{"id":41622,"date":"2026-07-01T12:35:44","date_gmt":"2026-07-01T15:35:44","guid":{"rendered":"https:\/\/jornaltimoneiro.com.br\/?p=41622"},"modified":"2026-07-01T12:35:44","modified_gmt":"2026-07-01T15:35:44","slug":"pesquisa-ibge-impactos-enchentes-rs-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/2026\/07\/01\/pesquisa-ibge-impactos-enchentes-rs-2024\/","title":{"rendered":"IBGE divulga pesquisa in\u00e9dita sobre os impactos das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"<p>O O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou nesta quarta-feira, 1\u00ba, os resultados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), levantamento in\u00e9dito que mostra os impactos do maior desastre clim\u00e1tico da hist\u00f3ria do Estado. Entre os dados apresentados, o estudo aponta que 37,9% dos moradores atingidos pelas enchentes precisaram mudar de endere\u00e7o em consequ\u00eancia da trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>A pesquisa foi desenvolvida para medir os efeitos das enchentes na vida da popula\u00e7\u00e3o afetada e re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre moradia, trabalho, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, qualidade de vida e percep\u00e7\u00e3o dos moradores ap\u00f3s o desastre.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de tra\u00e7ar o perfil socioecon\u00f4mico da popula\u00e7\u00e3o atingida, o levantamento investigou os danos provocados pelas chuvas, a gravidade das perdas, os tipos de apoio recebidos e as necessidades da popula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da avalia\u00e7\u00e3o sobre as a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o realizadas ap\u00f3s as enchentes.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, a pesquisa tamb\u00e9m inaugura uma metodologia que poder\u00e1 ser aplicada em futuros desastres clim\u00e1ticos em qualquer regi\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA metodologia possibilita respostas r\u00e1pidas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o frente aos danos decorrentes de desastres naturais e ao enfrentamento de fen\u00f4menos dessa natureza. Propicia informa\u00e7\u00e3o que amplia a conscientiza\u00e7\u00e3o de diferentes atores sociais sobre as graves implica\u00e7\u00f5es da ina\u00e7\u00e3o diante de riscos clim\u00e1ticos. Possui potencial para oferecer subs\u00eddios para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que sejam efetivas na mitiga\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de danos sofridos, bem como na minimiza\u00e7\u00e3o dos impactos de futuros eventos\u201d, afirmou a gerente substituta de Estudos e Pesquisas Sociais do IBGE, Juliana Paiva.<\/p><\/blockquote>\n<p>A gerente tamb\u00e9m destacou a inova\u00e7\u00e3o na forma de coleta das informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA PEERS inovou ao capturar dados, pela primeira vez em uma pesquisa domiciliar, atrav\u00e9s de entrevistas telef\u00f4nicas assistidas por computador, onde um agente treinado do CETAC, que \u00e9 o Centro de Entrevista Telef\u00f4nica Assistida por Computador do IBGE, liga para o informante e realiza a entrevista no mesmo momento. Al\u00e9m dessa coleta r\u00e1pida e eficiente, esse m\u00e9todo possibilita a realiza\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica de dados e grava\u00e7\u00e3o da entrevista, facilitando todo o processamento e controle de qualidade da pesquisa\u201d, completou.<\/p><\/blockquote>\n<p>Juliana ressaltou ainda que o principal diferencial do estudo foi ouvir diretamente quem viveu os impactos das enchentes.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA pesquisa contemplou entrevistas diretas com a popula\u00e7\u00e3o, o que at\u00e9 ent\u00e3o nunca tinha acontecido. Foram ouvidos os pr\u00f3prios moradores dos domic\u00edlios e o desenho da amostra assegurou que fossem contemplados aqueles que estavam localizados nas \u00e1reas mais atingidas pelas chuvas. Abordaram o que aconteceu no per\u00edodo, desde os impactos f\u00edsicos nas suas casas e entorno e evacua\u00e7\u00e3o, passando pelos impactos na vida pessoal; citaram a sa\u00fade e o atendimento m\u00e9dico durante as inunda\u00e7\u00f5es, por exemplo; condi\u00e7\u00f5es de trabalho e estudo, at\u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o a qualidade vida p\u00f3s-desastre\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<h4>Mais de 2,3 milh\u00f5es de domic\u00edlios foram atingidos<\/h4>\n<p>A pesquisa estima que 2.328.093 domic\u00edlios estavam localizados nas \u00e1reas mais afetadas pelas enchentes. Desse total, 81.272 resid\u00eancias (3,5%) foram classificadas como destru\u00eddas e 190.253 (8,2%) como muito danificadas. Somadas, essas situa\u00e7\u00f5es representam 11,7% dos im\u00f3veis atingidos.