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08/02/2026
 

Comunidade

Vila de Passagem se torna Vila dos Esquecidos

No loteamento falta infraestrutura e esperança de reassentamento a famílias

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Vila de Passagem está mais esquecida ainda. Foto: Bruno Lara/OT

Vila de Passagem está mais esquecida ainda. Foto: Bruno Lara/OT

Texto: Émerson Vasconcelos
Fotos: Bruno Lara

 

Na última semana a equipe de reportagem de O Timoneiro voltou à Vila de Passagem. O que encontramos lá foi um cenário de total abandono, com dezenas de famílias vivendo em casas de chapas de compensado praticamente destruídas pela umidade. Além disso, a maior parte da infraestrutura da vila não recebeu manutenção ou foi totalmente desmontada.

Cenário caótico

A Vila de Passagem certamente não poderia mais ser chamada por este nome. É fato que muitas das pessoas que foram levadas para lá pela Prefeitura já receberam suas casas definitivas, mas, à medida que umas iam saindo, a administração municipal ia colocando outras lá. Atualmente, a maioria dos que lá residem alegam que não foram levados para casas definitivas porque tiveram algum problema de documentação. Por outro lado, várias casas estão ocupadas por famílias que aproveitaram a situação de abandono da vila para se mudarem para lá de forma irregular.

O início

O assentamento, situado próximo ao loteamento Prata, foi montado para que as famílias residentes nas vilas localizadas nos diques da cidade fossem transferidas provisoriamente em 2011. Na época, a Prefeitura explicou que a medida era necessária para liberar o caminho para a construção da BR-448, uma vez que as vilas dos diques estavam na área onde ocorreria a construção.

Quando foi inaugurada, a vila tinha ares de campo de concentração. Quando nossa equipe visitou o local pela primeira vez, em 2011, os guardas do local exigiram que os repórteres se retirassem, assim que perceberam se tratar de profissionais de imprensa. As visitas só podiam acontecer de forma guiada pela Prefeitura.

Deterioração

Com o passar do tempo, a vigilância foi ficando cada vez menos rígida, mas isso não foi algo bom. Não apenas a imprensa parou de ser barrada, mas a guarita onde estava o guarda que protegeria os moradores foi demolida e atualmente não passa de escombros.

Da mesma forma, deixaram de existir o canil, a horta comunitária e a brinquedoteca. O estábulo, onde ficavam os cavalos dos moradores que trabalham com carroças, está em ruínas e oferece risco a qualquer animal que for deixado ali.

A pavimentação das ruas, a manutenção inicial realizada na rede de esgoto, a promessa de casas duradouras e de cuidados com animais se provaram, ainda em 2011, uma maquiagem de má qualidade. O asfalto colocado nas ruas da vila para a inauguração se despedaçou poucos meses depois, e, agora, em 2016, não existe mais nem em forma de cacos. Restam buracos, areia e brita constantemente molhados pelo esgoto que transborda a todo momento. No meio do lodo formado por esta mistura insalubre, crianças brincam e ficam expostas a possíveis doenças. E este cenário não é novo, verificamos este problema de saneamento desde nossa primeira visita.

O compensado utilizado para a construção das casas, e que, segundo a Prefeitura afirmou em 2011, deveria durar cinco anos começou a mostrar claras marcas de deterioração em 2013 e hoje está completamente tomado pela umidade.

Na ocasião da nossa visita, percebemos também que várias casas estão destelhadas. Segundo um morador, que preferiu não se identificar, a Prefeitura se negou a fornecer telhas para as famílias que ocuparam irregularmente o local, deixando aquelas famílias ao relento. O mesmo morador desabafou para a nossa equipe que tem medo das condições de segurança atuais da vila e que sequer deixa seus filhos pequenos brincarem fora do pátio. Ele ressaltou, ainda, que se sente abandonado pelo poder público. “Não sou só eu, várias famílias estão aqui há mais de dois anos e não recebemos nem previsão pra sair. Agora dizem que é por documentação, mas sempre tem uma desculpa”, lamentou.

