dos grupos que lutam por emancipação.
Isso desde os históricos enredos do Salgueiro, que imprimiram protagonismo aos personagens e às lutas afro-brasileiras, como Navio Negreiro, em 1957, e Quilombo dos Palmares, em 1960, até o desfile questionador da Mangueira em 2019, quando a escola apresentou a “história que a história não conta, o avesso do mesmo lugar”.
Cultura
Mostra Curta FECIC divulga seleção com 17 filmes de estudantes de Canoas

A organização da Mostra Curta FECIC divulgou a lista oficial das obras selecionadas para a atual edição do evento. Ao todo, 17 curtas-metragens integram a programação, reunindo produções desenvolvidas por estudantes de seis instituições de ensino do município.
As obras representam escolas das redes pública, incluindo as esferas municipal, estadual e federal, além da rede privada, reforçando a diversidade de participação no projeto.
Segundo a curadoria, a seleção buscou valorizar diferentes linguagens cinematográficas e as narrativas criadas pelos jovens realizadores. O recorte final inclui nove filmes de ficção, cinco documentários, duas animações e um curta experimental.
A mostra destaca o audiovisual como ferramenta de expressão artística e reflexão dentro do ambiente escolar, evidenciando o envolvimento crescente de estudantes com a produção cinematográfica.
As escolas da rede municipal reúnem a maior parte dos selecionados. A EMEF Arthur Oscar Jochims integra a programação com cinco títulos: “Ainda te acharei”, “Contas da esperança: A Matemática em Números”, “Guerra Russa”, “O Disfarce de 1945” e “Sombras da Guerra”. Da EMEF Prefeito Edgar Fontoura, foram escolhidos “Axé e Amém”, “Entre o passado e o presente: A força dos Quilombos”, “Entre tradição indígena e o mundo contemporâneo” e “Gritos da Resistência”. Já a EMEF Paulo Freire participa com “A pessoa que eu fui”, “Racismo na Escola” e “O protótipo”, enquanto a EMEF Professora Nancy Ferreira Pansera participa com o filme “O dia do Labubus”.
Completam a seleção oficial os curtas “A Arte segundo Cildo Meireles” e “A Cartomante”, produzidos no Instituto Federal; “Daydream”, do Colégio IPUC e “Depois do Inverno”, realizado pelos alunos da E.E.E.M André Leão Puente.
Além da exibição inédita das produções estudantis, a Mostra Curta FECIC, que acontece dia 2 de julho, às 14h, no Sesc Canoas, promoverá a entrega de certificados e a seleção oficial das obras que irão concorrer na categoria estudantil do 4º Festival de Cinema de Canoas, que ocorre em setembro.
No mesmo dia, a partir das 18h30min, o Painel Audiovisual e Educação, reunirá educadores, realizadores e especialistas para discutir o uso do audiovisual como instrumento pedagógico, encerrando com uma roda de conversa mediada por profissionais do setor.
O Curta FECIC é financiado pelo PIC 2023, via Secretaria de Cultura e Turismo e Prefeitura de Canoas. A realização é da Prosa Filmes, com gestão cultural e produção executiva da Imago Produtora. O festival conta ainda com o apoio do Sesc Canoas e o apoio institucional do Metropolitano RS, Fundacine e CurtaENEM.
Cultura
Curta Fecic recebe 43 filmes de escolas de Canoas e terá exibições no Sesc em julho