<\/p>\n<p>J\u00e1 o n\u00famero estimado de moradores afetados chegou a 6.333.727 pessoas. Entre elas, 24,9% afirmaram que as condi\u00e7\u00f5es de vida no momento da pesquisa eram piores do que antes das enchentes. Outros 17,3% avaliaram que houve melhora, enquanto 56,5% disseram que a qualidade de vida permaneceu igual.<\/p>\n<p>O levantamento tamb\u00e9m aponta que 66,8% da popula\u00e7\u00e3o atingida vivia em domic\u00edlios com renda mensal de at\u00e9 R$ 5 mil na \u00e9poca das enchentes.<\/p>\n<h4>Perfil da popula\u00e7\u00e3o atingida<\/h4>\n<p>Entre os moradores afetados, 51,9% declararam sexo feminino e 48,1% masculino. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cor ou ra\u00e7a, 78,5% se declararam brancos, 14,3% pardos e 6,7% pretos.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mostra equil\u00edbrio entre a popula\u00e7\u00e3o com at\u00e9 15 anos (19,5%) e os moradores com mais de 60 anos (20%). Al\u00e9m disso, 28,8% haviam conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio ou possu\u00edam ensino superior incompleto.<\/p>\n<h4>Danos estruturais atingiram mais da metade das moradias<\/h4>\n<p>O levantamento revela que 55,5% dos moradores viviam em resid\u00eancias que sofreram danos estruturais. J\u00e1 68,7% informaram que houve impactos provocados pelas enchentes no bairro ou nas ruas pr\u00f3ximas \u00e0s suas casas.<\/p>\n<p>Entre os moradores que mudaram de endere\u00e7o ap\u00f3s as enchentes, percentual que corresponde a 14,6% da popula\u00e7\u00e3o pesquisada (922.233 pessoas), 28,3% pertenciam a fam\u00edlias com renda de at\u00e9 R$ 2 mil por m\u00eas, indicando maior impacto entre os grupos de menor renda.<\/p>\n<h4>Sa\u00fade mental foi o principal impacto<\/h4>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m investigou os reflexos das enchentes na vida pessoal da popula\u00e7\u00e3o. O problema mais citado foi o abalo na sa\u00fade mental, mencionado em 67,5% dos domic\u00edlios.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m apareceram entre os principais impactos as interrup\u00e7\u00f5es na vida social ou no conv\u00edvio com familiares e amigos (58,4%) e as dificuldades de deslocamento para o trabalho, escola ou creche (57,3%).<\/p>\n<h4>Aux\u00edlio financeiro e atendimento m\u00e9dico<\/h4>\n<p>Entre abril e maio de 2024, pelo menos um morador de 484.221 domic\u00edlios recebeu aux\u00edlio financeiro pago por ente p\u00fablico, o equivalente a 20,8% do total pesquisado.<\/p>\n<p>Mais da metade dessas fam\u00edlias (52,9%) possu\u00eda renda de at\u00e9 R$ 3 mil mensais. J\u00e1 entre os domic\u00edlios que receberam aux\u00edlio e registraram danos estruturais, o percentual chegou a 88,7%.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m identificou que 196.293 domic\u00edlios (8,4%) tiveram pelo menos um morador que precisou de atendimento m\u00e9dico em decorr\u00eancia das enchentes. Desses, 56,1% tinham renda de at\u00e9 R$ 3 mil.<\/p>\n<h4>Resgates ocorreram principalmente por transporte aqu\u00e1tico<\/h4>\n<p>Segundo o levantamento, 652.107 domic\u00edlios ficaram inacess\u00edveis durante as enchentes, representando 28% do total.<\/p>\n<p>O transporte aqu\u00e1tico foi utilizado em 70% dos resgates, seguido pelo terrestre, com 34,6%.<\/p>\n<p>Os volunt\u00e1rios participaram da maior parte das opera\u00e7\u00f5es, atuando em 74,9% dos atendimentos, enquanto \u00f3rg\u00e3os oficiais, como Bombeiros, Defesa Civil e For\u00e7as Armadas, responderam por 35,4%.<\/p>\n<h4>Educa\u00e7\u00e3o e trabalho<\/h4>\n<p>Entre os 1.696.612 estudantes que frequentavam a escola em abril de 2024, 78,9% interromperam os estudos tempor\u00e1ria ou permanentemente durante as enchentes. No per\u00edodo da coleta da pesquisa, 94,8% j\u00e1 haviam retornado \u00e0s atividades escolares.<\/p>\n<p>No mercado de trabalho, 3.043.889 moradores exerciam atividade remunerada antes das enchentes. Durante o desastre, 56,4% interromperam suas atividades. Na \u00e9poca da pesquisa, o n\u00famero de pessoas trabalhando voltou a um patamar semelhante ao registrado antes das inunda\u00e7\u00f5es, totalizando 3.035.991 trabalhadores.<\/p>\n<h4>Avalia\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos<\/h4>\n<p>Os entrevistados apontaram maior percep\u00e7\u00e3o de piora do que de melhora em servi\u00e7os como sa\u00fade, abastecimento de \u00e1gua, drenagem, esgotamento sanit\u00e1rio e transporte coletivo.