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04/02/2026
 

Geral

Em entrevista, Delegada Tatiana Barreira Bastos conta detalhes e desafios da profissão

Redação

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Em virtude da data de 21 de abril, em que se comemora o Dia do Policial Civil, conversamos com a atual titular da 4ª Delegacia de Polícia de Canoas, Tatiana Barreira Bastos, que nos contou os desafios da profissão, preconceitos, maior união com a comunidade e qualificação dos trabalhos em Canoas.

Nossa equipe iniciou a conversa perguntando sobre a execução do trabalho da profissão de Tatiana. Ela nos respondeu que é uma atividade extremamente dinâmica. “Eu costumo dizer que muito mais do que jurídica, é também uma atividade de cunho social muito relevante, nós somos responsáveis pela apuração das práticas infracionais, da materialidade e de indícios suficientes de autoria, buscando a responsabilização criminal daqueles infratores”.

Rotina de gabinete

Ainda, a Delegada explicou que existe uma intensa demanda de rotina de gabinete, que é de despacho das ocorrências policiais, despacho dos expedientes, relatórios e conduções de todas as investigações policiais, de todas as atividades de rua, diligências externas e cartorárias, e também de inteligência e operacionais. “Além das ações externas, como mandados de busca e apreensão, prisão, investigações de campo, quando é necessário ter um planejamento mais amplo”, explicou.

Mulher na polícia

Tatiana destacou o fato de que ser mulher não é nenhum obstáculo, pois não é necessário nada além de uma capacidade intelectual, do curso de Direito, e uma formação também nas práticas operacionais, como uso de arma de fogo e técnicas de imobilização etc. “Mas, é claro, que mesmo nos dias de hoje, por ser mulher, ainda sofremos preconceito. Muitas pessoas ainda acreditam que ser policial exige muito mais forças físicas ou algum atributo que as mulheres não tenham, o que já comprovamos há muito tempo, inclusive as delegadas do estado do Rio Grande do Sul entraram na área na década de 70, então já faz algum bom tempo que a  gente consegue através da nosso trabalho, firmeza, condutas, posturas instrucionais, provar que temos igual capacidade que os homens e ainda algumas qualidade que eu costumo dizer que são tipicamente femininas que nos dão algumas vantagens, como ser mais observadoras, ter mais paciência, exercitar mais empatia com quem estamos ali atendendo e ouvindo. Então eu acho que as mulheres na Polícia Civil humanizaram e deram muito mais qualidade, mais participação comunitária, ou seja, qualificou os seus espaços de rotina, tudo isso graças a participação feminina”, enfatizou Tatiana.

Sonho realizado

Filha de policiais federais, o pai delegado federal e a mãe papilografista federal, Tatiana foi criada praticamente dentro de uma delegacia. “Desde cedo eu despertei o amor, e paixão, me sinto vocacionada para o exercício da atividade policial. Cursei Direito, me formei, e com 23 anos de idade passei no concurso para Delegada de Polícia, justamente a profissão que eu escolhi, e da qual nunca me arrependi, apesar da correria, do risco e estresse. É muito mais do que um ofício, nós abraçamos uma missão”, revelou.

Profissão de fascínio e intimidação

“Exercemos um cargo de muita autoridade, então, eventualmente, as pessoas se sentem receosas com a nossa presença, mas isso muito mais no âmbito profissional do que na minha vida pessoal. O que não é fácil mesmo é para nossos familiares, parceiros, maridos, esposas. Tem que ter um pouco de paciência e aprender a lidar com a nossa profissão, pois somos policiais 24hs por dia. E, claro que a postura muitas vezes de autoridade pode tanto exercer um fascínio em algumas pessoas, como intimidar outras”.


Canoas à frente

Tatiana não economizou elogios para a Segurança de Canoas, que, segundo ela, está à frente há tempo no trabalho de integração das forças policiais. Com passagem pela cidade em 2008, ela conta que viu a cidade crescer na área e ser pioneira em muitas práticas, como de monitoramento eletrônico, audiomonitoramento, o que enxerga como um grande aliado no enfrentamento à criminalidade local.  “Hoje nós temos índices muito positivos, queda em todos os indicadores de criminalidade. Então, para mim, realmente, foi um grande presente poder assumir a titularidade da 4ª Delegacia de Polícia de Canoas, porque, além de um trabalho muito focado no enfrentamento ao tráfico de entorpecentes, aos crimes contra os patrimônios, que ocorrem bastante na região, roubo a pedestre, roubo a residências e roubo a estabelecimento comercial, principalmente, nós temos alguns cartórios especializados”.

