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28/03/2026
 

Geral

Prefeitura encerra contratos com associações alvos de denúncias

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Em 2 de abril de 2015, O Timoneiro denunciava que pessoas sem experiência nem qualificação eram contratadas para atender os alunos da Escola Municipal de Educação Infantil Irma Chies Stefani, no Pitangueiras, em Canoas. Esta era apenas uma das irregularidades que foram apontadas em uma série de reportagens sobre a gestão compartilhada entre Prefeitura Municipal de Canoas e duas associações, a Assocepim e o Instituto Anjos e Marmanjos, em um total de 10 escolas.

Passados pouco mais de dois anos das denúncias deste jornal, a Prefeitura rompeu com as associações após realizar uma sindicância interna e comprovar que tudo o que foi denunciado era verdade. Os riscos de descontinuidade das aulas dos alunos e da perda do emprego dos profissionais contratados pelas entidades deixou comunidades escolares em pânico e a Prefeitura finaliza contratações de emergência para manter o serviço até o final do ano. Relembre, agora, as denúncias de O Timoneiro comprovadas pela sindicância.

Sindicância

O Timoneiro teve acesso à informações da Comissão Especial Permanente de Sindicância n4, aberta em 27 de março de 2017, por determinação do prefeito Luiz Carlos Busato, após o governo receber, no dia 11 de janeiro, uma comissão de pais de alunos e ex-funcionários das associações, quando diversas denúncias foram feitas. A Sindicância concluiu que “houve irregularidades no processo licitatório quanto às planilhas de custos do Instituto Anjos e Marmanjos (…) o que poderia ser motivo de impugnação do processo…”. Além disso, encontrou irregularidades nos atestados de capacidade técnica das associações e, outro item grave também denunciado por O Timoneiro, um possível favorecimento, pois um servidor da Educação envolvido no processo era vice-presidente da Assocepim, o que explicaria as denúncias feitas de que as associações eram avisadas antes das fiscalizações da Secretaria de Educação.

Profissionais sem qualificação

A primeira denúncia foi de que os profissionais que cuidariam dos alunos eram contratados de qualquer jeito, sem a mínima exigência de experiência e preparo. O Timoneiro trouxe relatos sobre como eram contratados, com chamamentos em paradas de ônibus e entrevistas que se limitavam a “Você gosta de criança?”. A sindicância ouviu diversos profissionais contratados pelas associações e comprovou que boa parte pelo menos não atendia nem ao que fora contratado com o município nem com que a legislação exige, encontrando erros tanto por parte das instituições quanto por parte da Prefeitura, recomendando a atual administração que tomasse medidas a fim de assegurar a qualidade no atendimento escolar.

No documento da apuração oficial consta ainda que as “auxiliares de creche contratadas só tinham o Ensino Médio e com nenhuma formação na área da educação”. Os casos de maus tratos, segundo a sindicância, se deram na maioria das vezes com estas auxiliares que, como conclui o texto, “pode representar a falta de conhecimento na área educacional”.

Maus tratos

Em 11 de dezembro de 2015, O Timoneiro publicou denúncias de pais de alunos da EMEI Julieta Villamil Balestro, no bairro Igara, de que crianças estariam sendo agredidas física e psicologicamente por uma educadora. Após as denúncias, a profissional foi apenas deslocada para outra escola, não sendo demitida. A sindicância ouviu testemunhas e analisou atas internas da Secretaria de Educação e concluiu que os fatos eram até maiores do que o inicialmente suposto: “Ainda que sejam fatos relatados por mães e até por profissionais, estas tais práticas não podem ser desconsideradas, pois não se tratam de ocorrências isoladas, mas de fatos recorrentes em todas as escolas de acordo com as cópias das atas que estão adensadas neste processo”.

Problemas administrativos e estruturais

As pessoas ouvidas relataram e comprovaram diversas irregularidades já denunciadas há dois anos por O Timoneiro, como a falta de profissionais – serventes trabalhando na cozinha, por exemplo – atraso nos pagamentos de salários, crianças sentadas no chão sem tapete durante atividades, dentre outros problemas de gestão.

As construções inacabadas das escolas – situação também denunciada na primeira matéria de O Timoneiro – e a falta de reparos e conservação por parte das associações também foi apontado pela sindicância como um grave problema encontrado. Problemas nas redes de água e elétrica foram abundantemente encontrados. Também havia “menor número de mesas, cadeirinhas e caminhas do que o número de crianças matriculadas”.

Fim dos contratos

A Sindicância recomendou ao prefeito a não continuidade dos contratos com as entidades Assocepim e Instituto Anjos e Marmanjos por constatar diversas irregularidades na gestão compartilhada entre elas e a Prefeitura. Para não ter descontinuidade dos serviços, a Prefeitura abriu licitação para contratação emergencial até o final do ano.

