Política
Jairo Jorge é condenado novamente a ressarcir os cofres públicos

O ex-prefeito Jairo Jorge e a ex-primeira dama Taís Pena foram condenados a ressarcir os cofres públicos em decorrência da contratação de uma empresa que executaria a construção de um pórtico na entrada da cidade de Canoas. O monumento seria idealizado por um artista plástico e a contratação da empresa se deu sem licitação, além disso, parte do valor chegou a ser pago através de um empenho em 2014. A decisão da juíza Mariana Costa Gama de Oliveira se deu em primeira instância e cabe recurso.
Na defesa, os réus justificaram que a dispensa de licitação teria ocorrido por não haver concorrente que fizesse o mesmo trabalho do artista contratado, uma vez que suas obras se tratam de peças únicas em um estilo específico. No entanto, o argumento não foi aceito pela juíza, que acabou condenando o ex-prefeito e a ex-primeira dama. Taís Pena foi condenada na mesma decisão por ser, à época, a responsável pela secretaria municipal que realizou a contratação.
A condenação
A condenação é relativa a uma ação popular, por meio da qual a parte autora pediu que os réus fossem condenados a restituir aos cofres públicos o valor gasto com a contratação realizada pelo Município de Canoas, através da Secretaria Municipal de Projetos Especiais, Captação e Inovação, com a pessoa jurídica Mull Projetos Culturais Ltda. – ME, argumentando que houve afronta aos princípios da moralidade e da legalidade, uma vez que teria sido dispensada indevidamente a licitação.
A ação judicial relata que foi realizada uma contratação no valor de R$ 96.000,00, durante o governo Jairo Jorge, através da Secretaria Municipal de Projetos Especiais, Captação e Inovação, com a pessoa jurídica Mull Projetos Culturais Ltda. – ME, para criação de obra de arte no Município. Além de questionar a finalidade e a quem interessaria tal obra, apontou que não foi esclarecido esclarecido como ela seria criada. Revelou também que no dia 12 de novembro de 2014, foi pago um empenho no valor de 10% da contratação relativa ao projeto da obra que nunca foi concretizada.
Ressarcimento
De acordo com a juíza, ausente a demonstração de contratação de profissional específico a justificar a dispensa de licitação, e demonstrada a contratação de pessoa jurídica sem qualquer prova de que esta intermediasse o trabalho do artista em questão, devem os réus ressarcir aos cofres públicos municipais, solidariamente, o valor pago em razão da contratação, no montante de R$ 9.600,00, devidamente corrigido.
Ofensa à legalidade
De acordo com juíza, a contratação ofendeu a moralidade administrativa e a legalidade. “Em razão da conduta dos requeridos ter constituído flagrante desobediência aos preceitos constitucionais e ofensa à moralidade administrativa e à legalidade, bem como lesão ao patrimônio público em razão do pagamento realizado sem notícias de ressarcimento ao erário, patente é a lesividade e a ilegalidade da contratação direta realizada e, portanto, de rigor a declaração da nulidade do ato, por vício de forma”, disse a magistrada em sua decisão.
Ex-prefeito teve os bens bloqueados em decorrência de outro processo
A ação que condenou o ex-prefeito Jairo Jorge em decorrência da contratação da empresa que construiria o pórtico é uma entre diversas outras nas quais ele é réu. A mais conhecida delas pelo público é a que levou seus bens a serem congelados, por decisão do TRF-4.
Relembre o caso
A decisão do TRF-4 da desembargadora federal Vivian Josete Pantaleão Caminha, em 2018, determinou na Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa, ajuizada pelo Ministério Público Federal contra o ex-prefeito de Canoas (RS) Jairo Jorge da Silva, o ex-secretário de Saúde Marcelo Bósio, o ex-secretário adjunto da Saúde Leandro Gomes dos Santos, a ex-vice-prefeita Lúcia Elisabeth Colombo Silveira e a empresa GSH- Gestão e Tecnologia em Saúde, a indisponibilidade solidária dos bens de todos os réus até o montante de R$ 16.471.841,00. Trata-se de decisão liminar, não havendo ainda decisão definitiva do processo.
O texto do processo aponta que foi verificada precariedade e a ineficácia do serviço contratado (teleagendamento), em decorrência da extrema demora e dificuldade para obtenção de horários disponíveis para consultas, além das dificuldades para conseguir linha no próprio serviço de call center.
Política
Comissão da Assembleia recebe denúncias sobre tarifas e falhas nos serviços da Aegea/Corsan