Cartórios

Tatiana nos contou que no momento a DP trabalha com cartório de crimes de intolerância, o de direito dos animais, “que é um cartório que tem tido muita visibilidade por nossa atuação constante na verificação de denúncia contra maus tratos a animais”, e em breve estarão também com mais um cartório de proteção à pessoa idosa e pessoa com deficiência. Para isso a delegacia está passando por obras, “para melhorias, e qualificando os espaços, dando mais acessibilidade ao prédio para que possamos receber este novo cartório, e também um cartório de mediação, que é muito exitoso, realiza cerca de 20 mediações por mês, então a gente tem realmente muita matéria prima e muito trabalho ali na 4ª DP, o que tem me trazido muito retorno pessoal. Estou muito feliz de estar ali”, finalizou.

Biografia

Tatiana Barreira Bastos é Delegada de Polícia do Rio Grande do Sul desde 2004, atuou na 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Porto Alegre por onze anos (2009 a 2020), foi a primeira Diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (2019 a 2020), atualmente é Diretora da Divisão de Assessoramento Especial do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis de PGV, Pós-graduada em Direito Penal e Processual Penal pelo Instituto de Desenvolvimento Cultural – IDC, Especialista em Gestão e Monitoramento de Políticas de Segurança Pública pela UFRGS, docente da ACADEPOL – Academia da Polícia Civil, do Curso Preparatório para Concursos – C PC, do Curso do Davi André e do Centro de Ensino Integrado de Santa Cruz do Sul – CEISC, Autora das Obras: Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher – Análise da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/206) – Um diálogo entre Teoria e a Prática, e Lei Maria da Penha – comentários artigo por artigo e estudos doutrinários. Atualmente, atual titular da 4ª DP de Canoas.

 

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Geral

Consulta pública está aberta para reconhecer a pesca com botos como patrimônio cultural

Redação

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O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, mantém aberta a consulta pública que avalia o reconhecimento da pesca com botos como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. A participação da sociedade é aberta e considerada essencial para o andamento do processo.

A prática, registrada no litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, é conhecida pela cooperação entre pescadores artesanais e botos na captura da tainha. Esse saber tradicional é transmitido há mais de cem anos entre gerações e permanece restrito a poucos estuários do sul do país.

Quem deseja participar pode enviar sua manifestação até o dia 28 de fevereiro. As contribuições podem ser feitas de forma digital ou presencial, por diferentes canais disponibilizados pelo Iphan.

As manifestações podem ser enviadas por e-mail para conselho.consultivo@iphan.gov.br.

Também é possível participar pelo Protocolo Digital do Iphan, disponível no site Aqui.

Outra opção é o envio de correspondência para o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, no endereço: SEPS 702/902, Centro Empresarial Brasília 50, Bloco B, Torre Iphan, 5º andar, Brasília, Distrito Federal, CEP 70390-135.

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Policial

Operações da Polícia Civil resultam na prisão de 31 agressores de mulheres no Rio Grande do Sul

Redação

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Operações da Polícia Civil resultam na prisão de 31 agressores de mulheres no Rio Grande do Sul

Duas operações especiais, realizadas pela Polícia Civil em janeiro, colocaram foco nos agressores para coibir a violência de gênero, doméstica e familiar, reforçando a proteção às vítimas. A ação policial foi organizada em resposta aos episódios violentos que marcaram o início do ano no Rio Grande do Sul. Foram executados 30 mandados de prisão e uma prisão em flagrante, relacionados ao descumprimento de medidas protetivas de urgência e a novas ocorrências.

Juntas, as operações “Ano-novo, Vida Nova” e “Mulher Segura” mobilizaram mais de 400 agentes da Polícia Civil e terminaram com a prisão de 31 agressores.

Policiais civis e militares de todo o Estado estão preparados para o atendimento às vítimas e, no âmbito da Secretaria da Segurança Pública (SSP), o tema vem sendo monitorado diariamente, como informou a secretária-adjunta da pasta, Adriana da Costa.

“Com apoio de todas as instituições ligadas à SSP e em parceria com outras secretarias, como a da Mulher e da Saúde, temos realizado o combate e a prevenção aos casos, mas a mudança de mentalidade depende também de conscientização. Por isso, são realizados programas de prevenção e educação, além de parcerias com outros órgãos. Esse é um problema de toda a sociedade”, afirmou.