Prefeito garante pagamento aos funcionários

A semana foi de muito protesto, reclamação e denúncias com a decisão da Prefeitura de trocar as gerências das dez escolas com o modelo de gestão compartilhada. Por parte dos profissionais das associações, o medo de perder o emprego e, por parte de alguns pais, o medo de que seus filhos fiquem sem aula ou sofram com as mudanças.

Questionado por O Timoneiro, o prefeito Luiz Carlos Busato foi taxativo em relação aos dois temas. “Eu garanto que os profissionais receberão seus salários e a orientação da administração às novas gestoras é de que mantenham os profissionais que são qualificados e que tenham a aprovação dos pais. Evidentemente, os maus profissionais e não qualificados precisam ser trocados pelo bem dos alunos e da educação. Além disso, não temos ingerência, pois é uma atribuição das associações, mas recomendamos a manutenção dos bons profissionais pelo vínculo que já têm com as crianças”, salienta.

A Prefeitura salientou, em nota, que os profissionais e os alunos deverão ir às escolas normalmente na segunda-feira, dia 31, garantindo o reinício das aulas em toda a rede municipal de Educação Infantil.

Três entidades farão a gestão de dez escolas

Até o fim do ano letivo, três entidades farão a gestão compartilhada de modo emergencial de dez escolas de Educação Infantil do município. Das onze que se candidataram no chamamento público 429/2017, oito foram desclassificadas, uma desistiu e saíram vencedoras as associações Pinóquio e Vó Maria.

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Meio Ambiente

Construção de nova ponte sobre Arroio Araçá gera preocupação ambiental em Canoas

Redação

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Imagem: Deivid Drone

A construção de uma nova ponte sobre o Arroio Araçá, em Canoas, tem gerado apreensão entre ambientalistas e especialistas. A obra faz parte da expansão da Rua Monte Castelo e impacta um dos últimos trechos de túnel verde da região.

O Arroio Araçá é responsável por escoar grande parte das águas pluviais do lado leste da cidade até o Rio Jacuí, cortando Canoas ao meio. Especialistas alertam que a supressão da mata ciliar e a impermeabilização do solo provocadas por novos loteamentos podem aumentar a erosão das margens e o risco de enchentes, além de afetar a biodiversidade local. A intervenção também ameaça características naturais do curso d’água, incluindo uma pequena cascata histórica.

Em resposta às críticas, a Prefeitura de Canoas informou que realizará compensações ambientais, como o plantio de espécies nativas e o resgate de animais silvestres. O debate destaca o desafio de conciliar o crescimento urbano com a preservação dos recursos hídricos e a manutenção do equilíbrio ecológico da bacia.

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Policial

Operação Rasante desarticula organização criminosa que enviava drogas a presídios com drones

Redação

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Foto: DCS/PCRS

A Polícia Civil, por meio do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), deflagrou nesta quinta-feira, 26, a Operação Rasante, com o objetivo de desarticular organização criminosa altamente estruturada, voltada ao tráfico de drogas e ao ingresso sistemático de ilícitos no sistema prisional mediante o emprego de aeronaves remotamente pilotadas (drones).

Foram cumpridas 68 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão e mandados de prisão preventiva com vistas à desarticulação dos núcleos identificados, interrupção do fluxo de ilícitos e responsabilização penal dos envolvidos. Vinte e seis pessoas foram presas. A ofensiva ocorreu nas cidades de Canoas, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Gravataí, Viamão e Alvorada.

A ação ainda resultou na apreensão de quatro telefones novos preparados para arremesso, oito telefones dos suspeitos, um controle de drone, três hélices de drone, três armas, duas carteiras falsas de Delegados de Polícia, selos e espelhos de autenticação de cartórios, cédulas falsas de carteiras de identidade e dois carros, sendo um deles elétrico avaliado em 400mil reais.

A investigação, desenvolvida pela 4ª Delegacia de Investigações do Narcotráfico, teve início a partir de ação policial ocorrida em julho de 2025, quando indivíduos foram flagrados nas imediações de unidade prisional em contexto típico de preparação para lançamento aéreo de ilícitos, ocasião em que foram apreendidos drones de alto desempenho, entorpecentes, aparelhos celulares e acessórios logísticos destinados à execução das chamadas “dronagens”. A partir desse evento inicial, foram autorizadas medidas de quebra de sigilo telemático e aprofundadas análises técnicas dos dispositivos apreendidos, incluindo extração de dados, registros de voo e comunicações mantidas entre os investigados.

O aprofundamento investigativo permitiu identificar a existência de uma estrutura criminosa segmentada e hierarquizada, composta por núcleos interdependentes. O núcleo técnico-operacional era responsável pela aquisição, customização e pilotagem de drones, incluindo adaptações voltadas ao aumento de autonomia, alcance e capacidade de carga, além da utilização de dispositivos de comunicação que dificultam a detecção pelas forças de segurança. Paralelamente, o núcleo operacional atuava na logística de transporte, preparação das cargas e suporte em campo, garantindo a execução das operações em horários estratégicos, predominantemente durante a madrugada, com vistas à redução do risco de interceptação.