Vila de Passagem continua oferecendo um estado degradante para os moradores. Foto: Bruno Lara/OT.

Vila de Passagem continua oferecendo um estado degradante para os moradores. Foto: Bruno Lara/OT.

O que diz a Prefeitura

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SMDUH) informou que “Do total de 599 famílias, a Prefeitura já reassentou 431. Esta semana foram reassentadas mais 16 famílias e, a cada mês, serão reassentadas mais 16. O motivo da realocação da comunidade foi a construção da BR-448, obra que serviu para desafogar a BR-116”.

Informou que, em função da transferência para unidades definitivas, “a cada mudança, os módulos estão sendo desfeitos”. Ressaltou que a SMDUH “criou um grupo de trabalho, a fim de promover não apenas a limpeza e revitalização das áreas, mas também abordar a questão da educação ambiental e do combate às pragas e endemias”.


 

 

In loco: repórteres relatam sua experiência ao visitar a Vila de Passagem

Émerson

Condições mais desumanas que nos diques   

Por Émerson Vasconcelos   

 

Quando voltei à Vila de Passagem, esperava encontrar uma situação pior do que tinha visto na minha última visita. Isso era óbvio, considerando a degradação gradual das casas. Só que eu confesso que não estava preparado para ver as coisas no estado em que encontrei. Não faz sentido algum que o governo abandone uma área lotada de pessoas jogadas por ele mesmo. Lembro de que na minha primeira visita, em 2011, contestei a Prefeitura sobre a deterioração rápida da infraestrutura e uma pessoa me disse por telefone, antes de me enviar a resposta oficial por email: “Olha Émerson, não entendo do que O Timoneiro está reclamando. Essas pessoas viviam no dique, em condições desumanas e agora têm até brinquedoteca para as crianças”. Passados quase cinco anos, posso garantir que as condições de vida destas pessoas estão ainda mais desumanas do que eram nos diques ou em qualquer outra vila que já visitei. Afinal, a maioria não escolhi viver neste campo de concentração desativado, foram jogados ali. Aliás, desta última não vi nem sinal da tal brinquedoteca que tanto orgulhava a Prefeitura.


 

 

BrunoUm cenário pós-guerra  

Por Bruno Lara

 

 

Ao longe o cenário era de guerrilha.Destroços dominavam a maioria da paisagem. Alguns sobreviventes ao longe, sentados, descansando. No gramado que servia para o pasto dos cavalos, as crianças jogavam futebol. Nada diferente das grandes guerras.
Mais distante ainda, prétios enfeitam a paisagem. Uma dualidade que salta aos olhos. Uma esperança dos moradores de sairem de onde estão para quem sabe, um dia, contarem com as mesmas oportunidades daqueles que estão cercados de cimento e areia, com telhas de zinco.
A primeira imagem foi assim. Um sentimento de desrespeito, de falta de oportunidades. Pessoas que lá foram jogadas para que outras pudessem viver mais confortavelmente. Seres humanos abandonados.

 

 

FOTOS:

 

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Comunidade

Prefeitura na Tua Casa será neste sábado, 24 de janeiro, no bairro Niterói

Redação

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A Prefeitura de Canoas realiza neste sábado, 24, mais uma edição do programa Prefeitura na Tua Casa no bairro Niterói. O atendimento ao público ocorrerá das 9h às 12h, na Rua Itamar Mattos de Maia, em frente ao número 323.

O evento contará com serviços voltados à comunidade, como orientações de saúde, vacinação, atividades culturais, espaço para crianças, ações ambientais, apoio ao empreendedor e oportunidades de emprego. Também serão oferecidos encaminhamentos relacionados a demandas locais.

O programa tem a finalidade de disponibilizar atendimentos diretos em diferentes regiões da cidade.

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Comunidade

Prefeitura de Canoas inicia reforma do CRAS Rio Branco após danos da enchente de 2024

Redação

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A Prefeitura de Canoas assinou, na terça-feira, 13, a ordem de início de serviço para a reforma do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Rio Branco, localizado no Complexo Cultural e Esportivo Mahatma Gandhi, conhecido como Praça CEU. O espaço estava inoperante desde a enchente registrada em maio de 2024.

