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Brasil cria Parque Nacional Marinho do Albardão: uma vitória que levou décadas

ICMBio e Ministério do Meio Ambiente instituem a maior área de proteção marinha do Sul do país. Os canoenses e ambientalistas José Truda e Nalu Machado fizeram parte dessa conquista histórica.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério do Meio Ambiente concretizaram, em março de 2026, uma das maiores conquistas da história da conservação marinha brasileira: a criação do Parque Nacional do Albardão e da Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, localizados na zona costeira e marítima do município de Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do Rio Grande do Sul.
O Parque Nacional do Albardão abrange pouco mais de 1 milhão de hectares, área que contempla internamente a APA do Albardão, com 55 mil hectares, e uma zona de amortecimento de 558 mil hectares. Uma extensão que protege definitivamente um trecho da costa brasileira ameaçado durante gerações.
Um ecossistema singular sob constante risco
A região do Albardão é muito mais do que uma praia isolada no limite meridional do Brasil. O local é considerado estratégico para o ciclo de vida de diversas espécies ameaçadas, como tartarugas marinhas, toninhas, golfinhos-de-Lahille, tubarões e raias. A região também é utilizada por aves marinhas migratórias e residentes para alimentação, reprodução e desenvolvimento.
Entre as espécies mais emblemáticas da área está a toninha (Pontoporia blainvillei), considerada a espécie de golfinho mais ameaçada do Atlântico Sul Ocidental. Sem proteção formal, a pressão da pesca industrial e o isolamento geográfico da região continuavam colocando em risco esse patrimônio natural compartilhado com o Uruguai.
A APA do Albardão foi desenhada para ordenar o uso sustentável do território costeiro, compatibilizando a conservação ambiental com as atividades tradicionais, especialmente a pesca artesanal, e favorecer o ecoturismo na faixa de areia que, com 250 km de extensão, é considerada a praia mais longa do mundo e a parte mais isolada e preservada de todo o litoral brasileiro.
Décadas de luta até a criação
Essa vitória não veio de uma hora para outra. A área foi reconhecida como prioritária para conservação em 2004. O processo formal foi aberto em 2008, com apoio de universidades e ONGs. Estudos ambientais e socioeconômicos foram produzidos entre 2017 e 2019, consultas públicas realizadas em 2024, e novas tratativas institucionais em 2026 levaram à configuração final do parque.
Durante todo esse longo percurso, a sociedade civil organizada foi o motor que impediu o processo de morrer na gaveta. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou que por trás da criação das unidades há estudos científicos, escuta pública, articulação entre instituições e empenho de servidores, pesquisadores e cidadãos comprometidos com a conservação da biodiversidade.
Canoenses na linha de frente
Entre os muitos que fizeram parte dessa luta estão dois ambientalistas de Canoas, no Rio Grande do Sul: José Truda Palazzo Jr. e Nalu Machado. Vindos da mesma cidade, cada um a seu modo contribuiu para que essa causa avançasse e chegasse até aqui.

José Truda Palazzo em uma das medições de área no Albardão
A trajetória de Truda no ambientalismo começou aos 15 anos, em 1978, inspirado por figuras como José Lutzenberger e Augusto Carneiro, na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural. Desde então, acumulou vitórias que moldaram o mapa da conservação marinha brasileira: a criação do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (1988), da APA do Anhatomirim (1992) e da APA da Baleia Franca (2000).
No caso do Albardão, sua atuação foi direta. Representando o Instituto Augusto Carneiro e o Divers for Sharks, levou o caso ao Ministério Público Federal quando o processo emperrou no ICMBio: “Depois de meses de diálogos e de uma campanha pública com milhares de assinaturas, nós não conseguimos que o ICMBio mova uma linha no processo. Então, o jeito foi recorrer ao Judiciário para tentar obrigar o ICMBio a cumprir sua obrigação.”
Truda também integrou a coalizão binacional que resultou, em 2020, no Projeto Un Solo Mar, reunindo organizações do Brasil e do Uruguai para consolidar o conhecimento técnico-científico sobre a região. Ao ver o decreto assinado, resumiu: “Isso coroa um processo de mobilização da sociedade civil organizada e de um governo que soube ouvir essa demanda.”

