Geral
Grupo de voluntários servem comida para quem precisa
Marcelo Grisa
Ao passar pela Rua General Salustiano por volta do meio-dia, um portão que dá para a parte de trás das dependências do Canoas Tênis Clube está estranhamente aberto. É domingo, e poucas atividades do clube ocorrem neste dia. Ao ali entrar, entretanto, é possível ver um grande almoço para cerca de 100 pessoas sendo preparado e servido. São moradores de rua, desempregados e outras pessoas necessitadas, todas atendidas pelos voluntários do grupo Amigos em Ação.
O Amigos em Ação atua há um ano em Canoas. É um grupo de cerca de 50 voluntários que arrecada doações e se revezam, aos domingos, para preparar refeições para quase 600 cadastrados. São pessoas em situação de vulnerabilidade, entre aqueles que moram na rua ou até têm uma casa, mas estão com dificuldades financeiras em um cenário de crise. Todos clientes, como eles mesmos chamam. “A gente procura servir eles como se fosse um restaurante. Nós comeríamos essa comida? Se sim, então está bom”, explica a voluntária Vanessa Alves Pacini.
Uma Rotina pelo social
Os portões ficam abertos para os voluntários e clientes entre as 11 e 13 horas de domingo. Os voluntários chegam antes e começam a preparar os pratos. Os novos chegados são cadastrados e, conforme vão se habituando, contam suas histórias, abrindo-se não apenas para a refeição, mas para uma acolhida. “Normalmente, mais tardar umas 14 horas nós estamos com tudo pronto”, fala o voluntário Rogerio Dalla Nora, mostrando como é um esforço que também não compromete os horários de quem ajuda o projeto.
Antes do domingo, os Amigos em Ação já começam a preparar alguns dos ingredientes para adiantar o trabalho. O cardápio é escolhido via Whatsapp. Em algumas oportunidades, é feito também galeto. O material e os assadores são recrutados pelas redes sociais do dirigente do Canoas Tênis Clube, Gercino Ferreira dos Santos, que oferece a estrutura da entidade. Antes disso, o trabalho era feito embaixo do viaduto da BR-116, próximo à Avenida Inconfidência.
Conhecer o Outro
Adalberto Pinheiro, que integra o grupo de voluntários há cerca de cinco meses, aponta também para um aspecto terapêutico. “Há sempre uma troca, um processo de nós passarmos esse amor para os outros e recebermos de volta. Aprende-se muito”, enfatiza.
Por isso, investe-se também na integração entre o grupo, com encontros durante a semana entre os voluntários. “A gente não tem muito tempo, é corrido aqui. Tu acha que, olhando para as pessoas, está tudo resolvido com elas. Mas não, todo mundo tem suas questões, todos precisamos de ajuda, de afeto”, conta Isabel Cristina Scheffer, uma das líderes do grupo.
A convivência é classificada pelos voluntários como a de uma grande família, tanto entre eles quanto com os beneficiados por suas ações. Todos usam adesivos e crachás identificando-os, e habitua-se a chamarem pelo nome. “Se torna algo especial. Normalmente quem mora na rua se chama por apelido, então eles estarem na sociedade, serem enxergados… Então é bem importante”, comemora a voluntária Carol Pizzi.
Os Amigos em Ação afirmam que precisam de mais voluntários, não apenas para se juntar ao time de cozinheiros: aceitam-se músicos e todo outro tipo de pessoa que possa aplicar seus talentos para tornar a vida destes clientes ainda melhor. Também aceitam-se reforços para a doação de mantimentos que permitam a continuidade do projeto. Contato com Isabel pelo telefone 99134-9206.
Meio Ambiente
6ª edição do Conexões Sustentáveis aconteceu no Calçadão de Canoas

Aconteceu na manhã de quarta-feira, 11, a sexta edição do Conexões Sustentáveis: Mutirão da Reciclagem, no Calçadão de Canoas (Rua Tiradentes, Centro). O evento ocorreu paralelamente à Caravana do Emprego, promovida pela Prefeitura, mas sem vínculo institucional entre as iniciativas. Com um formato diferente, o objetivo do Mutirão foi ampliar a visibilidade do projeto e fortalecer a conscientização ambiental entre a população canoense.
Uma tenda foi montada no local, e uma equipe de catadores de materiais recicláveis atuou na divulgação do projeto Conexões Sustentáveis e no recebimento de recicláveis entregues pela população, que foram trocados por brindes. A ação buscou dar alcance à iniciativa e reforçar o papel essencial das organizações de catadores na cadeia da reciclagem.
Desde 2025, o Conexões Sustentáveis, realizado pelo Instituto Caminhos Sustentáveis (ICS) em parceria com a Petrobras, já promoveu cinco edições do Mutirão da Reciclagem em diferentes bairros de Canoas, como Guajuviras, Niterói e Mathias Velho, fortalecendo a relação entre catadoras, catadores e comunidade. As ações têm foco na educação ambiental, na separação correta dos resíduos e no estímulo ao descarte adequado, contribuindo para o aumento dos índices de reciclagem e para uma mudança cultural na relação da sociedade com seus resíduos.
A ação no centro da cidade, em local de grande circulação, destacou a atividade dos catadores, muitas vezes percebida de forma informal e precarizada. O projeto Conexões Sustentáveis atua ainda na reestruturação das organizações, no fortalecimento técnico e organizacional da categoria, com ações de qualificação, fomento ao cooperativismo e empreendedorismo, motivadas principalmente pela catástrofe climática que atingiu a região em 2024.
“Levar o Mutirão da Reciclagem para o Calçadão de Canoas, um espaço de grande circulação e próximo do comércio local, amplia o diálogo com a população e com este setor, que é estratégico para a logística reversa. Essa aproximação fortalece a coleta seletiva, que é de responsabilidade das organizações da cidade, além de possibilitar uma melhora no fluxo dos resíduos, gerando benefícios tanto para os catadores quanto para a cidade e o meio ambiente”, destaca Dione Manetti, presidente do ICS.
Policial
Policial militar que atuava em Canoas é preso por suspeita em envolvimento no desaparecimento de três pessoas da mesma família em Cachoeirinha

