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19/04/2026
 

Geral

Primeira noite de desfiles do Grupo Especial impactou a Sapucaí

Redação

Publicado

em

Textos e fotos: Daniela Uequed e Douglas Angeli

Mangueira foi tecnicamente perfeita; Viradouro e Portela completaram as melhores apresentações da noite.

Sete escolas abriram os desfiles do grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro na noite de domingo, 23. Estácio de Sá, Viradouro, Mangueira, Tuiuti, Grande Rio, União da Ilha e Portela cruzaram o sambódromo da Avenida Marquês de Sapucaí realizando alguns dos melhores desfiles de domingo dos últimos anos.

Estácio de Sá – Comemorando os 50 anos de carreira de sua carnavalesca, Rosa Magalhães, a Estácio de Sá escolheu a pedra como enredo em seu retorno ao grupo especial. Abrindo os desfiles da noite, a escola apresentou um belo abre-alas, mas o padrão não se repetiu nas demais alegorias. Estando a pedra presente na origem da humanidade, o enredo destacou as pinturas rupestres da pré-história, a busca por pedras preciosas na colonização do Brasil e a relação das pedras com a religiosidade. Rosa, sete vezes campeã do carnaval com desfiles memoráveis, estava alegre desfilando como componente de uma das alegorias. A Estácio, entretanto, encontrará muita dificuldade para permanecer no grupo.

Viradouro – Vice-campeã em 2019, a Viradouro ingressou na avenida em busca de seu segundo título no grupo especial. Para isso, falou sobre as ganhadeiras de Itapuã, na Bahia, mulheres símbolo da resistência contra a escravidão no século 19 e que atualmente celebram sua tradição por meio de um grupo musical. No desfile, destaque para a qualidade das fantasias e das alegorias e para a bateria sob o comando do mestre Ciça. Entretanto, os problemas de iluminação do último carro podem comprometer a classificação da escola de Niterói.

Mangueira – A Estação Primeira de Mangueira desfilou em busca do bicampeonato. O carnavalesco Leandro Vieira, campeão em 2016 e em 2019, apresentou o enredo “A verdade vos fará livre”. Nele, Jesus voltou ao mundo como um menino negro do morro, mas também índio e mulher, em um tempo de preconceito e discriminação. A sofisticação das fantasias e das alegorias causou ótima impressão em um desfile marcado pela presença de lideranças religiosas que apoiaram a mensagem crítica da escola. A rainha de bateria, Evelyn Bastos, desfilou com uma túnica e coroa de espinhos, representando Jesus como mulher negra. Destaque para os músicos e cantores do carro de som da escola o desfile entrosado à segura bateria “tem que respeitar meu tamborim” do mestre Wesley.

Carro de som Mangueira

“Jesus também é mulher”

Tuiuti – A escola do bairro de São Cristóvão apresentou o enredo “O Santo e o Rei: encantarias de Sebastião”, sobre o santo católico, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, e o rei português que desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir em 1578 e passou para o imaginário como o rei cuja volta era desejada. A escola chamou a atenção pelas belas alegorias, em especial o último carro que apresentava a imagem de São Sebastião e pelo belo samba-enredo. Outro destaque foi o casal de mestre-sala e porta-bandeira Marlon Flores e Danielle Nascimento, que desfilou acompanhada de sua mãe, a histórica porta-bandeira Vilma Nascimento – que se recupera de um acidente sofrido na última semana.

Grande Rio – A escola de samba de Duque de Caxias ingressou na avenida com aquele considerado o melhor samba de 2020: “Tatalondirá, o canto do caboclo no quilombo Caxias”. O enredo, em homenagem a Joãozinho da Goméia, liderança religiosa da baixada fluminense entre as décadas de 1930 e 1970, considerado o rei do candomblé. Além da estética afro-religiosa, a escola destacou o aspecto artístico do babalorixá que também foi músico, dançarino e destaque de carnaval. Porém, problemas na evolução e em algumas alegorias afastam a Grande Rio de um inédito título no grupo especial. Ponto alto para o entrosamento da rainha, Paola Oliveira com a bateria do mestre Fafá.