O projeto Curta Fecic, braço estudantil do Festival de Cinema de Canoas (Fecic), encerrou a sua etapa de inscrições com excelente adesão da comunidade escolar. Ao todo, foram recebidos 43 filmes, dos quais 33 curtas-metragens foram validados. As produções representam o talento de alunos e professores de nove escolas locais, abrangendo as redes municipal (6), estadual (1), federal (1) e privada (1).
A partir de agora, os 33 filmes habilitados passarão pela avaliação da comissão organizadora do festival. É essa seletiva que irá eleger e definir os títulos oficiais que vão compor a Mostra Curta Fecic e ganharão a tela do cinema em julho.
Encontros Curta Fecic
O expressivo engajamento é reflexo direto dos Encontros Curta Fecic, maratona itinerante que percorre as escolas municipais desde a primeira edição do Fecic. Coordenadas pelo ator Angelo Sérgio e pelo diretor geral do Fecic, Alexandre Derlam, as atividades promovem exibições de filmes e debates com turmas do Ensino Fundamental, Médio e EJA, plantando a semente da criação audiovisual diretamente nas salas de aula. Até julho, estão previstos mais 3 encontros nas escolas da rede municipal.
Programação do Curta Fecic
O resultado de toda essa produção chega à tela grande no dia 2 de julho, no teatro do Sesc Canoas, com atividades gratuitas e abertas à comunidade:
– 14h às 16h30 – Mostra Curta Fecic: Exibição dos filmes estudantis selecionados, debates com os realizadores e entrega de certificados. As obras escolhidas também concorrerão à categoria estudantil do Fecic, que acontece de 23 à 26 de setembro.
– 18h30 – Painel Audiovisual e Educação: Encontro focado no cinema como ferramenta pedagógica. O debate contará com a presença de André Bozzetti (idealizador do FECEA – Alvorada), Katia Souza Montinelli (coordenadora do CurtaENEM) e de professores locais que compartilham as suas experiências práticas.
O Curta Fecic é financiado pelo PIC 2023, via Secretaria de Cultura e Turismo e Prefeitura de Canoas. A realização é da Prosa Filmes, com gestão cultural e produção executiva da Imago Produtora, apoio do Sesc Canoas e apoio institucional do Metropolitano RS, Fundacine e CurtaENEM.
Serviço
O quê: Projeto Curta Fecic (Mostra Estudantil e Painel Educação)
Quando: 02 de julho, a partir das 14h
Onde: Teatro do Sesc Canoas (Av. Guilherme Schell, 5340 – Centro)
Entrada: Gratuita
Informações: Instagram @festivaldecinemadecanoas
Cultura
Canoas celebra Dia do Trabalhador com programação no Parque Eduardo Gomes

Canoas celebrou o Dia do Trabalhador na sexta-feira, 1º, com uma programação no Parque Eduardo Gomes. Ao longo do dia, o espaço recebeu atividades culturais, serviços e opções de lazer para a comunidade.
A programação contou com feira de artesanato, food trucks, distribuição de mudas, apresentações musicais e atividades educativas voltadas ao público infantil.
Pela manhã, foi realizado o ato de abertura com a presença de autoridades e apresentação da Banda da Base Aérea de Canoas, que executou o hino do município.
O prefeito Airton Souza, destacou a importância da data.
“O dia do trabalhador é todos os dias. Mas hoje, de modo especial, esta data é um momento de reconhecimento e gratidão a cada homem e mulher que, com esforço, dignidade e dedicação, constroem diariamente o desenvolvimento da nossa cidade. É por meio do trabalho que fortalecemos a economia, promovemos a justiça social e abrimos caminhos para novas oportunidades. Neste 1º de maio, reafirmamos nosso compromisso em valorizar o trabalhador, garantir direitos e seguir investindo em políticas públicas que gerem emprego, renda e mais qualidade de vida para todos”, comenta.
O secretário de Cultura e Turismo, Caio Flavio dos Santos, ressaltou a organização do evento, pensado para agradar diferentes públicos.
“Todas as secretarias fizeram muito para que este evento ocorresse. É uma festa de integração, de união, onde a gente pretende fazer com que o cidadão de Canoas confraternize e festeje o Dia do Trabalhador da melhor forma”, diz.
Moradora do bairro Nossa Senhora das Graças, a advogada Camila Oliveira Borges, 46, aproveitou a festa ao lado da filha, Pietra Emanuelly, 7.
“Achei muito legal a programação, que conta com atividades para os adultos e também para as crianças. Gostei muito da feirinha de artesanato e minha filha aproveitou bastante a escolinha de trânsito”, conta.
A dona de casa Sônia Gomes Chaves, 68, também participou do evento.
“Adorei a programação. Cheguei cedo no parque e fiz aula de dança, ganhei uma muda de cereja, que vou plantar junto das plantinhas que eram da minha mãe. Encontrei minhas amigas. Foi muito divertido”, diz.

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