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28/08/2026
 

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Caixas D’água, pressão e tempo: o que explica o abastecimento nas cidades

Redação

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Interrupções no abastecimento costumam gerar uma reação imediata: a expectativa de que, concluído o trabalho, seja uma obra, um reparo ou uma melhoria, a água retorne automaticamente. Mas, nos sistemas de saneamento, não existe um simples “liga e desliga”.

O abastecimento de água funciona como uma rede ampla e interligada. Após uma intervenção, é necessário recompor os níveis dos reservatórios e reencher quilômetros de tubulações até que a água chegue a todas as regiões. Esse processo é gradual e pode levar mais tempo em áreas mais distantes ou em pontos mais altos das cidades. Além disso, o retorno precisa seguir critérios técnicos: a água volta às tubulações com pressão controlada, evitando excessos que possam causar rompimentos e comprometer o sistema.

Esse cuidado ajuda a explicar uma situação comum no dia a dia: o impacto das interrupções não é igual para todos.

Imóveis com caixa d’água atravessam melhor esses períodos, porque contam com uma reserva que garante o consumo por mais tempo. Já nas residências sem essa estrutura, qualquer interrupção é sentida imediatamente.

Por isso, do ponto de vista técnico, a caixa d’água não é apenas um complemento, mas parte essencial da infraestrutura do imóvel. Normas brasileiras, como a ABNT NBR 5626, orientam que as instalações devem garantir reserva e continuidade no abastecimento, o que, na prática, envolve o uso de reservatórios e sua manutenção periódica, inclusive limpeza, para preservar a qualidade da água e dar mais previsibilidade ao consumo.

Outro fator importante é a pressão da rede, medida em metros de coluna de água.

De forma simples, ela representa a “força” com que a água chega às casas. É essa pressão que permite que a água alcance caixas d’água, suba para andares mais altos e funcione adequadamente em torneiras e chuveiros. Em imóveis mais elevados, podem ser necessárias soluções adicionais, como reservatórios inferiores e sistemas de bombeamento.

Esses aspectos ajudam a entender um contexto mais amplo. O saneamento no Brasil passa por um processo de transformação que exige um ciclo intenso de obras e intervenções. Em alguns momentos, isso implica interrupções temporárias no abastecimento. Trata-se de um impacto pontual que viabiliza melhorias permanentes.

No Rio Grande do Sul, esse movimento já é percebido na rotina da população. Garantir abastecimento regular em centenas de municípios, com diferentes características geográficas e sob influência de eventos climáticos cada vez mais intensos, exige investimentos consistentes e ajustes contínuos na operação. A Corsan vem avançando nesse processo, ampliando sistemas, interligando redes e modernizando estruturas para reduzir vulnerabilidades e aumentar a segurança hídrica.

Isso significa que intervenções ainda serão necessárias. Elas fazem parte de um esforço maior para que todas as famílias atendidas tenham acesso a um serviço mais estável, previsível e de qualidade.

Em um setor que trabalha para alcançar a universalização até 2033, cada obra, cada ajuste e cada parada temporária integram uma transição importante: sair de um sistema que operava no limite para outro mais robusto e preparado para o futuro.

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Corsan acelera transformação do saneamento no Rio Grande do Sul

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Com R$ 6 bilhões investidos em três anos, Companhia amplia obras, incorpora tecnologia e prepara o Estado para a universalização até 2033

O saneamento do Rio Grande do Sul entrou em uma nova escala. Em três anos, a Corsan investiu R$ 6 bilhões e ampliou sua capacidade de transformar recursos em obras, tecnologia e serviços para a população.

O movimento enfrenta um déficit acumulado ao longo de décadas, principalmente no esgotamento sanitário. Dados do Instituto Trata Brasil, referentes a 2022, apontavam que apenas 36% da população gaúcha tinha
coleta de esgoto e somente 26,6% do volume gerado no Estado recebia tratamento. O Censo 2022, do IBGE, indicava cerca de 1,7 milhão de pessoas sem acesso adequado ao serviço.

Desde julho de 2023, a média anual de investimentos da Corsan, historicamente em torno de R$ 499 milhões, passou para aproximadamente R$2,094 bilhões. Para levar esse volume de recursos às cidades, a Companhia ampliou frentes de trabalho, incorporou tecnologia e dados e criou estruturas próprias de apoio às obras. A estratégia busca garantir o ritmo necessário para que os 317 municípios atendidos avancem em direção às metas de 99% de cobertura de água e 90% de esgoto até 2033.

Esgoto avança em ritmo inédito

A mudança aparece com mais força no esgotamento sanitário. A cobertura entre a população atendida pela Corsan passou de 19% para cerca de 30% em três anos, avanço equivalente a aproximadamente metade de tudo o que havia sido construído pela Companhia nas quase seis décadas anteriores.