União da Ilha – Com o enredo “Nas encruzilhadas da vida, entre becos, ruas e vielas; a sorte está lançada: salve-se quem puder”, a União da Ilha do Governador apostou na crítica social para o desfile desse ano. Contando com a direção de carnaval e de harmonia do experiente Laíla, 13 vezes campeão com a Beija-Flor de Nilópolis, a escola apresentou dificuldades de evolução, abrindo um grande buraco e estourando o tempo em 1 minuto. Na apuração de quarta-feira, à União da Ilha deverá restar uma das últimas posições, algo perigoso tendo em vista que duas escolas descerão ao grupo de acesso.

Portela – Fechando a primeira noite, a Portela desfilou com o enredo “Guajupiá, terra sem males”, falando dos povos indígenas que habitavam o Rio de Janeiro antes da dominação portuguesa. A chegada dos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage à escola de Madureira impactou inclusive o seu símbolo maior: no abre-alas.  Uma águia moderna com um belo movimento sincronizado de asas e luzes na alegoria. Os pontos fortes da escola foram o samba, a harmonia, a comissão de frente, representando o ritual antropofágico dos tupinambás e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Lucinha Nobre, que encenaram o nascimento de um filho. Com o desfile, a Portela se candidata a uma boa posição no desfile das campeãs.

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Policial

Justiça torna réu cardiologista investigado por abuso sexual contra pacientes em Taquara

Redação

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Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu, na quinta-feira, 17, o cardiologista Daniel Pereira Kollet, investigado por suspeita de crimes sexuais contra pacientes em Taquara.

A decisão é do juiz Rafael Silveira Peixoto, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Taquara, e tem como base a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul. Com isso, o médico passa a responder formalmente ao processo.

Segundo o MP, Kollet é acusado de estupro de vulnerável. A Promotoria sustenta que as vítimas estavam em situação de vulnerabilidade circunstancial, devido à relação de confiança estabelecida entre médico e paciente durante os atendimentos.

De acordo com a denúncia, assinada pela promotora Silvia Inês Miron Jappe, os supostos abusos ocorreram durante consultas em consultório particular, quando as pacientes precisavam permanecer parcialmente despidas para a realização de exames cardiológicos. O Ministério Público afirma que o médico teria se aproveitado da condição profissional e da fragilidade das vítimas no contexto do atendimento.

O órgão também pediu à Justiça a condenação do réu ao pagamento de indenização às pacientes.

Na esfera policial, Daniel Pereira Kollet foi indiciado por violência sexual mediante fraude. Conforme o delegado Valeriano Garcia Neto, três inquéritos já foram concluídos e encaminhados ao Judiciário.

O número de possíveis vítimas que registraram ocorrência chega a 44, conforme atualização de quinta-feira , 17. Outras 20 mulheres também procuraram a polícia e avaliam formalizar denúncia.

A defesa do médico, representada pelo advogado Ademir Campana, não se manifestou ainda.

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Policial

Corpo de corretora morta em Florianópolis é liberado após um mês e será sepultado neste sábado em Canoas

Redação

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Foto: Redes Sociais

O corpo da corretora de imóveis gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas foi liberado para sepultamento mais de um mês após o crime que chocou o país. O velório está marcado para este sábado, 18, em Canoas.

A liberação ocorreu após a conclusão de exames realizados pela Polícia Científica de Santa Catarina, que confirmou por meio de DNA a identidade da vítima. O corpo havia sido encontrado em um córrego no município de Major Gercino, no dia 11 de março.

Segundo familiares, a espera foi marcada por angústia até a confirmação oficial. Nas redes sociais, parentes manifestaram alívio com a possibilidade de realizar o sepultamento e reforçaram o pedido por justiça.

De acordo com a Polícia Científica, o tempo até a liberação foi necessário para a análise genética, procedimento que busca garantir a identificação correta e preservar a dignidade da vítima e de seus familiares.

Natural de Alegrete, Luciani foi criada em Canoas. Ela deixa a mãe e irmãos. O pai morreu há cerca de 20 anos, também vítima de latrocínio.

Investigação

Três pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no crime, sendo um homem de 27 anos e duas mulheres, de 47 e 30 anos. Eles moravam no mesmo conjunto residencial que a vítima, em Florianópolis. Os nomes não foram divulgados.

Conforme o delegado Anselmo Cruz, responsável pelo caso, o corpo foi inicialmente avistado por moradores no dia 9 de março e retirado dois dias depois pelas autoridades.

A principal linha de investigação aponta que o crime tenha sido motivado por interesse financeiro. A polícia identificou compras realizadas em nome da vítima após o desaparecimento, incluindo eletrônicos e artigos esportivos.

