Impasse entre funcionários e nova gestão do HNSG

A Associação Beneficente São Miguel (ABSM), nova gestora do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), já enfrentou seu primeiro momento de crise à frente da instituição. Com 40 dias de trabalho, uma mudança no setor de segurança do hospital, com a demissão de 27 trabalhadores, gerou protestos entre funcionários. A situação foi acompanhada pelo Sindicato dos Profissionais de Enfermagem, Técnicos, Duchistas, Massagistas e Empregados em Hospitais e Casas de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul (Sindisaúde – RS) e por vereadores.

A mudança

Silvia Regina da Silva Machado, que trabalhou durante 14 anos na instituição como segurança física do turno da noite, contou que não houve aviso sobre as demissões e que teme pelo não pagamento de seus direitos: “Eles não pagam a rescisão. Eu não vou sair daqui enquanto não receber uma garantia de que vão pagar o que me devem”, afirmou. Funcionários ainda relataram que há dois anos recebem o salário atrasado e, ainda, que o fundo de garantia não é depositado. O ato contou com a presença dos vereadores Dario e Quinho, ambos do PDT.

Sindicato

O sindisaúde afirma que os funcionários não irão contestar as demissões, mas que querem a garantia do pagamento das rescisões. O sindicato afirma que o histórico da ABSM é “péssimo no que diz respeito a honrar suas obrigações trabalhistas”.  Na terça-feira, 9, em reunião entre a entidade, trabalhadores, sindicato e vereadores, ficou estabelecido o compromisso da gestora para o pagamento das verbas rescisórias.

São Miguel

Em conversa com a reportagem do jornal Timoneiro, o presidente da ABSM, Rafael França, garantiu que todos os direitos trabalhistas serão pagos aos funcionários demitidos. Ainda, discordou da reivindicação do sindicato e trabalhadores, que pediam informação prévia sobre as demissões. Segundo ele, o ajuste foi necessário para ter maior controle da entrada e saída de pessoas no hospital. Uma empresa foi contratada para prestar esse serviço. Sobre as reivindicações acerca do atraso de salários, Rafael promete que, a partir de agora, com a gestão da ABSM, tudo será pago em dia.

Reclamações

Diante de reclamações que ainda ocorrem na comunidade sobre o funcionamento do hospital, Rafael lembra que a ABSM está no Graças há 40 dias. O que considera um período ainda curto para efetuar melhoras imediatas. Ainda assim, ele garante que já foram ajustados diversos pontos no funcionamento do hospital.

“O HNSG é um hospital viável”, diz novo gestor da instituição

Rafael França afirma que acredita no potencial do Hospital Nossa Senhora das Graças. Em entrevista na última quarta-feira, 10, ele destacou que “o HNSG é um hospital viável, de alta complexidade, e que representa um fluxo de atendimento importante para a cidade”. Com contrato renovável de 24 meses com a ABC, que ainda é a proprietária do Graças, Rafael afirma que serão realizadas reuniões bimestrais de prestação de contas.

“Existe um potencial enorme de crescimento. Os atendimentos via SUS são feitos com relativa excelência. Queremos tirar essa dúvida que paira sobre o HNSG. A população pode ficar tranquila quanto a isso”, garante.

Sobre o recente fim da parceria com o hospital Parque Belém, que repercutiu em Canoas, por conta da participação da ABSM, ele afirma que a situação não depende dele, mas que a relação entre as entidades continua e que ainda há possibilidade de retomada de negociações.