Nalu Machado enfrentou os ataques da indústria pesqueira em audiências públicas
Nalu Machado, presidente do IBRACON, foi outra voz canoense presente nos momentos mais tensos dessa batalha. Em 2024, integrou a chamada “Caravana da Coragem”, composta pelo NEMA, Instituto Baleia Jubarte, IBRACON e Divers for Sharks, que viajou ao Rio Grande do Sul para participar das audiências públicas realizadas em Santa Vitória do Palmar e em Rio Grande. O financiamento da viagem veio da organização Whale & Dolphin Conservation, sem o qual a participação da sociedade civil naquelas audiências teria sido inviável.
O ambiente nas audiências foi hostil. Grupos contrários à criação do parque, ligados à sobrepesca e à política local, organizaram protestos para intimidar os participantes, obrigando os representantes ambientalistas a atuar sob proteção de um contingente da Polícia Federal. Mesmo assim, Nalu Machado falou nas duas ocasiões e as audiências foram concluídas.
Uma conquista com peso histórico
A criação do Parque Nacional do Albardão eleva o total de área marinha sob proteção para aproximadamente 26,73% da Zona Econômica Exclusiva do Brasil. O objetivo internacional é chegar a 30% até 2030, no âmbito do Marco Global da Biodiversidade Kunming-Montreal.
Como escreveu Truda ao celebrar o decreto: “O Parque Nacional do Albardão é prova disso. Não desistam nunca, pessoal, ainda há muito o que se proteger neste país.”
Para os ambientalistas canoenses José Truda e Nalu Machado, e para todos que somaram forças nessa causa ao longo de décadas, o decreto representa a prova de que a persistência da sociedade civil é capaz de transformar o mapa da conservação de um país.
O Albardão, enfim, tem a proteção que merecia.
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Deputado federal Carlos Gomes destina R$ 890 mil ao Hospital Universitário de Canoas

O Hospital Universitário de Canoas recebeu oficialmente, na tarde de segunda-feira, 2, uma emenda parlamentar de R$ 890 mil do deputado federal Carlos Gomes. O recurso será aplicado na redução das filas de espera por consultas e cirurgias.
Segundo o parlamentar, a emenda busca acelerar o atendimento de pacientes que aguardam intervenções médicas, garantindo maior rapidez e qualidade no serviço: “O objetivo é ajudar no atendimento daquelas pessoas que estão aguardando uma intervenção cirúrgica há alguns dias ou meses”, afirmou.
O prefeito Airton Souza destacou que cada investimento na saúde representa menos tempo de espera e mais dignidade para os pacientes. Para ele, a emenda deve contribuir de forma direta para o atendimento da população de Canoas e da região.
Representantes da Prefeitura reforçaram a importância do recurso. A secretária de Projetos e Captação de Recursos, Daniela Fontoura, afirmou que a verba chega em um momento estratégico para reduzir filas de consultas e cirurgias. Já a secretária adjunta de Saúde, Daniela Oliveira, destacou o impacto positivo nos atendimentos da unidade.
Canoas
Corsan diz que água no bairro Estância Velha deve voltar completamente até fim do dia

Nesta quinta-feira, 19, equipes da Corsan trabalham na Rua Ernesto da Silva Rocha, em Canoas, para reparar uma rede de água danificada, que tem causado variações na pressão do abastecimento em parte do bairro Estância Velha.
Segundo a Corsan, o abastecimento deve ser normalizado de forma gradual até o final da tarde.
A população pode acompanhar informações e registrar solicitações por meio dos canais de atendimento da Corsan: aplicativo Corsan, site cliente.corsan.com.br, WhatsApp ou ligação gratuita pelo número 0800.646.6444.
A Companhia reforça que esses canais estão disponíveis continuamente e orienta os moradores a utilizá-los para comunicados, pedidos de informação ou solicitações de serviço. Segundo a Corsan, esse procedimento contribui para agilizar a resposta e a atuação das equipes em campo.
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