Após a conclusão da obra, o CRAS voltará a ofertar serviços como Cadastro Único, Bolsa Família, Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para crianças, adolescentes e idosos, Aluguel Social e encaminhamentos à rede socioassistencial. Atualmente, os atendimentos seguem sendo realizados de forma provisória na unidade localizada na Rua Santa Clara, nº 382, no bairro Rio Branco.

A obra integra o processo de recuperação de espaços públicos atingidos pelo evento climático e prevê serviços de manutenção nos vestiários e sanitários externos, melhorias na entrada de energia e adequações na infraestrutura elétrica externa. O investimento é de aproximadamente R$ 221 mil, com recursos da Defesa Civil, por meio do Auxílio Reconstrução.

Durante o ato de assinatura, o prefeito de Canoas, Airton Souza, afirmou que a retomada do espaço representa a devolução de serviços essenciais à população.

“A nossa missão é entregar serviços para a sociedade e para as pessoas que mais precisam. Esse espaço estava abandonado e agora retorna para a comunidade poder usufruir novamente”, disse.

O secretário municipal de Assistência Social, Marcio Freitas, destacou os impactos da enchente no local e a expectativa da comunidade pela recuperação.

“Esse espaço foi muito atingido pelos eventos climáticos e hoje estamos aqui para comunicar à sociedade que ele vai ser recuperado. É um anseio da comunidade desde 2024”, afirmou.

A secretária de Projetos e Captação de Recursos, Daniela Fontoura, explicou que a reforma do CRAS faz parte de um conjunto mais amplo de intervenções no complexo.

“Estamos iniciando a reforma do CRAS Rio Branco, que foi fortemente atingido pela enchente, e seguimos com outros processos em andamento para devolver toda a praça à comunidade. A ideia é garantir um espaço mais acolhedor, com mais qualidade nos serviços e voltado especialmente às famílias e às crianças”, declarou.

Moradora do bairro, Ivone Giehl Meurer comemorou o início da obra.

“Esse espaço já estava abandonado antes da enchente. Agora, ver que vai ser recuperado é muito gratificante. As crianças gostam de vir aqui, brincar, usar a quadra, o campo, a pista de skate. Isso tudo é muito importante para a comunidade, principalmente para quem mora perto”, disse.

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Comunidade

Acúmulo de lixo gera transtornos a moradores do bairro Estância Velha, em Canoas

Redação

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Acúmulo de lixo gera transtornos a moradores do bairro Estância Velha, em Canoas

Moradores do bairro Estância Velha, em Canoas, enfrentaram transtornos provocados pelo acúmulo de lixo em lixeiras da região. O problema foi registrado no domingo, 28, e teria se intensificado ao longo da última semana, com relatos de aumento de resíduos em vias públicas e em frente a condomínios residenciais.

A situação estaria relacionada à ausência da coleta regular de lixo nos últimos dias, o que resultou no acúmulo de resíduos, mau cheiro e proliferação de insetos, causando desconforto à população local.

Em nota, a Secretaria Municipal de Serviços e Zeladoria Urbana informou que organizou um mutirão de coleta ainda nesta segunda-feira, 29, com reforço no número de equipes atuando no bairro Estância Velha. A previsão é de que o serviço seja normalizado até esta terça-feira, 30.

A Administração Municipal destacou que, neste período do ano, a geração de resíduos no município aumenta cerca de 25%. Além disso, houve registro de maior número de faltas entre os profissionais da coleta em datas próximas ao Natal, o que impactou a regularidade do serviço.

A Prefeitura informou ainda que segue investindo na modernização do sistema de coleta de resíduos sólidos. Atualmente, 450 contêineres com sistema de coleta automatizada foram implantados na área central da cidade. Nesse modelo, os contêineres são esvaziados diretamente nos caminhões, tornando o processo mais ágil e econômico em comparação à coleta manual.

Segundo a Administração, a ampliação da coleta automatizada para outros bairros de Canoas deverá ocorrer de forma gradual.

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