Com mais de R$ 1,6 bilhão investidos, foram implantados mais de 1,1 mil quilômetros de redes coletoras, construídas 18 Estações de Tratamento de Esgoto, 116 estações elevatórias e mais de 101 quilômetros de emissários e linhas de recalque. As novas estruturas ampliaram o acesso aos serviços para mais de 852 mil pessoas.

A capacidade de tratamento cresceu mais de 911 litros por segundo. Com isso, 17,69 bilhões de litros de esgoto por ano deixam de ser lançados no ambiente sem tratamento, volume equivalente a cerca de 7 mil piscinas olímpicas.

É o saneamento além do que se vê: infraestrutura que se traduz em proteção
dos rios, saúde e qualidade de vida.

Mais segurança para o abastecimento

Os sistemas de água também avançaram. Foram investidos R$ 810 milhões na
ampliação da produção, reservação e distribuição, com 500 quilômetros de novas redes, 186 mil novos imóveis atendidos, sete estações de tratamento, dez reservatórios, oito elevatórias e 296 poços profundos em operação.

As estruturas ampliam a segurança hídrica, acompanham o crescimento das cidades e aumentam a capacidade de resposta em períodos de maior consumo e diante de eventos climáticos extremos.

Tecnologia para antecipar problemas

O Centro de Operações Integradas ampliou de 129 para 312 o número de unidades monitoradas em tempo real. Mais de 4,3 mil ativos, entre poços, reservatórios, estações de tratamento e elevatórias, também são acompanhados permanentemente.

O uso de tecnologia tem papel importante no combate às perdas. Desde o início da nova gestão, o índice caiu de 44% para 40%. Monitoramento por satélite e geofonia permitiram localizar e corrigir 27 mil vazamentos ocultos,
melhorando o aproveitamento da água captada e tratada e reduzindo a pressão sobre os mananciais.

O controle da qualidade também foi reforçado, com R$ 60 milhões investidos em sistemas e equipamentos. Atualmente, são realizadas cerca de 672 mil análises de água e 33 mil de esgoto por mês.

Estrutura própria para acelerar obras

Para dar suporte ao novo ritmo, a Corsan criou em Esteio o Parque de Infraestrutura e Inovação, que reúne fábrica de tubos, usina de asfalto, laboratório de solos e pavimentação e unidade de produção de sulfato de alumínio.

A fábrica tem capacidade para produzir até 200 quilômetros de tubulações por mês. A usina de asfalto acelera a recomposição das vias após as intervenções, enquanto a produção de sulfato de alumínio amplia a autonomia no
fornecimento de um insumo utilizado no tratamento de água.

A estrutura reduz a dependência de fornecedores, amplia o controle de qualidade e dá maior previsibilidade às obras.

Saneamento preparado para um novo clima

As enchentes de 2024 reforçaram a necessidade de adaptar a infraestrutura a eventos climáticos extremos. A partir dessa experiência, a Corsan estruturou o Plano de Resiliência Hídrica, com R$ 1,8 bilhão em investimentos previstos para 55 municípios.

O plano contempla realocação de estruturas em áreas de risco, ampliação da reservação, interligação de sistemas, novas fontes de captação e estoques estratégicos de equipamentos. A proposta é antecipar riscos e aumentar a segurança e a capacidade de recuperação dos sistemas.

Um ciclo que movimenta o Estado

Atualmente, 71 municípios têm intervenções em andamento, com 153 frentes de obras simultâneas e cerca de 3 mil empregos ativos diretamente relacionados a esse ciclo. Considerando os efeitos diretos, indiretos e induzidos, o programa tem potencial para gerar aproximadamente 47 mil empregos por ano no Rio Grande do Sul.

Cada rede implantada produz efeitos que ultrapassam a obra: movimenta fornecedores, gera trabalho, melhora as condições de saúde, protege recursos naturais e cria infraestrutura para o desenvolvimento das cidades.

Mais perto das pessoas

O avanço também passa pela relação com as comunidades. Projetos como De Olho no Óleo, Elo Verde, Saneamento Salva e Patrulha contra os Vilões do Esgoto aproximam o saneamento do cotidiano e estimulam educação ambiental e uso consciente dos sistemas.

A Patrulha já alcançou cerca de 10 mil estudantes em 22 cidades. Outra frente de inclusão é a Tarifa Social, ampliada de 45 mil para 240 mil famílias, alcançando cerca de 640 mil pessoas.

Recuperar o atraso e construir o futuro

A universalização até 2033 ainda exige um longo percurso. O desafio é manter a escala de investimentos e execução necessária para superar um déficit histórico.

“Quando falamos em universalização, falamos de uma transformação que chega à vida das pessoas e ao futuro das cidades. O Rio Grande do Sul não podia mais esperar. Estamos construindo a infraestrutura e a capacidade de
execução necessárias para recuperar esse atraso e levar os benefícios do saneamento a quem ainda não tem acesso”, afirma a presidente da Corsan, Samanta Takimi.

