Meio Ambiente
Justiça Federal condena Município de Canoas e Corsan por dano ambiental no “Valão da Curitiba”
A 2ª Vara Federal de Canoas (RS) determinou que o Município e a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) parem de lançar esgoto in natura no local conhecido como “Valão da Curitiba”. O prazo para cumprimento da decisão é de 60 dias. A sentença, publicada na sexta-feira (30/6), é do juiz Felipe Veit Leal. O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ação também contra o Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes (DNIT).
A Justiça Federal alega que, em agosto de 2010, foram encontrados cerca de 2000 peixes mortos na vala de macrodrenagem da BR-448, no bairro Mathias Velho. Segundo a denúncia, o inquérito civil concluiu que o lançamento de esgoto doméstico sem tratamento teria provocado redução na quantidade de oxigênio existente na água, ocasionando a mortandade dos animais.
Dano ambiental comprovado
Com base no conjunto probatório anexado aos autos, o juiz federal substituto Felipe Veit Leal concluiu que a existência do dano ambiental seria incontroversa. Para o magistrado, também ficou comprovado que Corsan e Município de Canoas tinham “o dever legal e contratual de promover uma rede de esgoto sanitária sadia ao meio ambiente”.
“O Município é responsável por ter sido omisso no seu dever constitucional de proteger o meio ambiente e evitar a poluição por qualquer de suas formas, tendo a obrigação de fiscalizar os serviços delegados afetos à proteção ambiental; a Corsan, por sua vez, é responsável na medida em que não desempenhou a contento as obrigações assumidas mediante contrato com o Município, consistentes em prestar o serviço de coleta, transporte, tratamento e destino final do esgoto doméstico, pois permitiu que o esgoto continuasse sendo despejado in natura diretamente nos recursos hídricos, fato que culminou na morte dos peixes”, ressaltou.
Em relação ao DNIT, ele entendeu que não ficou demonstrada a contribuição das obras na BR-448 para a contaminação da água. O magistrado julgou procedente a ação, condenando o Município de Canoas e a Corsan a adotarem, no prazo de 60 dias, as medidas necessárias para cessar o lançamento de esgoto no “Valão da Curitiba”. Eles também deverão elaborar e executar projeto de recuperação de área degradada, além de pagar indenização no valor de R$ 42.016,39. Cabe recurso da decisão no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
Meio Ambiente
Guarda Municipal flagra descarte irregular de lixo em área de preservação no bairro Mato Grande, em Canoas

Durante uma ação de patrulhamento preventivo na noite de quarta-feira, 28, a Guarda Municipal de Canoas flagrou um homem descartando lixo e restos de obras em uma área de preservação ambiental no bairro Mato Grande. A ocorrência foi registrada no Loteamento Central Park.
O homem, de 39 anos, foi abordado pelos agentes e recolheu o material descartado de forma irregular. Ele informou que faria a destinação correta dos resíduos em um dos ecopontos do município. O caso foi encaminhado à Secretaria Municipal de Serviços e Zeladoria Urbana, que lavrou um auto de infração ambiental. A multa pode ultrapassar R$ 1.100 e pode ser aplicada em dobro caso haja reincidência no período de até seis meses.
A Guarda Municipal realiza patrulhamento contínuo nos bairros de Canoas com o objetivo de prevenir e coibir irregularidades. A corporação também disponibiliza o telefone 153 para denúncias, com atendimento 24 horas por dia. Pelo número, a população pode informar situações como descarte irregular de lixo, maus-tratos a animais, violência doméstica, violência escolar, entre outras ocorrências. O anonimato é assegurado.
Meio Ambiente
Litoral Norte mantém praias próprias para banho conforme terceiro boletim de balneabilidade

A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) divulgou, na sexta-feira, 26, o terceiro boletim do projeto Balneabilidade da temporada 2025/2026. O levantamento indica que todas as praias do Litoral Norte seguem próprias para banho. Em todo o Estado, no entanto, dez pontos monitorados foram classificados como impróprios, um a mais em relação ao segundo boletim: https://www.estado.rs.gov.br/governo-do-estado-divulga-segundo-boletim-de-balneabilidade-com-87-pontos-proprios-para-banho-no-rs
Na comparação com a semana passada, Nova Palma e dois pontos de Pelotas deixaram a lista de locais impróprios. Por outro lado, Cerrito, Pedro Osório e dois pontos adicionais em Rio Grande passaram a apresentar condições desfavoráveis aos banhistas.