<\/p>\n<p>Por outro lado, houve avalia\u00e7\u00e3o positiva para o fornecimento de energia el\u00e9trica, ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e limpeza urbana.<\/p>\n<p>Recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas atingidas<\/p>\n<p>Quando questionados sobre os trabalhos de recupera\u00e7\u00e3o realizados nas \u00e1reas afetadas, moradores que representam 41% da popula\u00e7\u00e3o pesquisada consideraram as a\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias. J\u00e1 39,2% avaliaram que os trabalhos n\u00e3o atenderam \u00e0s expectativas.<\/p>\n<h4>Regi\u00f5es pesquisadas<\/h4>\n<p>A pesquisa cobriu oito Regi\u00f5es Intermedi\u00e1rias (RIs) do Estado, por\u00e9m, para garantir a precis\u00e3o das estimativas, foi necess\u00e1rio agregar Uruguaiana, Iju\u00ed e Passo Fundo, resultando em seis RI analisadas: 1. Porto Alegre; 2. Caxias do Sul; 3. Santa Cruz e Lajeado; 4. Pelotas; 5. Santa Maria; 6. Uruguaiana, Iju\u00ed e Passo Fundo.<\/p>\n<p>A RI de Porto Alegre \u00e9 a mais populosa, correspondendo a 59,3% dos domic\u00edlios e 59,0% dos moradores frente \u00e0 \u00e1rea completa de cobertura da pesquisa, que totalizou 6.333.727 moradores e 2.328.093 domic\u00edlios. A RI de Uruguaiana, Iju\u00ed e Passo Fundo apresentou n\u00famero absolutos de domic\u00edlios (41.587) e de moradores (121.260) muito inferiores aos referentes \u00e0s demais cujos totais de domic\u00edlios e moradores superaram, respectivamente, 190.000 e 500.000.<\/p>\n<p>Especificamente na RI de Porto Alegre, a ocorr\u00eancia de domic\u00edlios com danos na estrutura alcan\u00e7ou 55,0% das moradias. Nessa regi\u00e3o, observaram-se as condi\u00e7\u00f5es de danos mais graves dos domic\u00edlios: destru\u00eddos, com 5,1%, e muito danificados, com 10,9%.<\/p>\n<p>A gravidade do evento clim\u00e1tico vivenciado, os relatos de impactos das chuvas nos bairros e arredores dos domic\u00edlios alcan\u00e7aram percentuais superiores a 70% em tr\u00eas Regi\u00f5es Intermedi\u00e1rias: Santa Cruz do Sul e Lajeado, Porto Alegre e Uruguaiana, Iju\u00ed e Passo Fundo, que resultaram em valores maiores em rela\u00e7\u00e3o ao da \u00e1rea total pesquisada, 68,7%. As demais RIs ficaram abaixo do geral, por\u00e9m acima de 50%.<\/p>\n<p>Os percentuais de domic\u00edlios que relataram danos nos seus arredores variaram entre 51,1% (RI de Caxias do Sul) e 76,5% (RI Santa Cruz do Sul e Lajeado). Para a cobertura completa da pesquisa, o percentual foi de 68,7%.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao tipo de dano, Ruas ou rodovias danificadas, alagadas ou interditadas foi o mais incidente em cinco RI, afetando 57,1% de domic\u00edlios na regi\u00e3o de Pelotas e 70,6% na RI de Santa Cruz do Sul e Lajeado. Na regi\u00e3o de Caxias do Sul (44,1%) essa ocorr\u00eancia ficou em segunda posi\u00e7\u00e3o, sendo superada por quedas de \u00e1rvores e de postes e deslizamentos (47,9%).<\/p>\n<p>Pontes quebradas, destru\u00eddas ou interditadas foi o tipo de impacto no bairro ou ruas pr\u00f3ximas aos domic\u00edlios que apresentou participa\u00e7\u00f5es mais vari\u00e1veis entre as RIs. A suspens\u00e3o do transporte p\u00fablico tamb\u00e9m afetou diferentemente as regi\u00f5es. Para cada uma dessas duas situa\u00e7\u00f5es, foram observadas varia\u00e7\u00f5es superiores a 20% e 50%.<\/p>\n<p>Comparando o percentual de moradores com trabalho remunerado no per\u00edodo das enchentes com o momento da coleta, observa-se pouca varia\u00e7\u00e3o nas RIs de Porto Alegre (de 58,3% para 58,2%) e Uruguaiana, Iju\u00ed e Passo Fundo (de 62,8% para 63,0%). Apresentaram crescimento as regi\u00f5es de Caxias do Sul (61,5% para 64,2%) e Santa Cruz do Sul e Lajeado (de 60,3% para 61,8%) e decresceram Pelotas (de 54,1% para 52,0%) e Santa Maria (de 55,4% para 50,7%). As quatro primeiras regi\u00f5es registraram padr\u00f5es consistentes com a recupera\u00e7\u00e3o observada para o total da pesquisa, em que foram identificados contingentes de inser\u00e7\u00e3o no trabalho praticamente iguais para os dois per\u00edodos, 3.043.889 e 3.035.991, correspondendo a 58,3% e 58,1% de moradores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou nesta quarta-feira, 1\u00ba, os resultados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), levantamento in\u00e9dito que mostra os impactos do maior desastre clim\u00e1tico da hist\u00f3ria do Estado. 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