Tecnologia, produção própria, inteligência de dados, planejamento e obras simultâneas formam hoje a base para acelerar as entregas.

O desafio dos próximos anos é manter esse ritmo para transformar o maior ciclo de investimentos da história da Corsan em uma nova realidade para o saneamento do Rio Grande do Sul.

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Como a chuva pode provocar extravasamentos de esgoto

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Diante da previsão de novos períodos de instabilidade no Rio Grande do Sul, é importante entender como a chuva pode afetar a rede de esgotamento sanitário.

As cidades possuem redes com funções diferentes. A rede de esgoto transporta a água usada em vasos sanitários, pias e chuveiros até o tratamento. Já a drenagem recebe a chuva que escorre de telhados, calçadas e ruas. Uma não deve ser ligada à outra.

Quando calhas, pátios, ralos externos ou tubulações pluviais são conectados ao esgoto, a chuva entra em uma estrutura projetada para receber um volume menor. Ela também pode ingressar por tampas, redes danificadas ou pontos alagados. Tubulações, estações de bombeamento e unidades de tratamento podem, então, ultrapassar sua capacidade. Isso pode provocar o retorno do esgoto para os imóveis ou extravasamentos nas ruas. Falta de energia e elevação dos rios dificultam ainda mais a operação.

A prevenção depende de responsabilidade compartilhada. Cabe à companhia de saneamento monitorar os sistemas, limpar e manter as redes, inspecionar ligações, ampliar estruturas e mobilizar equipes para responder às ocorrências.

As gestões municipais respondem pela drenagem urbana, conservação das ruas e bocas de lobo, coleta de resíduos, fiscalização de obras e ligações irregulares e coordenação das ações durante eventos climáticos.

A população contribui ao fazer a ligação correta do imóvel e usar adequadamente a rede. A água das calhas e dos pátios deve seguir para a drenagem, nunca para o esgoto. Tampas não devem ser abertas para escoar alagamentos. Lixo, óleo, fraldas e tecidos não podem ser descartados em pias ou vasos sanitários, pois causam entupimentos.

Nem todo extravasamento durante uma chuva intensa decorre de falta de manutenção. Muitas vezes, ele acontece porque a água pluvial entrou em um sistema que não foi dimensionado para recebê-la. A resposta precisa ser rápida, mas a prevenção exige a participação de todos.

Preparar as cidades para eventos climáticos mais frequentes passa por ampliar o saneamento e a drenagem, corrigir ligações inadequadas e fortalecer a cooperação. Cada cuidado ajuda a proteger a saúde, os cursos d’água e a vida nas cidades.

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Corsan industrializa a construção de estações de tratamento e reduz em até 80% o tempo de implantação das obras

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Modelo inédito desenvolvido com quatro empresas gaúchas permitirá acelerar a expansão do saneamento em praticamente todo o Rio Grande do Sul

Uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) convencional pode levar até dois anos entre o início das obras e o começo da operação. Agora, uma solução desenvolvida pela Corsan em parceria com quatro empresas gaúchas reduz esse prazo para cerca de quatro meses.

A iniciativa marca uma mudança na forma de implantar saneamento no Rio Grande do Sul. Em vez de executar praticamente toda a estação no município, a estrutura passa a ser produzida de forma industrializada, em Canoas, e transportada em módulos até o local onde será instalada. No município, ficam concentradas apenas as etapas de preparação da área, obras civis, montagem, interligações, testes e início da operação assistida.

O resultado é uma redução expressiva no tempo necessário para colocar uma estação em funcionamento e levar mais rapidamente os benefícios do tratamento de esgoto para a população.

Nova forma de construir saneamento

Desenvolvido pela Corsan em parceria com empresas gaúchas, o novo modelo representa uma solução inédita no Estado e integra a estratégia da Companhia para acelerar a universalização do saneamento por meio da inovação e da engenharia.

As estruturas produzidas em módulos chegam praticamente prontas ao município. Isso reduz o tempo de execução de terraplanagem, das obras, aumenta o controle de qualidade durante a fabricação e diminui os impactos da construção nas cidades.

Uma solução para diferentes municípios

As estações foram projetadas para atender municípios de diferentes portes. São quatro modelos, com capacidade para tratar vazões de 2,5, 5, 10 e 20 litros por segundo. Os módulos também podem ser combinados entre si, formando sistemas com capacidade de até 50 litros por segundo. Acima dessa capacidade, a operação exige tanques maiores e são utilizadas as estações convencionais de tratamento.

Essa flexibilidade permite que a solução atenda, de forma independente, 294 dos 317 municípios operados pela Corsan no Rio Grande do Sul, tornando-se uma importante ferramenta para acelerar a expansão do tratamento de esgoto em praticamente todo o Estado.

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