A Comissão Especial de Fiscalização da Aegea/Corsan, presidida pela deputada estadual Stela Farias, realizou na segunda-feira, 15, uma audiência pública para discutir a prestação dos serviços de abastecimento de água e saneamento em municípios atendidos pela concessionária. Durante o encontro, deputados receberam relatos de usuários, vereadores e lideranças municipais sobre aumentos tarifários, interrupções no abastecimento, questionamentos sobre a qualidade da água e cobranças consideradas indevidas.
A comissão também debateu os investimentos previstos após a privatização da antiga Corsan. Segundo Stela Farias, o colegiado pretende avaliar se os compromissos assumidos pela concessionária estão sendo cumpridos. A Aegea/Corsan deverá ser ouvida pelos parlamentares na próxima semana.
Ao se manifestar durante a audiência, a deputada afirmou que a população tem demonstrado insatisfação com os serviços prestados.
“O que o povo encontra nos últimos dois anos e meio na caixa de correio e na torneira é o contrário da promessa, é um serviço de pior qualidade, é uma conta mais cara, e são investimentos que não chegam onde mais precisam chegar”, declarou.
Stela também citou informações sobre a situação financeira da empresa.
“Ou seja, põe-se em xeque exatamente o argumento que justificou a privatização”, afirmou.
A parlamentar destacou ainda que câmaras municipais de diversas cidades já instalaram comissões para investigar denúncias relacionadas à atuação da concessionária. Ela mencionou medidas adotadas por prefeituras, pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública para buscar soluções aos problemas relatados pela população.
Outro tema abordado foi a tarifa social destinada às famílias inscritas no Cadastro Único. Segundo Stela, a comissão buscará esclarecimentos sobre reajustes aplicados às contas dos consumidores.
“É preciso dizer também que, junto da tarifa social, veio um novo aumento. Um aumento de quase 6% na conta de todos os usuários. A empresa pediu à agência reguladora, a Agergs, concedeu”, sustentou.
O engenheiro civil aposentado Luiz Antônio Timm Grassi, ex-funcionário da Corsan, destacou a importância dos investimentos em saneamento básico para a saúde pública.
“Quando se gasta em saneamento se economiza em saúde”, afirmou durante a audiência.
Representantes de municípios também relataram situações enfrentadas em suas cidades. O vereador de Alvorada, Beto Goleiro, afirmou ter recebido denúncias relacionadas à cobrança de taxas de esgoto.
“Hoje lutamos para individualizar a cobrança em Alvorada. Há mais de um ano a Aegea/Corsan não instala rede de esgoto. Então eles não podem mais dar continuidade ao esgoto”, disse.
Segundo o parlamentar, moradores também têm relatado problemas com valores elevados nas faturas.
“Algumas contas chegaram a R$ 11 mil, mas quando se questionou descobriu-se que o valor real seria de R$ 800”, afirmou.
Em Viamão, o vereador Alex Boscaini, relator da CPI da Corsan no município, afirmou que a cidade enfrenta reclamações relacionadas às tarifas cobradas pela concessionária. De acordo com ele, uma ação judicial foi movida para impedir a perfuração de poços sem as licenças necessárias.
“Trancamos através de Ação Civil Pública a Aegea em Viamão que estava escavando poços na área rural sem licenças prévias, sem EIA/Rima e sem nenhuma documentação necessária do ponto de vista da preservação ambiental”, declarou.
Boscaini também cobrou maior fiscalização dos órgãos responsáveis.
“Eles fazem o que querem e por que fazem isso? Onde é que está a Agergs e a Agência de Saneamento, os municípios e prefeitos que deveriam fiscalizar?”, questionou.
A Comissão Especial de Fiscalização informou que continuará acompanhando a atuação da Aegea/Corsan e que a próxima reunião contará com a participação de representantes da concessionária para apresentação de esclarecimentos sobre as demandas levantadas durante a audiência pública.
Política
Câmara de Canoas aprova projeto sobre restituição em dobro por cobranças indevidas nas contas de água e esgoto

Os vereadores de Canoas aprovaram, durante a sessão ordinária da última quinta-feira, 11, um projeto de lei que prevê medidas para ampliar a divulgação e facilitar o acesso dos consumidores ao direito de restituição em dobro de valores cobrados indevidamente nas faturas de água e esgoto. A proposta é de autoria do vereador Leandrinho Moreira e segue agora para análise do Poder Executivo.
O texto estabelece que a Corsan/Aegea, responsável pelos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário no município, mantenha canais de atendimento para contestação de cobranças, disponibilize informações sobre o direito à restituição em dobro e ofereça mecanismos para que os consumidores possam acompanhar os pedidos de revisão. A matéria também prevê prazos para análise das solicitações e para a devolução dos valores reconhecidos como indevidos.
De acordo com o autor, “a proposta busca fortalecer a proteção dos consumidores diante de situações como leituras equivocadas de hidrômetros, cobranças por serviços não solicitados, duplicidade de lançamentos e aplicação incorreta de tarifas, entre outras hipóteses”. O vereador destaca ainda que “muitos usuários desconhecem o direito à restituição em dobro previsto na legislação federal ou encontram dificuldades para exercer esse direito junto à concessionária”.
Conforme o projeto aprovado, as faturas deverão apresentar informações sobre o direito à contestação de cobranças e à restituição em dobro de valores pagos indevidamente, além da indicação dos canais disponíveis para solicitação de revisão. O texto também autoriza o Poder Executivo a promover campanhas educativas e ações em parceria com órgãos de defesa do consumidor para orientar a população sobre o tema.
Política
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