A dinâmica e a causa da morte ainda não foram totalmente esclarecidas pelas autoridades.

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Policial

Ex-vereador de Porto Alegre Gilvani Dall Oglio é preso em operação que investiga fraude em licitações

Redação

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Foto: Polícia Civil

O empresário e ex-vereador de Porto Alegre, Gilvani Dall Oglio, conhecido como Gringo, foi preso preventivamente pela Polícia Civil na manhã desta sexta-feira, 17, durante a Operação Effluxus. O mandado foi cumprido na residência dele, na zona norte da Capital.

A ação investiga um suposto esquema de fraude em licitações públicas e ocultação de controle empresarial em contratos ligados a serviços de desobstrução de redes pluviais e esgoto, hidrojateamento, transporte e descarte de resíduos.

Prisões, buscas e bloqueios

Além da prisão, a operação cumpriu nove mandados de busca e apreensão, incluindo endereços de familiares do investigado, como três filhas e um irmão. Dois outros filhos também são alvo de apuração. A Justiça determinou ainda o bloqueio de cerca de R$ 2,5 milhões em ativos financeiros, além da indisponibilidade de imóveis e veículos, e a suspensão do direito de contratar com o poder público dos investigados.

Durante a operação, um dos filhos do ex-vereador foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo. Ele estava em uma das sedes empresariais alvo das buscas e poderá ser liberado mediante fiança.

Segundo a Polícia Civil, o grupo é investigado por fraude à licitação, associação criminosa, corrupção ativa de testemunha, falsidade ideológica e falsidade material.

Como funcionava o esquema

De acordo com as apurações, o esquema teria sido estruturado a partir das empresas Limpservice Prestação de Serviços e Safety Ambiental, que atuariam como parte de um mesmo grupo econômico. A investigação aponta que ambas participavam de licitações de forma combinada, simulando concorrência.

A Limpservice teria vencido todas as cinco contratações identificadas, enquanto a Safety aparecia como concorrente derrotada, com propostas mais altas. Nenhuma das empresas está formalmente em nome de Gringo, mas a Polícia Civil afirma haver indícios de que ele seria o controlador, utilizando intermediários.

A Limpservice está registrada em nome de um dos filhos do investigado, enquanto a Safety já esteve vinculada a um irmão dele e a outro homem apontado como empregado. Uma terceira empresa, a MJM Serviços de Limpeza, registrada em nome do ex-vereador, também é citada na investigação.

Licitações sob suspeita

As licitações sob suspeita envolvem contratos com a Polícia Penal e prefeituras de Capão da Canoa, Gramado, Gravataí e Osório, entre 2024 e 2025, somando cerca de R$ 2,5 milhões.

A Polícia Civil aponta ainda indícios de confusão patrimonial e operacional entre as empresas, como uso compartilhado de e-mails, reconhecimento de dívidas e ações trabalhistas envolvendo os mesmos funcionários. Também foi identificado o uso de estrutura tecnológica ligada ao investigado para participação em disputas eletrônicas de licitações.

Tentativa de obstrução e dumping social

Em depoimento, uma ex-funcionária relatou ter sido pressionada a receber R$ 2 mil para não prosseguir com denúncias relacionadas ao caso.

O inquérito também apura a prática de “dumping social”, com possível redução de custos por meio de descumprimento de direitos trabalhistas.

Segundo o delegado responsável pelo caso, a investigação identificou um esquema estruturado que afetava diretamente a concorrência e trabalhadores envolvidos nos contratos.

Contratos com o Dmae

A Polícia Civil também aponta que o ex-vereador manteve contratos com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) durante o período em que exercia mandato, por meio de empresas sob suspeita de controle indireto. Um desses contratos, de R$ 3,6 milhões, envolvia transporte e distribuição de água potável. Há ainda registros de pagamentos ao investigado por serviços prestados via outra empresa citada na apuração.

Investigação e cassação do mandato

A operação foi autorizada pela 2ª Vara Regional de Garantias de Porto Alegre e, segundo a Polícia Civil, a investigação se estendeu por mais de 10 meses.

O ex-vereador teve o mandato cassado pela Câmara Municipal em dezembro de 2025, após entendimento de que ele seria o real controlador das empresas envolvidas, com uso de intermediários.

A defesa do investigado ainda não se manifestou.

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