Locais impróprios para banho nesta semana
Barra do Ribeiro — Praia da Picada/Lago Guaíba
Cerrito — Balneário Cerrito/Rio Piratini
Pedro Osório — Balneário Pedro Osório/Rio Piratini
Pelotas — Valverde (Av. Sen. Joaquim A. Assumpção)
Pelotas — Santo Antônio (Rua Bagé)
Pelotas — Valverde/Trapiche
Piratini — Balneário Municipal Klérfim Cardoso/Rio Piratini
Rio Grande — Praia do Cassino (Rua Apolinário)
Rio Grande — Praia do Cassino (Rua Goiás)
Tapes — Balneário Rebelo
Monitoramento e divulgação
O programa Balneabilidade é executado pela Fepam, com apoio da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) e do Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep). Ao todo, 96 pontos em praias e balneários de 45 municípios são monitorados.
Nesta temporada, passaram a integrar o monitoramento a Lagoa Rondinha (Balneário Pinhal), o Parque Náutico (Capão da Canoa) e o Balneário Klérfim Cardoso (Piratini). Os boletins são divulgados semanalmente, às sextas-feiras, no site e nas redes sociais da Fepam, além de placas informativas nos locais e no webaplicativo do programa. A divulgação segue até 27 de fevereiro.
Critérios de classificação
A classificação das águas considera os níveis de Escherichia coli (E. coli), conforme as resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) nº 274/2000 e nº 357/2005. Em alguns balneários, também são avaliadas cianobactérias.
O resultado de cada boletim leva em conta as cinco semanas anteriores de monitoramento. O ponto é considerado impróprio quando duas ou mais amostras superam 800 E. coli ou quando a amostra mais recente ultrapassa 2.000 E. coli, além de limites para cianobactérias.
Orientações aos banhistas
A Fepam recomenda que a população utilize apenas locais classificados como próprios, evite o banho após chuvas intensas, não entre na água em áreas com presença de algas e redobre a atenção com crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade.
Meio Ambiente
Série “Cidades Resilientes” mostra como país precisa se preparar para viver em um clima que já mudou


A série de reportagens Cidades Resilientes, recém lançado pelo Grupo O Timoneiro, faz um retrato contundente de como os impactos da crise climática já fazem parte da rotina das cidades brasileiras, e de como governos, comunidades e cidadãos precisam agir para enfrentar um cenário que deixou de ser futuro e passou a ser presente. Ao longo de dez episódios, a produção discute soluções, riscos e caminhos para construir cidades capazes de resistir, se adaptar e se reerguer diante de eventos extremos cada vez mais frequentes.
A urgência de um novo olhar sobre o clima
No episódio de estreia, a série destaca que estiagens prolongadas, enchentes, tornados e tempestades de granizo já fazem parte do cotidiano. A tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024 é usada como alerta máximo: mais de 500 mil pessoas foram deslocadas, 185 morreram e 23 seguem desaparecidas. As comunidades mais afetadas foram justamente as mais vulneráveis, populações periféricas, quilombolas e ribeirinhas.
O programa explica que uma cidade resiliente não é aquela que evita totalmente os impactos, mas sim a que consegue absorvê-los, proteger vidas e restabelecer rapidamente seu funcionamento. Isso exige duas frentes: mitigação, que busca reduzir os efeitos das mudanças climáticas, e adaptação, que prepara a cidade para os impactos inevitáveis. Ser resiliente, portanto, significa antecipar problemas, aprender com crises e reinventar o modo de viver nas cidades.
Eventos extremos: uma nova rotina
Os episódios seguintes detalham como os eventos extremos, antes esporádicos, se tornaram rotina. O RS vivenciou nos últimos anos estiagens históricas, ciclones, ondas de calor e enchentes devastadoras. Um estudo da UFRGS indica que esses eventos podem ficar até cinco vezes mais frequentes no Sul do país nos próximos 75 anos.
A combinação entre urbanização acelerada, impermeabilização do solo, emissão de gases de efeito estufa, aumento da frota de veículos e expansão desordenada das cidades intensifica os danos. A série reforça que nem o poder público nem a sociedade civil conseguem responder sozinhos: a reconstrução e a prevenção dependem de esforços coordenados.
Soluções baseadas na natureza: reconstruir a relação com os rios
O terceiro episódio apresenta caminhos inspirados nas chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBN). O objetivo é recuperar a relação das cidades com seus rios e permitir que a água encontre espaço para circular e ser absorvida pelo solo. Da drenagem sustentável à arborização, as SBN desafiam o modelo tradicional de “expulsar” a água e propõem alternativas para reduzir enchentes e ilhas de calor.