O policial militar Cristiano Domingues Francisco, que atuava na 3ª Companhia do bairro Guajuviras, em Canoas, foi preso preventivamente na manhã desta terça-feira, 10, pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que investiga o desaparecimento de três integrantes de uma mesma família de Cachoeirinha.
Cristiano é ex-companheiro de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, que desapareceu com seus pais, Isail Vieira de Aguiar, de 69, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70, desde os dias 24 e 25 de janeiro. Até o momento, as circunstâncias do sumiço não foram esclarecidas.

Divulgação Polícia Civil
O caso
De acordo com a Polícia Civil, Silvana fez uma publicação em redes sociais no sábado, 24, na qual afirmou ter sofrido um acidente de trânsito enquanto retornava de Gramado, na Serra Gaúcha. Após a mensagem, os pais teriam saído para procurá-la, mas também não foram mais vistos. Segundo a polícia, não há registro oficial de acidentes no trecho mencionado.
As investigações apontam que o contato com os familiares foi interrompido em momentos distintos. Silvana é mãe de um menino de 9 anos, que estava sob os cuidados do pai no fim de semana do desaparecimento. Os pais dela são proprietários de um minimercado que funciona junto à residência da família. O estabelecimento está fechado desde o dia 25 de janeiro, data em que os idosos foram vistos pela última vez.
O caso foi debatido em uma reunião realizada na segunda-feira, 9, em Cachoeirinha, com a participação de agentes da Polícia Civil, delegados e da subchefe da Polícia Civil no Rio Grande do Sul, Patrícia Tolotti. Segundo o delegado Spier, o encontro teve como objetivo aprofundar a análise do caso e confrontar informações já levantadas durante a investigação.
A Polícia Civil aguarda os resultados de perícias realizadas nas residências da família, no minimercado e em veículos, além da análise de imagens de câmeras de segurança que registraram movimentações nos dias do desaparecimento. Um celular encontrado nas proximidades da casa dos idosos também passará por perícia.
O caso segue em apuração e, até agora, não há informações oficiais sobre o paradeiro da família.
Policial
Rio Grande do Sul registra mais dois casos e chega ao 13º feminicídio no interior do Estado em menos de 24h

No Rio Grande do Sul, o ano já registra o 13º feminicídio, com dois casos recentes no interior do estado que estão sob investigação da Polícia Civil.
O primeiro crime ocorreu na madrugada de sábado, 7, em São Francisco de Paula. A vítima foi morta a facadas dentro do quarto do casal, na residência onde vivia com o companheiro. Os dois haviam vindo da Paraíba e estavam morando na cidade há poucos meses.
Após o ataque, o suspeito fugiu usando o carro de um familiar e se escondeu em Bom Jesus, onde mantém vínculos com parentes e amigos. Ele foi preso na segunda feira, 9, depois de um trabalho intenso de investigação que mobilizou equipes de várias delegacias da região, além do apoio do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos.
Segundo a delegada Fernanda Seibel Aranha, responsável pelo caso, a Polícia Civil atuou de forma ininterrupta desde as primeiras horas após o crime. O homem preso tem antecedentes por homicídio, roubo e outros delitos.
O segundo caso foi registrado em Santa Clara do Sul, na Região dos Vales. Na manhã desta terça feira, 10, uma mulher de 30 anos e o ex marido, de 37, foram encontrados mortos em uma residência. A Brigada Militar foi acionada após um carro ter invadido a garagem do imóvel.
A mulher estava dentro da casa, e o ex marido foi encontrado sem vida embaixo do veículo envolvido no acidente. Segundo informações apuradas, ele mantinha uma boa convivência com a ex companheira e havia ido até a residência para visitar a filha do casal.
As investigações apontam que o crime foi cometido por um ex namorado da vítima. O atual companheiro dela, de 45 anos, foi encontrado ferido no local e levado para atendimento no Hospital Bruno Born, em Lajeado.
A filha da mulher, de apenas 5 anos, estava trancada em um dos cômodos da casa. Ela foi retirada em segurança pelos policiais e entregue aos cuidados de um familiar.
A Polícia Civil trata o episódio como feminicídio seguido de homicídio e trabalha para esclarecer a dinâmica do crime e apontar o responsável pelas mortes. O local foi isolado para perícia, e as investigações seguem em andamento.

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