Destaca-se que a análise dos logs extraídos dos drones apreendidos evidenciou padrão reiterado de voos noturnos, com duração média compatível com trajetórias de ida e retorno a unidades prisionais, além da repetição sistemática de pontos de decolagem próximos a complexos penitenciários situados nas regiões de Charqueadas, Canoas e adjacências, o que corrobora a utilização dos equipamentos para o ingresso de drogas e aparelhos celulares no interior do sistema prisional.

No plano das comunicações telemáticas, foram identificados diálogos que demonstram elevado grau de planejamento e divisão de tarefas, com definição prévia de rotas, janelas de voo, quantidade de carga e estratégias para mitigação de riscos, inclusive com preocupação expressa quanto à responsabilização penal em caso de abordagem policial. As conversas também revelam domínio técnico dos operadores quanto a variáveis como altitude, interferência de sinal, autonomia de bateria e condições climáticas, evidenciando profissionalização da atividade criminosa.

As investigações apontaram, ainda, a atuação direta de apenados como núcleo de comando intramuros, responsáveis por demandar as entregas, coordenar o recebimento das cargas e gerir a distribuição interna dos ilícitos, estabelecendo conexão permanente entre o ambiente externo e o sistema prisional. Tal dinâmica demonstra a integração funcional entre os investigados em liberdade e os indivíduos custodiados, caracterizando organização criminosa estruturada nos termos da legislação vigente.

No âmbito financeiro, os elementos colhidos a partir de Relatórios de Inteligência Financeira evidenciaram movimentação de valores expressivos, superiores a milhões de reais, com padrão caracterizado por fracionamento de quantias, circularidade de recursos e utilização de contas de terceiros, indicando a existência de um sistema estruturado de financiamento e sustentação das atividades ilícitas. Verificou-se, ainda, reinvestimento constante dos lucros obtidos na aquisição e manutenção de equipamentos tecnológicos, incluindo drones e componentes eletrônicos de alto custo, o que evidencia a capacidade de adaptação e expansão da organização.

Outro aspecto relevante apurado refere-se à elevada lucratividade da atividade criminosa, especialmente no ambiente prisional, onde substâncias entorpecentes e aparelhos celulares atingem valores significativamente superiores aos praticados no meio externo, funcionando como importante vetor de financiamento da organização e de fortalecimento das estruturas criminosas atuantes no interior dos estabelecimentos penais.

“A Operação Rasante evidencia o avanço tecnológico das organizações criminosas e a necessidade de atuação estatal qualificada, baseada em inteligência, análise de dados e integração de esforços investigativos. A ação reafirma o compromisso da Polícia Civil do Rio Grande do Sul com o enfrentamento ao tráfico de drogas e à criminalidade organizada, especialmente no contexto do sistema prisional, onde tais práticas alimentam e retroalimentam dinâmicas criminosas de alta complexidade”, complementou a Delegada Ana Flávia.

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Policial

Polícia Civil deflagra Operação Revoada por homicídio no bairro Rio Branco, em Canoas

Redação

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Na manhã desta quinta-feira, 26, a Polícia Civil deflagrou a Operação Revoada no município de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A ação, coordenada pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP), investiga um homicídio ocorrido em 21 de janeiro de 2026, no bairro Rio Branco.

Durante a operação, foram cumpridas 16 ordens judiciais, sendo 14 mandados de busca e apreensão e duas prisões preventivas, nas cidades de Canoas e Sapucaia do Sul. As diligências seguem o Protocolo das 7 Medidas de Enfrentamento aos Crimes de Homicídio, com foco na medida nº 5, voltada ao combate a grupos criminosos.

O caso envolve mãe e filho, de 52 e 20 anos, que foram baleados em um condomínio residencial. Conforme a investigação, ambos possuíam antecedentes por tráfico de drogas e teriam sido alvos em uma disputa por ponto de venda de entorpecentes. O jovem morreu no hospital no mesmo dia do crime. Já a mulher, atingida por mais de sete disparos, permanece internada e inconsciente.

De acordo com a delegada responsável pela operação, Graziela Zinelli,

“as ações desencadeadas na presente operação estão amparadas no Protocolo das 7 Medidas de Enfrentamento aos Crimes de Homicídio e têm como objetivo dissuadir a reiteração criminosa, além de enfraquecer a atuação de grupos criminosos responsáveis por crimes contra a vida no município”.

O diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Mario Souza, reforçou o compromisso da corporação com a investigação.

“Os executores, mandantes e principalmente os líderes que estiverem envolvidos nas mortes serão investigados e responsabilizados”, afirmou.

Os presos foram encaminhados ao sistema prisional e permanecem à disposição da Justiça.

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