A Holanda aparece como referência: depois de séculos tentando dominar a água, o país passou a criar áreas onde o mar pode entrar sem causar danos, reorganizando-se para coexistir com seu ambiente.
Habitações resilientes e urbanismo sustentável
O quarto episódio aprofunda os desafios de garantir moradia segura em um contexto de eventos extremos. Muitas casas deixam de ser refúgio quando estão em áreas ribeirinhas, zonas de risco ou regiões alagáveis protegidas por diques que falham. O programa mostra que mobilidade, saneamento, conexão com áreas verdes e arborização são componentes essenciais de um urbanismo capaz de enfrentar o futuro.
Exemplos internacionais reforçam a importância de devolver espaço à natureza, como o caso sul-coreano em que um “rio fantasma”, canalizado por décadas, está sendo reaberto para revitalizar o território.
Tecnologia e cidades inteligentes: o presente da resiliência
No quinto episódio, a série mostra como tecnologia e dados são fundamentais para monitorar riscos, prevenir catástrofes e salvar vidas. Monitoramento em tempo real, inteligência artificial, dados georreferenciados e sistemas de alerta rápida formam um conjunto de ferramentas que tornam as cidades mais eficientes e preparadas.
A tecnologia também permite comunicação ágil e transparente, essencial para que a população saiba como agir antes e durante um desastre. Exemplos práticos aparecem ao longo do episódio — como quadras esportivas rebaixadas que se transformam em reservatórios temporários e o uso holandês de tijolos permeáveis nas ruas secundárias.
Educação climática: a base da mudança cultural
O episódio seguinte reflete sobre o papel da educação ambiental como força transformadora. Professores, escolas e jovens são apontados como atores centrais de uma mudança que vai além do meio ambiente: envolve cultura, economia, política e comportamento.
A série defende que cidades resilientes precisam de cidadania ativa, e isso começa quando crianças e adolescentes compreendem como suas ações individuais afetam a coletividade.
Saúde e clima: um novo desafio urbano
Outro capítulo revela como as mudanças climáticas se tornaram um problema de saúde pública. O aumento da temperatura fortalece vetores de doenças, amplia casos respiratórios e pressiona o sistema de saúde. Mas as consequências não são apenas físicas: o impacto psicológico de perder casas, memórias e referências, como ocorreu no RS em 2024, gera ansiedade, depressão e traumas duradouros.
Economia circular e empregos verdes
A série também aborda a transformação econômica trazida pela crise climática. A economia verde cria novas oportunidades de negócios e empregos, desde o saneamento até tecnologias de mitigação industrial. A economia circular surge como modelo estratégico para reduzir desperdícios e preservar recursos, enquanto o acesso a financiamentos internacionais é visto como peça-chave para tornar cidades mais resilientes.
Mobilidade urbana: circular é resistir
O episódio sobre mobilidade urbana ressalta que a forma como nos deslocamos impacta o clima e a própria estrutura das cidades. O modelo baseado no carro individual agrava congestionamentos, emissões e desigualdades. A série propõe a ampliação do transporte público de massa — com estímulo a ônibus elétricos — e a criação de multicentralidades para reduzir deslocamentos longos. A mobilidade é tratada como tema central de resiliência.
Ação coletiva e participação cidadã
No episódio final, Cidades Resilientes afirma que enfrentar o clima que já mudou depende de transparência, responsabilidade compartilhada e engajamento popular. Da pavimentação dos quintais às grandes obras de infraestrutura, a adaptação exige decisões coletivas e visão de longo prazo.
A conclusão é clara: governos, empresas e cidadãos precisam agir juntos, guiados pela ciência e pela natureza, para construir cidades mais seguras, humanas e preparadas para o futuro.
Ficha Técnica
O projeto conta com roteiro, direção do jornalista Vanderlei Dutra, que também conduz a narrativa ao longo de toda a produção. A produção é assinada por Fabiano Florez, enquanto Pedro Busanello responde pelas imagens e edição.
A consultoria de conteúdo fica a cargo de Helena Grundig, que também participa das entrevistas ao lado de Satya Maia Patchineelam, trazendo aprofundamento técnico e contextualização ao tema.
A iniciativa tem patrocínio do BRDE, que apoia a realização do projeto.

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