Janeiro

Coordenada pelo Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV) e realizada pela Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam), a operação “Ano-novo, Vida Nova” foi desencadeada em 20 de janeiro e durou 24 horas, com ordens judiciais cumpridas em 53 municípios gaúchos. A ação envolveu 363 policiais e resultou na apreensão de quatro armas de fogo, além de munições.

Na quarta-feira, 28, foi realizada uma operação integrada com as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher de Porto Alegre. Durante a ação, três armas e munições foram apreendidas. Dois homens foram presos, um deles em flagrante.

Feminicídios

O Rio Grande do Sul registrou 11 feminicídios em janeiro de 2026. Embora outros crimes tenham sido reduzidos no Rio Grande do Sul, a violência contra a mulher é um desafio para toda a sociedade.

“O feminicídio e a agressão à mulher não são um problema contemporâneo. Infelizmente, esse tipo de crime está arraigado em nossa cultura machista, onde o homem pensa que é dono da mulher. Acredito que a sociedade está se transformando: nunca se discutiu tanto esse tema e com tanta disponibilidade de instituições públicas e privadas unidas para combater esse tipo de crime”, disse o diretor do DPGV, delegado Juliano Ferreira.

Reforço nas operações e no atendimento às vítimas

O trabalho policial é sistemático e será intensificado. Na sexta-feira, 30, Ferreira anunciou que o departamento instituirá, no início de fevereiro, a Equipe de Pronta Resposta, voltada ao atendimento rápido e qualificado das vítimas em locais de crimes relacionados aos grupos vulneráveis. A ação representa um avanço significativo na capacidade operacional do DPGV, ao garantir a presença de policiais em todos os locais de crime.

Inicialmente, o trabalho dessas equipes se intensifica na capital e, em breve, será expandido para todo o Estado. “Nos casos de feminicídio e outras ocorrências que envolvem esses grupos vulneráveis, teremos agentes especializados para o atendimento de diligências específicas, o que vai melhorar muito nossa capacidade de resposta às ocorrências e reduzir o tempo das investigações”, afirmou o delegado.

Ferreira destacou que a ação será repetida, com a checagem de cada uma das denúncias. “O trabalho é repressivo e preventivo. Outra frente em que nos emprenharemos cada vez mais é a qualificação do trabalho do policial. Os agentes que atendem às vítimas estarão cada vez mais preparados para as abordagens e irão colaborar para o fortalecimento da rede de proteção dessas mulheres. Outro ponto importante é trazer atores sociais diversos para a discussão sobre o machismo estrutural, como empresas públicas e privadas, envolvendo também os cidadãos, afinal, é preciso conscientizar a todos sobre a violência, que não é um problema de polícia, mas uma questão que envolve toda a sociedade”, ressaltou.

A diretora da Dipam, delegada Waleska Alvarenga, anunciou que em fevereiro será realizada outra operação especial para o combate à violência contra a mulher. A ação dará continuidade às estratégias do governo estadual para o enfrentamento dos feminicídios e da violência doméstica e familiar, com apoio das instituições vinculadas à SSP – Polícia Civil, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros Militar e Instituto-Geral de Perícias.

Canais de denúncia

Em caso de urgência, a Brigada Militar deve ser acionada pelo 190. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 181 ou pelo site da Delegacia Online.

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Meio Ambiente

Guarda Municipal flagra descarte irregular de lixo em área de preservação no bairro Mato Grande, em Canoas

Redação

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Durante uma ação de patrulhamento preventivo na noite de quarta-feira, 28, a Guarda Municipal de Canoas flagrou um homem descartando lixo e restos de obras em uma área de preservação ambiental no bairro Mato Grande. A ocorrência foi registrada no Loteamento Central Park.

O homem, de 39 anos, foi abordado pelos agentes e recolheu o material descartado de forma irregular. Ele informou que faria a destinação correta dos resíduos em um dos ecopontos do município. O caso foi encaminhado à Secretaria Municipal de Serviços e Zeladoria Urbana, que lavrou um auto de infração ambiental. A multa pode ultrapassar R$ 1.100 e pode ser aplicada em dobro caso haja reincidência no período de até seis meses.

A Guarda Municipal realiza patrulhamento contínuo nos bairros de Canoas com o objetivo de prevenir e coibir irregularidades. A corporação também disponibiliza o telefone 153 para denúncias, com atendimento 24 horas por dia. Pelo número, a população pode informar situações como descarte irregular de lixo, maus-tratos a animais, violência doméstica, violência escolar, entre outras ocorrências. O anonimato é assegurado.

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